Os cafezais da região do Caparaó se desenvolvem nas encostas das montanhas que abrigam o Pico da Bandeira, em altitudes entre 900 e 1.200 metros. As lavouras ocupam grande parte das áreas, formando um maciço verde que se estende pela paisagem. Em altitudes mais elevadas, encontra-se o Parque Nacional do Caparaó, composto por áreas de vegetação nativa.
Existem lavouras mais antigas, mas também muitas áreas implantadas recentemente, estimuladas pelos preços mais elevados do café. As novas lavouras vêm sendo formadas com variedades melhoradas e espaçamentos mais adequados, destacando-se o uso dos catucaís 785-15, nas versões de frutos vermelhos e amarelos.
Em algumas áreas, também é cultivada uma variedade local conhecida como Caparaózinho, de frutos amarelos, porte baixo e brotação nova de coloração bronze. Suspeita-se que seja uma seleção de caturra ou catimor.
Em poucas propriedades, vem sendo cultivada também a variedade gesha, de origem etíope, cujo plantio está associado ao potencial para a produção de cafés especiais. Essa variedade apresenta plantas de porte alto e menor produtividade. No entanto, para produtores que conseguem acessar mercados especializados, seus cafés podem alcançar preços mais de seis vezes superiores aos dos cafés convencionais.
No cultivo do gesha, é preciso considerar que, além da menor produtividade, as plantas tendem a perder vigor com o avanço da idade. Por isso, trabalhos de pesquisa sobre espaçamento e manejo dessa variedade ainda precisam ser desenvolvidos.
No manejo das lavouras, dois problemas se mostram mais recorrentes: a deficiência de magnésio e a forte incidência de ferrugem. Essas dificuldades estão relacionadas, entre outros fatores, à baixa eficiência da aplicação superficial de calcário e à ausência ou à baixa eficiência do controle da ferrugem. Nas áreas mais elevadas e em anos mais chuvosos, também se observa a ocorrência de phoma.
Quanto ao manejo das plantas por meio de podas, tem sido utilizada de forma excessiva a recepa, quando, em muitos casos, poderiam ser adotadas intervenções menos drásticas, como a poda por decote e o esqueletamento.
Nos novos plantios, um aspecto importante a ser corrigido é a adoção de espaçamentos maiores entre as plantas na linha, em torno de 1 metro. O espaçamento mais adequado seria próximo de 0,5 metro entre plantas.
Um dos destaques da região tem sido a produção de cafés especiais, favorecida pelas condições climáticas e pelos cuidados adotados no pós-colheita. Os cafés do Caparaó, tanto do lado mineiro quanto do capixaba, têm conquistado posições de destaque em diversos concursos nacionais de qualidade.
Uma particularidade do preparo pós-colheita na região é o uso de terreiros cobertos com plástico, estratégia que ajuda a proteger os cafés da ocorrência de chuvas durante o período de secagem.
Por fim, é importante ressaltar o aspecto socioeconômico da cafeicultura regional. A atividade tem contribuído para a geração de renda e empregos, com impactos positivos para os produtores e suas comunidades. Também merece destaque o aproveitamento do café como atrativo turístico, com a presença de cafeterias, restaurantes e pousadas ligados à identidade cafeeira da região.
Conclui-se que a região cafeeira do Caparaó se destaca pela extensa área de cultivo em ambiente montanhoso e pela qualidade dos cafés produzidos. Alguns aspectos relacionados ao plantio e ao manejo das lavouras, no entanto, podem ser aperfeiçoados, contribuindo para o fortalecimento e o desenvolvimento da cafeicultura regional.
Na região do Caparaó, na divisa de MG e ES, paisagem verdejante com lavouras de café ocupando as fraldas das montanhas
Detalhe de lavoura nova bem implantada e cuidados no preparo do café colhido, aqui usando terreiro com cobertura plástica
Plantio com cerca de 1 m entre plantas na linha e alta incidência de ferrugem nas lavouras velhas, devido à dificuldade de controle - dois problemas a serem mais cuidados
Cafeeiro da variedade gesha na 2ª safra (esq.) e área de cafeeiros dessa variedade, com mais idade, com algumas plantas já definhando