Segundo levantamento do consultor Marco Antônio Jacob, que também é produtor em Espírito Santo do Pinhal (SP), os estoques de passagem do café brasileiro na safra 2013/2014 estão em 2.876.198 sacas de 60 quilos. O estudo do consultor utilizou os dados de estoques em 31 de março deste ano, divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e subtraiu desse valor o consumo interno e a exportação durante os meses de abril a junho de 2014.
O chamado carryover (estoque de passagem) da safra 2013/2014, foi obtido com os valores da exportação divulgados pelo Conselho dos Exportadores de café do Brasil (CeCafé) ao longo dos três meses citados. Já os números sobre consumo interno, Marco encontrou fazendo a média para cada mês, com o valor anual divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), de 20,08 milhões de sacas consumidas anualmente no País, o que resultou em 1,6 milhões de sacas sendo consumidas por mês.
A questão dos estoques de passagem já havia sido levantada pelo Escritório Carvalhaes, de Santos (SP). Na análise do dia 11 de julho, a empresa afirma que “Nosso estoque de passagem (estoques remanescentes no final de junho último) deve ser o menor das últimas décadas. Somando as 34 milhões de sacas exportadas com as 20 milhões utilizadas no consumo interno, foram necessárias impressionantes 54 milhões de sacas para atender nossas necessidades de exportação e consumo interno no ano-safra 2013/2014”.
Exportações
As exportações do ano-safra 2013/2014, segundo a CeCafé foram de cerca de 33,9 milhões de sacas de café. Se o número for mantido para a safra 2014/2015, o temor do consultor é que a produção do País não acompanhe o ritmo das exportações.
Voltando aos cálculos, Marco afirma que o total em estoque, somado ao que deve ser produzido ao fim da colheita de 2014, não alcançará o mesmo desempenho do ano anterior. Tendo como base a última estimava da Conab, de que na safra 2014/2015 serão produzidas 44,6 milhões de sacas de 60 quilos, Marco soma a esse montante as 2,8 milhões sacas de 60 quilos que devem estar em estoque da safra 2013/2014. Feito isso, ele subtrai o que devemos consumir, se mantivermos a média de 20,08 milhões de sacas que consumimos em 2013, divulgada pela Abic. O resultado é que, em 12 meses, restarão cerca de 27 milhões de sacas em estoques para exportação.
“Ou diminui exportação ou consumo”, comenta Marco, que explica porque acredita que a exportação sairá mais afetada do que o consumo interno. “Nós vamos ter mais grãos chochos e mal granados. Esse tipo de oferta é maior para o mercado interno”, completa.
Na última semana, o Conselho Nacional do Café (CNC), divulgou em seu Balanço, informações sobre relatório da FCStone, reafirmando o comprometimento da produção brasileira de café nas temporadas 2014/2015 e 2015/2016 pelo veranico do início do ano, que estima quebra da atual safra de até 25%.
No informativo, o presidente Silas Brasileiro explica que “embora o País disponha de café em níveis suficientes para honrar seus compromissos internacionais, as menores quantidades a serem colhidas resultarão na convergência entre as curvas de oferta e demanda mundiais, o que estimula a recuperação dos preços”.
Sobre o assunto, ele afirma, ainda, que “com a evolução dos trabalhos de colheita pelo Brasil, temos recebido informações que preocupam a respeito do rendimento da safra atual de café. Em vista disso, o CNC fez contato com a Fundação Procafé para que realize um trabalho de pesquisa, no campo, para verificar qual é a quebra que vem sendo registrada devido aos efeitos do veranico na formação dos grãos, que estão visivelmente mais leves e chochos que o normal”.
