Mercado cafeeiro não acompanha desvalorização do real frente ao dólar

Com isso, compradores aumentaram suas margens de lucros, mas dificultaram o fechamento de um maior número de negócios, informa Escritório Carvalhaes.

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Por Thais Fernandes

Em seu Boletim Semanal, referente aos dias 3 a 7 de novembro, o Escritório Carvalhaes, de Santos (SP), aborda a desvalorização do real frente ao dólar e pontua que este movimento não foi incorporado ao mercado cafeeiro. “Os compradores repassaram para os preços apenas uma pequena parte dessa desvalorização. Aumentaram suas margens de lucros, mas dificultaram o fechamento de um maior número de negócios”, informa a corretora.

Foto: Ivan Padovani / Café Editora
Foto: Ivan Padovani / Café Editora


Produção
Agora, as chuvas presenciadas em algumas regiões produtoras, deram início a abertura das últimas floradas de 2014. Sobre a produção brasileira de café, o Escritório Carvalhaes lembra que a recente seca vivida foi uma das mais severas da história. “Agora os cafeicultores terão de contar com boas chuvas no decorrer de novembro e dezembro para que essas flores se transformem na safra brasileira de café 2015. Os agrônomos não se arriscam a falar em números diante da forte e longa seca que devastou os cafezais do sudeste brasileiro nos últimos dez meses”, analisa a instituição.



Exportações e bolsa de Nova York
O Boletim do escritório Carvalhaes apontou, ainda, que até o dia 6, os embarques de novembro estavam em 267.476 sacas de café arábica, mais 10.800 sacas de café conilon somando 278.276 sacas de café verde, mais 10.237 sacas de café solúvel, totalizando 288.513 sacas embarcadas, contra 432.474 sacas no mesmo dia de outubro. Até o dia 6 os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em novembro totalizavam 525.471 sacas, contra 682.401 sacas no mesmo dia do mês anterior.

Já na bolsa de Nova York – ICE, o Escritório afirma que do fechamento do dia 31 de outubro até o fechamento da última sexta-feira, dia 7 de novembro, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo, 560 pontos ou US$ 7,41 (R$ 19,01) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 31 a R$ 613,01 por saca e sexta-feira, dia 7, a R$ 619,12 por saca. No dia 7/11 nos contratos para entrega em dezembro a bolsa de Nova York fechou com baixa de 135 pontos.
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Renato H. Fernandes
RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 11/11/2014

Mal ou bem, o fato do Brasil ser, de longe, o maior supridor de café do mundo é quem determina que nem toda a desvalorização do real seja automaticamente repassada para as cotações internacionais do café. Isto é muito ligado também ao desenvolvimento, nos últimos dez, talvez quinze, anos de sistemas bem estruturados e eficazes de compra de café para entrega futura e trava de preços que propiciam à industria de torrefação a garantia de sempre trabalhar com um estoque mínimo de matéria-prima já comprado e/ou contratado, não tendo que correr açodadamente ao mercado para se defender de qualquer sinal de oscilação positiva dos preços. Tal estoque funciona como um colchão que amortece o impacto de fatores externos e/ou choques de oferta nas planilhas de custos dos elos pós-produção da cadeia produtiva do café.



Já tendo garantido um nível mínimo de estoque que não os deixe com os pires na mão, os compradores buscam limitar o aumento das cotações, testando níveis de preço que motivem os produtores que, por uma série de fatores, não conseguem utilizar os contratos de venda futura/travas de preço, a ir paulatinamente liberando a oferta de café e diminuindo o ímpeto altista. Conhecer e buscar acesso aos fatores que propiciam a participação no mercado de vendas futuras e travas de preço do café é, hoje, muito mais determinante para a competitividade dos produtores do que tentar tentar, especulativamente (quase que lotericamnente) acertar o momento exato da venda.