Os impactos da seca no agronegócio

Confira a opinião do ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de janeiro de 2003 a junho de 2006, João Roberto Rodrigues.

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A agropecuária brasileira é o esteio do Produto Interno Bruto (PIB) e há muitos anos a balança comercial vem sendo sustentada pelo agronegócio que, atualmente, representa 23% do PIB, quase um quarto do total e gera 30% dos empregos do país. Em 2015, o desempenho das principais commodites agrícolas tende a ter margens menores, mas ainda assim poderão ser observados números razoáveis que vão contribuir com o crescimento da economia do país, comparado aos demais setores econômicos que projetam uma desaceleração neste ano.

Adaptar-se à falta de água será o grande desafio de 2015 tanto para o governo quanto para a população. A estiagem nas principais regiões produtoras do Sudeste e Centro-Oeste pode trazer um impacto negativo para o setor agropecuário. A logística de escoamento de grãos é um grande gargalo para o país e a paralisação de muitos pontos da hidrovia Tietê-Paraná está fazendo com que os produtores recorram ao transporte rodoviário.

 
O ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de janeiro de 2003 a junho de 2006 e atual presidente do conselho de administração da União da Indústria da Cana-de-açúcar (UNICA), João Roberto Rodrigues, explica que: “Em algumas regiões de Mato Grosso, alguns caminhoneiros já fizeram acertos para ter um preço uniforme. Então é muito possível que o problema das hidrovias se some ao aumento do custo de produção”.


O crescimento previsto não depende somente do clima, mas também vai requerer que o agronegócio explore seus ganhos de produtividade, sem depender apenas de impulsos da demanda. Existem muitos fatores externos como a desaceleração do mercado chinês, principal destino do grão brasileiro, que pode impactar as negociações em 2015. Roberto Rodrigues ressalta que a maior cautela do setor deve ser vista para o ano de 2016. “A valorização do dólar pode aumentar ainda mais os custos de produção. E se os preços lá fora continuarem em queda, devido o aumento da oferta, as margens serão ainda menores no próximo ano (2016)” diz.





Reportagem por Lívia Fernanda, da Climatempo - parceira do site CaféPoint.
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Equipe CaféPoint

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