Entrevista - Café: a Bahia não pode ficar isolada

Confira entrevista concedida por Silvio Leite, especialista em classificação, degustação e controle de qualidade de café e sócio-fundador da Agricafé, ao jornal A Tarde, durante o 15º Agrocafé - Simpósio Nacional do Agronegócio Café.

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Confira entrevista concedida por Silvio Leite, especialista em classificação, degustação e controle de qualidade de café e sócio-fundador da Agricafé, ao jornal A Tarde, durante o 15º Agrocafé – Simpósio Nacional do Agronegócio Café.

A Tarde – O café tem subido há mais de um mês, acumulando alta de 72%. Que dica você dá ao produtor para aproveitar essa oportunidade?

Silvio Leite – Desde 20 de janeiro, em decorrência de uma seca que acontece em Minas, há uma alta substancial no mercado. O produtor estava vendendo café de R$ 250 a R$ 300, entre os cafés mais baixos e os melhores. O próprio custo (médio) de produção (na Bahia) já é de R$ 250, R$ 260, então o cara tava na linha d'água, perdendo, na maioria dos lotes, na venda. Porque os melhores valem R$ 300, mas é uma pequena quantidade, a maioria vale R$ 250 ou um pouco menos. Quando ocorreu essa seca, rapidamente detectou-se que vai haver falta no mercado porque o preço subiu. "O que eu faço? Eu não tenho café ou tenho um pouco". Se tem, realize. "Ah, mas pode subir mais". Se você tem café, venda uma parte. Isso ajuda muito a dar sustentação ao negócio. Porque, se você garante um ganho, você garante para o futuro. Mas se você diz que não tem café, que ainda vai colher, hoje tem empresa que compra no mercado futuro, ela não te adianta, mas garante. Indico ao produtor que garanta os seus negócios, porque depois ele pode dizer: "hum, eu não aproveitei e agora voltou a R$ 250".

A Tarde – Você falou em uma palestra sobre o crescimento do mercado de robusta. Por que essa valorização?

Silvio Leite – Os robustas são mais resistentes e produtivos (que os arábica). Mesmo com adversidade, ele produz muito, num custo de produção mais baixo. O grande problema do robusta tem sido mão de obra na colheita. ainda estão sendo desenvolvidas tecnologias para colher. A gente viu, em um cenário de dez anos, que o robusta tem garantido maior rentabilidade para o produtor. O custo (direto) de produção do arábica (na Bahia) está em torno de R$ 250. O robusta tem um custo 30%, 40% menor, mas também o preço 30%, 40% menor. Sendo mais rústico, ele demanda menos, deixa um melhor resultado e produz mais por hectare; ele está mais interessante em produção. Falando em Bahia, vejo cenários importantes. A área da Chapada, que tem uma alta qualidade; o oeste, região de cerrado, que dá um sabor definido; e, depois, temos o sul da Bahia com o robusta.

A Tarde – O presidente da Assocafé, João Lopes Araújo, disse que o crescimento do robusta é uma oportunidade para a Bahia, já que o maior produtor nacional, o Espírito Santo, não tem muita área para expandir e os produtores poderão vir pra cá.

Silvio Leite – Exato. O Vietnã cresceu muito em volume de robusta. Nós ainda temos demanda porque temos espaço para exportação e também na nossa mistura.

A Tarde – Como isso vai impactar para o produtor de arábica, já que esse café é 75% da produção nacional?

Silvio Leite – Boa pergunta. Por quê? A produção de arábica, em montanha, está ficando muito cara. Na montanha não dá para mecanizar e mão de obra não tem. Essas áreas devem ser ocupadas por outras culturas. Então, o que vai acontecer? Os arábicas vão para terrenos mais planos, consequentemente com mais área de crescimento. O oeste da Bahia tem muito espaço crescimento. E, para o robusta, você tem área do lado de cá ainda. Quando faz a triangulação, existe a capacidade de ter as duas coisas (arábica e robusta) a preços competitivos.

A Tarde – Você falou, durante a palestra, que é importante investir na certificação. Por quê?

Silvio Leite – No mercado mundial, as empresas que mostrei correspondem a 75% do mercado de compra e elas estão buscando algum tipo de certificação.

As informações são do jornal A Tarde
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