
Lucas Rodrigo Favaro Garcia, Presidente da Bahia Coffee Produtores Associados, é paulista de Piraju, filho e neto de cafeicultores. Formou-se em Agronomia em Lavras, Minas Gerais. Trabalha com café no Oeste da Bahia desde 1998.
CaféPoint: Qual o segmento ou nicho de mercado que o café produzido no cerrado baiano está alcançando atualmente? Em quais mercados desejam atuar em 2009, além desses?
Lucas R. F. Garcia: Atualmente, o café produzido no cerrado baiano atende vários mercados como os de um café padrão BM&F, comercializado como commodity. A região conta com um armazém credenciado à BM&F, o que facilita ao produtor depositar seu café e prepará-lo para exercer a entrega.
Na maioria das vezes quem arremata estes lotes de cafés certificados na Bolsa são os Exportadores que também compram direto do produtor com contratos de entrega futura, os chamados "mercado a termo". Outro mercado importante são as indústrias torrefadoras do Nordeste, que compram os café da região Oeste da Bahia, procurando tanto os de baixa quanto os de alta qualidade.
Os mercados que desejamos atuar mais em 2009 são os contratos de exportações com cafés certificados UTZ CERTIFIED, cujo selo já foi conquistado por alguns de nossos cooperados, enquanto outros aguardam o processo de certificação para serem auditados em breve. Assim, poderemos agregar valor ao nosso produto.
CaféPoint: Quais os principais desafios, gargalos e dificuldades que a Bahia Coffee Produtores Associados avalia para o café de qualidade produzido no estado atualmente?
Nosso principal desafio está na implantação de uma nova dimensão na pesquisa, pois como prioridade para este ano, desenhamos o programa de pesquisa cafeeira (PIP CAFÉ), que começa a ser colocado em prática juntamente com alguns parceiros da Bahia Coffee, como Fundação BA, AIBA, Prefeitura LEM, Coproeste e Coperfarms. A coordenação está a cargo do Dr. Gabriel Bartholo, com grande experiência em pesquisas, uma vez que dirigiu a Embrapa Café e a Epamig, o qual trará grandes novidades nesta nova fase da pesquisa.
Em meio à cafeicultura empresarial e tecnificada do Oeste da Bahia, a inovação tecnológica começa a ganhar novo espaço frente à realidade. O PIP Café foi estruturado para esta finalidade e pretendemos chegar a uma nova dimensão na busca por soluções aos desafios técnicos da realidade do cerrado.
O que desejamos é o aumento nas médias de produtividade, mas com sustentabilidade e credibilidade. Esse quadro será possível com pesquisas sérias, sendo este o maior desafio da Bahia Coffee. Nas atuais médias de 55 sc/ha estão inclusas produtividades de 70 sc. Por outro lado, diversos ajustes tecnológicos estão sendo realizados, como podas e recepas, o que tem reduzido a média regional.
Com relação ao café de qualidade produzido no Estado, temos muita qualidade principalmente nas regiões altas como em Piatã/BA, mas nós da Bahia Coffee produtores associados representamos os cafés da região Oeste, do cerrado baiano, onde se tem cafés de excelente qualidade. Produzimos cafés cerejas descascados, os totalmente lavados conhecidos como "full washed", bastante procurados para exportação.
Temos também associados que são fornecedores de cafés para a torrefadora Italiana Illy Café. Porém, outro grande desafio é a busca de contratos de longo prazo com torrefadoras, pois em nossa região não temos problemas climáticos que possam assolar a produção de uma hora para outra e, conseqüentemente, temos como garantir a produção.
CaféPoint: Qual a avaliação da Associação para o mercado em 2009 e o que a entidade está planejando fazer para atuar nessa conjuntura?
Temos como meta para o ano de 2009 unir mais associados para conseguir força na entidade e assim promover e divulgar mais a imagem da região, que sem dúvida é muito propícia à cafeicultura por varias vantagens, como por exemplo:
• Não temos problemas com geadas.
• Não temos grandes problemas com ferrugem do café.
• Não temos chuvas de granizo.
• Maior luminosidade, permitindo assim um maior crescimento das plantas.
• Fácil mecanização devido às áreas muito planas.
• Não temos veranico porque 100% da cafeicultura é irrigada.
• Temos um excelente parceiro para Financiamentos de investimentos e custeios das lavouras com programas como o FNE (Fundo do Desenvolvimento do Nordeste) com prazos de até 12 anos para pagar, que é o Banco do Nordeste do Brasil. Além disso, nossa região é a única do Brasil onde o Banco do Brasil faz empréstimos para investimentos em cafeicultura.
Para melhorar a imagem da região, diversas ações estão sendo realizadas, porém o concurso estadual de qualidade é um dos alvos principais. Em 2008, dos 12 finalistas, 7 eram da região. Isto prova que os trabalhos em prol da qualidade estão tendo resultados e a resposta do concurso prova isso.
