Celso Oliveira respondeu:
"Prezada Equipe CaféPoint,
A volta das chuvas regulares sobre as principais regiões cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais vem propiciando uma elevação dos níveis de água no solo e, com isso, na grande maioria das regiões, esses índices ultrapassam os 75 mm. E com os solos apresentando bons níveis de umidade, os cafezais voltaram a vegetar satisfatoriamente, elevando os índices de área foliar e favorecendo o desenvolvimento e crescimento dos grãos. Além disso, o tempo nublado deixa a temperatura mais amena do que em outubro, o que também ajuda no desenvolvimento das plantas e dos grãos de café que se encontram na fase de chumbão.
Porém, na região da Zona da Mata mineira e também em algumas regiões serranas do Espírito Santo, as fortes chuvas ocorridas na semana passada levaram prejuízos aos produtores. Houve queda prematura de grãos recém formados. Ainda não foram contabilizadas as perdas, mas o que tudo indica, elas não serão grandes, apenas pontuais e que não deverão influenciar negativamente na produção total da região.
E como estão previstas mais chuvas para os próximos dias em praticamente todas as regiões cafeeiras de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná, as condições se manterão favoráveis ao desenvolvimento vegetativo da planta e também o desenvolvimento dos grãos. Não havendo anomalias que possam comprometer o desempenho das lavouras nesses próximos 10 dias e durante boa parte do mês de dezembro.
Mas pensando um pouco mais além, vale lembrar que estamos sob domínio de uma neutralidade climática. Ou seja, neste momento, não temos influência nem do El Niño nem do La Niña. Isto implica em um verão caracterizado pela presença constante de frentes frias paradas sobre a costa do Sudeste, deixando o tempo chuvoso por um período prolongado (sistema chamado de Zona de Convergência do Atlântico Sul). Se neste momento momento, estas chuvas fortes e constantes baixam a temperatura e aumentam a umidade do solo, favorecendo o desenvolvimento do café, mais para frente, poderemos observar inversão deste quadro favorável por conta do excesso de umidade e baixa insolação. Para a Mogiana e Sul de Minas Gerais, por exemplo, simulações meteorológicas americanas chamadas de CCM3 indicam precipitações acima da média e temperaturas ligeiramente mais baixas que o normal para janeiro, fevereiro e parte do mês de março de 2013."
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A Somar Meteorologia responde pontualmente às dúvidas meteorológicas enviadas por vocês, leitores. A seção é comandada pelo meteorologista Celso Oliveira (foto), responsável pela página Clima de nosso portal desde 2006, com apoio do agrônomo Marco Antonio do Santos.
