O leitor do CaféPoint, Roberto Ticoulat, exportador de café de São Paulo/SP, enviou um comentário ao artigo "Crise na cafeicultura: será o Estado um bom remédio?", dando sua opinião acerca da participação do Estado brasileiro nas questões da cafeicultura nacional. Leia:
"Com certeza temos de ter a participação ativa do Estado, mas de forma a resolver problemas e não de contemporizá-los com a postergação de pagamentos de dívidas. O setor passa por um dilema de produção, onde aqueles que não conseguirem mecanizar as suas lavouras não serão competitivos com aqueles que possuem fazendas totalmente mecanizadas e pelo velho dilema de agregar mais valor ao produto vendido.
Nossas produções continuam crescentes, com um volume superior à demanda e isto acaba gerando deságios ainda maiores nos nossos preços para reconquistarmos fatias de mercado perdidas no passado. Nossos custos são maiores devido ao aumento de renda no campo, apesar que os aumentos de renda acabam gerando aumento de consumo, portanto, ambos positivos para nossa economia.
Não podemos deixar de elogiar a preocupação do governo em gerar renda, através da melhoria do preço mínimo, ainda insuficiente mas melhor que antes, e dos leilões de opções. Porém, temos de analisar quem poderá ser competitivo e procurar formas de saída para aqueles produtores que não terão condições de permanecer no negócio.
Ao invés de sairmos conquistando o mundo com nossos produtos acabados, por um problema de gestão, acabamos sendo invadidos por grupos estrangeiros, devido a nossa falta de competitividade e continuamos passivos como exportadores de matéria-prima, sem agregar muito valor à cadeia.
A questão da situação do café se tornou sim uma questão de Estado, pois este pouco tem promovido nosso produto de forma compatível com o tamanho da nossa cadeia. O Estado Brasileiro precisa ser sensibilizado das fortes barreiras a nossos produtos, haja vista a taxação ao produto acabado brasileiro na ECC de 9%, ao mesmo imposto na Turquia que sequer faz parte da ECC, aos 30% de taxas que a Rússia impõe ao produto brasileiro e agora ao acordo que o Japão fez com a Comunidade Asiática de zerar o imposto de importação de 8% sobre o produto industrializado.
Temos sim de concentrar todos os esforços para passarmos a exportar produtos com a marca Brasil para mostrar ao mundo a qualidade do café brasileiro. Os exemplos de nossos países competidores estão aí para comprovar que apesar do Brasil ter conseguido aumentar muito a sua produção, não conseguimos ter uma cadeia forte de forma a conquistar o resto do mundo, com lojas, marcas e uma indústria forte.
Para isso necessitamos sim de um Estado participativo, inovador, com politica cambial compatível, com estrutura de impostos competitiva, agressivo em marketing, com politicas reguladoras de estoques devido a nossas produções bienuais e, principalmente, ativo na remoção de barreiras ao nosso produto, da mesma forma como foi feito com a carne e com o álcool."
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Estado deve agir para remoção de barreiras comerciais
Com certeza temos de ter a participação ativa do Estado, mas de forma a resolver problemas e não de contemporizá-los com a postergação de pagamentos de dívidas. Necessitamos de um Estado participativo, inovador, com politica cambial compatível, com estrutura de impostos competitiva, agressivo em marketing, com politicas reguladoras de estoques e, principalmente, ativo na remoção de barreiras ao nosso produto.
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