Futuro da produção no curto e longo prazos preocupa especialistas
A estiagem dos últimos meses deverá reduzir em até 6,7 milhões de sacas a safra de café 2014, para entre 40,9 milhões e 43,3 milhões de sacas, confirmou o engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, José Braz Matiello, em evento do segmento ontem em Guarujá, no litoral paulista.
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Matiello tomou como base a estimativa inicial da Conab para a colheita e mediu os impactos da seca em algumas lavouras. Nas mais afetadas, houve quebra de mais de 70%. Segundo ele, os efeitos da seca ainda deverão ser sentidos na produção do próximo ciclo - serão entre 38,7 milhões e 43,6 milhões de sacas em 2015/16, projetou.
"Que a colheita vai ser menor [nesta safra 2014/15], vai. Mas só saberemos o quanto nos próximos dois meses", disse Eduardo Carvalhaes Jr., do Escritório Carvalhaes, um dos mais tradicionais na corretagem de café em Santos (SP). De acordo com Paulo Espinoza, sócio diretor da Somar Meteorologia, já houve períodos no passado de estiagem como esse. "Não vamos mudar as causas, mas mitigá-las".
Segundo o Valor, as preocupações do segmento não são apenas de curto prazo. Do lado de quem compra o produto, é crescente a preocupação com o futuro da oferta. Segundo a multinacional suíça Nestlé, responsável por entre 10% e 13% das aquisições de café verde no mundo, os maiores desafios nessa frente são a falta de novos produtores, mudanças climáticas e a competição com outras culturas agrícolas.
"Quais são as próximas gerações de produtores? Os produtores, na maioria dos países, já têm 40, 45, 50 anos. Em dez anos, pode ser que não queiram continuar no setor agrícola. E de onde virá o café? Por outro lado há concorrência em alguns países com outros produtos por utilização da terra, e mudanças climáticas", disse Orlando Garcia, diretor da Nestlé AS/ Nestec.
Ele lembra que em geral o consumo global do produto está aumentando, mas em diferentes velocidades, a depender da região. Nos países emergentes, por exemplo, a velocidade desse incremento é muito maior que nos desenvolvidos.
De acordo com John Wolthers, gerente de vendas da exportadora Comexim Santos, hoje a produção e o consumo mundial giram em torno de 144 milhões e 133 milhões de sacas, respectivamente. "[A diferença] está afinando. Brasil e Vietnã são os únicos países em que a produção avança e que têm potencial de crescimento. O mundo depende hoje muito do Brasil para o arábica e do Vietnã para o robusta".
As informações são do Valor Econômico, adaptadas pelo CaféPoint
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Como acredito que isso não mudará e talvez possa até ficar pior, acho muito arriscado acreditar na cafeicultura sem o incremento da mecanização, principalmente da colheita (com exceção dos cafés especiais, de alta qualidade produzidos em locais de altitude elevada).
No curto prazo a seca recuperou os preços, mas cuidado: quem nadar contra a correnteza pode morrer afogado.

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