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Presidente da Embrapa discute importância das aplicações digitais no agro

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 12/03/2020

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O jornal O Estado de São Paulo reuniu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) para uma discussão sobre desafios, oportunidades e soluções para a conectividade no campo. O evento começou com uma palestra do presidente da Embrapa, Celso Moretti, que defendeu a importância da conectividade e a aplicação de tecnologias digitais para o aumento da produtividade do agro.

Ele iniciou sua apresentação defendendo o slogan da Embrapa: a agricultura brasileira é movida a ciência. "Isso é algo que vou continuar repetindo sempre aqui na CNA, no Brasil e principalmente no exterior, que ainda desconhece a revolução que fizemos no nosso País. Em cinco décadas o Brasil foi capaz de criar um modelo sustentável e competitivo de agricultura tropical, sem paralelo no mundo, e totalmente baseado em ciência. Foi um salto fantástico de produtividade com sustentabilidade".


Foto: Robinson Cipriano

No entanto, Moretti ponderou que se o agro brasileiro, que responde por 1/4 de toda a riqueza gerada no País, quiser dar um novo salto de produção e de produtividade, será necessário investir e ampliar a conectividade no campo, porque o acesso às inovações que o mundo urbano já começa a se acostumar vai depender fortemente da maior conectividade no mundo rural.

Segundo ele, em quatro décadas o mundo assistiu a uma evolução absurda das ferramentas digitais na agricultura. "Saímos de uma situação de mono usuário de computador, da internet comercial, do computador central, da pesquisa adaptativa, para uma situação de sistemas integrados e complexos, Big Data, Internet das Coisas, robótica, drones, sensores e pesquisa sistêmica. Uma nova realidade onde a conectividade é a chave para o sucesso", afirmou. Segundo dados do IBGE, hoje 72% do campo brasileiro ainda não tem conectividade.

Ele também citou que a Embrapa faz parte de um grande projeto internacional de desenvolvimento de agricultura de precisão, abrangendo Brasil, África do Sul, EUA e alguns países europeus, para adoção de sensores avançados do solo que se conectam com máquinas, que se intercomunicam com centrais e que tomam a decisão se é o momento adequado de se irrigar nas propriedades rurais participantes. "Há ainda um desperdício muito grande de água aplicada na lavoura e essa experiência poderá ajudar a diminuir esse desperdício", anunciou.

Nos últimos anos, centros de pesquisa da Embrapa já lançaram alguns aplicativos que hoje estão disponíveis para produtores rurais de muitas cadeias produtivas. De acordo com Moretti, a agricultura digital movimenta um ecossistema de inovação digital, formado por empresas, agritechs, startups, potenciais investidores, muitas delas estimuladas por hackatons e eventos promovidos pela Embrapa, como o Pontes para Inovação, Ideas for Milk, InovaPork, InovaAvi, Avança Café, Ideas for Farm, TechStart AgroDigital. Atualmente já existem mais de 1.200 agritechs atuando no Brasil.

Ao final de sua fala, Moretti destacou que na questão da Conectividade o Brasil precisará reforçar iniciativas como o Plano Brasil Agro Conectado, Conecta Agro, Banco de Dados Colaborativo do Agricultor, unindo ações promovidas pelo Executivo, pelo Congresso Nacional e pela iniciativa privada. "Outra necessidade importante que já passou da hora de construirmos é a estratégia brasileira de Inteligência Artificial. China e EUA já avançaram nisso e ainda temos uma avenida enorme no Brasil para seguir em frente", enfatizou.

A questão dos currículos nas universidades foi outro gargalo apontado: "Precisamos formar profissionais com novo perfil, unindo Ciências Agrárias, Veterinárias e Florestais com Ciências de Dados, Ciências Cognitivas, entre outras. Precisaremos ainda explorar sinergia entre Agricultura e Cidades Inteligentes, o urbano e o rural. A agricultura digital servindo como ferramenta de inclusão produtiva, tecnológica e social", declarou.

Moretti ainda sugeriu incluir as startups e o capital de risco no modelo de negócios, e que será preciso internacionalizar e explorar oportunidades do fluxo mundial de conhecimentos, incluindo o Sudeste Asiático, nas ações a serem promovidas pelo governo brasileiro.

As informações são da Embrapa.

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