Segundo a entidade, os motivos foram os constantes atrasos e as alterações de escala de navios para exportação, além das frequentes rolagens de cargas. Com os entraves logísticos, os exportadores tiveram custos extras com armazenagens adicionais, detentions, pré-stacking e antecipação de gates.
Levando em consideração um preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 304,25 por saca (café verde) e a média de R$ 6,0964 do dólar em dezembro, o não embarque desses cafés significa que o Brasil deixou de receber, nos 12 meses do ano passado, US$ 555,62 milhões (ou R$ 3,387 bilhões) como receita cambial.
Para Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, os gargalos logísticos também trazem prejuízos aos produtores brasileiros, a maioria deles da agricultura familiar. “O Brasil é o país que mais transfere o preço FOB da exportação a seus cafeicultores, e o não embarque do produto, por limitações de infraestrutura portuárias, reduz o repasse de capital a eles”, explica.
Ele comenta, ainda, que o Cecafé vem dialogando, ao lado de outras entidades do comércio exterior, com autoridades públicas para buscar soluções que reduzam os riscos, minimizem os prejuízos aos exportadores e possibilitem uma rápida melhoria na estrutura dos portos.