Novo produto combate a praga da broca-do-café
Os cafeicultores de Minas Gerais poderão utilizar na safra 2015 um novo inseticida que possui alta eficácia no combate à broca-do-café (Hypothenemus hampei). O produto Ciazipir (Ciantraniliprole) é considerado um grande avanço para o setor, já que o índice de toxidade é baixo, tanto para as pessoas que irão manipular como para o meio ambiente.
Publicado por: CaféPoint
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A liberação emergencial do inseticida acontece no momento em que a cafeicultura registra perdas com a produção, já que o principal produto utilizado no combate à broca-do-café, o inseticida endossulfan, foi proibido em 2013, restando aos cafeicultores o uso de produtos com eficácia inferior à necessidade.
De acordo com o engenheiro agrônomo, pesquisador da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais) e doutor em Entomologia, Júlio César de Souza, o uso emergencial do inseticida, que ainda está em processo de licenciamento, foi permitido por meio da Portaria nº 188, publicada no dia 13 de março no "Diário Oficial da União". Nela, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) decretou estado de emergência na produção de café em Minas Gerais, devido ao ressurgimento da praga Hypothenemus hampei.
Com a publicação, os cafeicultores poderão utilizar o Ciazipir no combate à broca-do-café ao longo da safra 2015. A praga atinge o fruto através da perfuração da semente e consumindo o conteúdo, ocasionando perdas de peso e tipo nos grãos. O período de incidência da praga ocorre entre novembro e março, período de formação dos grãos. O uso do produto na safra atual não irá acontecer pelos cafezais estarem próximos ao período de colheita.
Eficiente
Segundo Souza, os cafeicultores serão beneficiados com o uso do Ciazipir. "Por ser um inseticida novo, é altamente eficiente no controle da broca e de outras doenças do cafezal. A ação de combate é igual à proporcionada pela endosulfam, que tinha uso indiscriminado no país e possuía toxidade altíssima. O índice de toxidade baixa do Ciazipir é o grande diferencial", ressalta.
O produto deve ser disponibilizado para o mercado em meados de novembro. O sistema de aplicação é por pulverização. O preço de venda, ainda não divulgado, deve ser superior ao do endossulfan, cujo litro era comercializado em torno de R$ 10.
"Acreditamos que o preço será mais alto por ser um produto novo, de alta eficiência e com diversos benefícios, mas serão acessíveis aos cafeicultores. O uso do Ciazipir será feito por pulverização e exige que o produtor faça o monitoramento do cafezal, aplicando somente nas áreas onde se tem a infestação. Com o uso eficiente, haverá economia do produto", observa.
As pesquisas da Epamig mostram que o controle químico não é necessário em toda a lavoura porque o ataque da praga é desuniforme. Em geral, somente 35% do total da lavoura requerem controle químico. As lavouras novas, nas primeiras safras, não apresentam infestação da broca por isso não requerem controle químico.
Para o monitoramento, o cafezal deve ser dividido em talhões, agrupamentos de plantas numerados e separados por espaços necessários para a passagem de máquinas e equipamentos. Em cada talhão devem ser escolhidos, aleatoriamente, 30 cafeeiros para o levantamento de dados.
Ainda segundo Souza, além de ser eficiente contra a broca-do-café, o Ciazipir também combate o bicho-mineiro, as lagartas do cafezal e confere vigor ao cafeeiro.
As informações são do Diário do Comércio
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