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Em meio a recorde de exportações no ano de 2020, Nelson Carvalhaes deixa a presidência do Cecafé

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 18/01/2021

6 MIN DE LEITURA

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Na tarde desta segunda-feira (18), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) realizou uma coletiva de imprensa on-line para divulgar os dados da exportação de dezembro e uma reflexão sobre o ano de 2020.

O presidente do Conselho, Nelson Carvalhaes, deu início as apresentações e reforçou que mesmo em um ano difícil e triste como foi 2020, os resultados para o agronegócio foram bem positivos e a exportação seguirá firme.

“Ciente de que toda esta cadeia envolve o trabalho de milhões de pessoas o Cecafé, como legítimo representante do segmento de exportação, não poupou esforços em se empenhar com iniciativas e medidas de segurança no intuito de preservar a saúde de todos os envolvidos no processo exportador, seguindo rigorosamente as orientações da OMS, governos federal, estaduais e municipais desde o início da pandemia.  A sustentabilidade aliada ao “S” de Saúde é um forte pilar do nosso café e é por isso que nos empenhamos para que o produto chegue a mais de 130 países com a maior segurança e respeito. Os resultados referentes ao mês de dezembro e ao ano de 2020 mostram mais uma vez que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas com a pandemia, a cadeia do agronegócio café manteve um excelente desempenho”, explica Nelson.


Nelson Carvalhaes, ex-presidente do Cecafé

Em relação ao consumo, ele acredita que o doméstico seguirá firme e forte, mas o sistema horeca, que inclui os hotéis, cafeterias e padarias, ficará prejudicado, ainda mais com o lockdown na Europa, Japão e Asia, e até EUA até conseguir equilibrar a situação difícil como a do Brasil.

“O Brasil tem fortes desafios não somente com o problema da Covid-19, que iremos conviver por um longo período, mas como liderança no consumo global, exportação e produção e consumo interno, temos uma responsabilidade muito grande e grandes desafios nos investimentos. Se pararmos para calcular em nove anos o País precisará produzir bastante para ter grãos para exportar e para o consumo interno, por isso, a necessidade de investir, de colocar mais dinheiro em pesquisa, recursos, na produção, no comércio exportador e tecnologia. É de suma importância essa forte comunicação, e tudo isso mostrando como nosso café é bom e sustentável”, completa Nelson.

Ele afirmou que este era o último relatório como presidente após cinco anos e meio. “Pelos princípios democráticos encerro minha participação no conselho, volto como conselheiro. Foram anos muito importantes, de muito aprendizado e de um produto apaixonante que é o café. A toda equipe do Cecafé meu agradecimento, onde aprendi muito e com satisfação termino a minha gestão em um ano tão desafiador, importante e com alegria no sucesso das exportações. Aproveito para registrar que Nicolas Rueda Latiff, da Ed&F Man Volcafé, assume a presidência da entidade e Günter Häusler, da Neumann Kaffee Gruppe a vice-presidência. Gostaria ainda de agradecer o suporte da imprensa que durante todos esses anos se empenhou em divulgar o trabalho e resultados do setor de exportação com clareza e precisão”, finaliza.

Nicolas, por sua vez, comentou como é impressionante o crescimento do Brasil na exportação e no consumo. “Vamos seguir firme com o time para mantermos bons números, visto que esta safra é de baixa, teremos que lidar com isso. Parabéns Nelson pelo trabalho ao longo desses anos”, completa.


Novo presidente do Cecafé, Nicolas Rueda Latiff, da Ed&F Man Volcafé

Exportações dos grãos brasileiros

O relatório do Cecafé aponta que, em 2020, o Brasil exportou 44,5 milhões de sacas de café, considerando a soma de café verde, solúvel e torrado & moído. O dado confere ao País mais um novo recorde histórico das exportações do produto para o ano e representa um crescimento de 9,4% em relação ao volume total exportado em 2019.

“O Brasil atende todas as demandas de café dos diversos mercados, desde os que buscam por qualidade alta, até mediana, como rio e rio zona, que são muito apreciados pelo mercado árabe”, explica o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos. Nelson Carvalhaes completa que a cada três xícaras consumidas no mundo, mais de uma é de grão brasileiro.

A receita cambial com as exportações no ano passado alcançou US$ 5,6 bilhões, alta de 10,3% em relação a 2019 e equivalente a R$ 29 bilhões, representando aumento de 44,1% na conversão em reais, alcançando a participação de 5,6% nas exportações do agronegócio e de 2,7% nos embarques totais do país. Já o preço médio da saca no ano foi de US$ 126,52.

Do volume total embarcado em 2020, 40,4 milhões de sacas foram de café verde, aumento de 10,2% comparado a 2019. Os cafés verdes são compostos pelos cafés arábica, cujas exportações totalizaram 35,5 milhões de sacas, alta de 8,4% ante 2019, e recorde histórico para essa variedade, e pelos cafés canéfora (robusta e conilon), com 4,9 milhões de sacas exportadas, crescimento de 24,3% e maior volume embarcado na história.

Já as exportações de cafés industrializados foram de 4,1 milhões de sacas, apresentando aumento de 2,3% no período e com destaque para os embarques de café solúvel dentro da modalidade, que foram de 4,1 milhões de sacas, alta de 2,4% e embarques recorde do produto industrializado. Com relação às variedades exportadas, 79,7% foram de café arábica, 11,1% de robusta e 9,2% de solúvel.

Desempenho em dezembro

No último mês de 2020, o Brasil exportou 4,3 milhões de sacas de café para o mundo, um aumento de 38,6% em relação a dezembro de 2019. A receita cambial gerada no período foi de US$ 541 milhões, crescimento de 37,1% e equivalente a R$ 2,8 bilhões, representando alta de 71,7% na conversão em reais. Já o preço médio da saca de café no mês foi de US$ 126,92.

As exportações de cafés verdes somaram 3,9 milhões de sacas (aumento de 41,8% ante dezembro de 2019) sendo 3,5 milhões de sacas de café arábica (crescimento de 46,3%) e 381 mil de canéfora (robusta) - (alta de 10,1%). Os cafés industrializados corresponderam a 353,1 mil sacas embarcadas (registrando aumento de 11,3%), sendo 352 mil sacas de café solúvel (crescimento de 11,5%) e 1,4 mil de torrado & moído.

Julho a dezembro de 2020

Nos seis primeiros meses do Ano-Safra 2020/21, foram exportados 24,5 milhões de sacas de café, um crescimento de 21% em relação a mesma base do ciclo anterior (2019/2020). A receita cambial gerada no período foi de US$ 3 bilhões, crescimento de 18,9% e equivalente a R$ 16,3 bilhões que, na conversão em reais, representa alta de 58,4%. O preço médio da saca no período foi de US$ 123,16.

As exportações de café verde somaram 22,5 milhões de sacas (aumento de 23% em relação à safra passada), sendo 19,7 milhões de sacas de café arábica (crescimento de 23,5%) e 2,8 milhões de canéfora (robusta) - (alta de 20,1%). Os cafés industrializados corresponderam a 2,1 milhões de sacas embarcadas (registrando aumento de 2,7%), sendo 2,1 milhões sacas de café solúvel (crescimento de 2,8%) e 10,3 mil de torrado & moído.

Cafés especiais

No ano civil de 2020, as exportações de cafés especiais (com qualidade superior ou algum tipo de certificado de práticas sustentáveis) corresponderam a 7,9 milhões de sacas, representando o maior volume dos últimos cinco anos para o ano e 17,7% do total de café embarcado em 2020, assim como avanço de 4,4% em relação ao volume de cafés diferenciados exportado no ano civil de 2019. A receita cambial dessa modalidade foi de US$ 1,3 bilhão, correspondendo a 22,9 % do total gerado com os valores da exportação de café. O preço médio dos cafés diferenciados ficou em US$ 163,60.

Os 10 maiores países importadores de cafés especiais representam 78,9% dos embarques com diferenciação. Os Estados Unidos são o país que mais recebe cafés diferenciados do Brasil, com 1,7 milhão de sacas exportadas, equivalente a 21,7% das exportações da modalidade. A Alemanha ficou em segundo lugar, com 1,1 milhão de sacas exportadas (14,7%), seguida pela Bélgica, com 975,6 mil (12,4%); Japão, com 668,4 mil (8,5%); Itália, com 564,5 mil (7,2%); Reino Unido, com 259 mil (3,3%); Canadá, com 243 mil (3,1%); Espanha, com 239 mil (3%); Suécia, com 219,5 mil (2,8%); e Países Baixos, com 181 mil (2,3%).

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