Foto: Marcelo André
A região, que engloba 55 municípios, é composta pelo Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas. Segundo o Boletim de Março da Fundação Procafé, essas áreas tiveram melhor regime de chuvas, em janeiro e fevereiro, em relação a outras áreas do Estado. Outro fato ressaltado pelo Boletim, é que a região conta com muitas lavouras irrigadas. Ainda assim, houve a perda média percentual estimada de 10 pontos - 630 mil sacas -, com a ocorrência sendo mais observada nas áreas de sequeiro e nas sub-regiões mais quentes.
O produtor Tomás Eliodoro, do município de Tapira – Triângulo Mineiro –, fez um levantamento em sua Fazenda, a São Francisco. “Aqui também choveu pouco. Em torno de 80 mm em janeiro e 55/60 mm em fevereiro". Segundo Tomás, as perdas em sua lavoura devem ser de 4 a 5%, com grãos chochos ou mal granados, contra 30% de perda na região do Sul e Oeste de Minas, apontamento do Boletim da Procafé de março.
A diminuição no tamanho dos grãos vem das dificuldades com a adubação. “Não pudemos fazer a adubação de sempre por causa das chuvas, por isso o desenvolvimento das plantas foi comprometido”. Tomás também estima que a colheita, geralmente feita em julho, seja adiantada para o final de maio. Apesar disso, a expectativa é que para 2014 sua produção não seja muito afetada. “Nesta safra acredito que ainda não vamos sentir tanto. A minha impressão é que teremos comprometimento maior em 2015”.
A recém-chegada Denominação de Origem também trouxe boas perspectivas. “Para os cafés especiais nossa altitude é muito boa. Até agora, ganhamos concursos de qualidade e vendemos a apenas R$ 290 a saca. Com a denominação de origem a expectativa é de melhoria. Esperamos sentir essa melhora na qualidade, também no nosso bolso”, confia Tomás.
Já no município de Patrocínio, o clima é de incerteza para o produtor Ruvaldo Delarisse. “Ainda não temos uma visão completa. Que vai ter perda vai, mas ainda não conseguimos dimensionar”. O cafeicultor é contra a generalização das previsões. “Isso varia. Dentro da própria Região do Cerrado não dá pra dizer com certeza, porque tem várias situações dentro de um só município”, explica.
Apesar de não possuir irrigação em sua propriedade, Ruvaldo é a favor da introdução de novas tecnologias nas lavouras. “Minha propriedade não tem irrigação, porque nossa região não sofre tanto com a seca, esse ano foi uma exceção. Mas aqui tem muita tecnologia, a gente está usando pouca mão de obra. Todo mundo investe nisso porque nós procuramos dar qualidade ao nosso produto”, afirma.
Para o agricultor, a Denominação de Origem tem sua principal consequência na valorização dos produtos. “É importante mostrar como a região produz, para levar o nome do Cerrado e dar certeza que o produto oriundo daqui tem qualidade. E para nós, produtores, para comprovar que o café é mesmo daqui. Aos poucos vamos valorizando nossa região e produtos”, conclui.
Celebração Internacional
O lançamento Internacional da Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro ocorrerá na maior Feira de Cafés Especiais do mundo, a SCAA Event. Entre os próximos dias 24 a 27, a 26º Exposição Anual da Associação Americana de Cafés Especiais – SCAA, em Seattle (WA), nos Estados Unidos, recebe as ações da conquista. Vale lembrar que esta é a primeira região produtora de café a ser definida no Brasil.