O consumo de café tem potencial de aumentar na África Subsaariana, desencadeando a renovação da indústria local de café, que está estagnada, de acordo com o Ecobank. Com o consumo de café nessa região bem aquém dos outros mercados em desenvolvimento, mesmo na Etiópia, de onde se originou o café arábica, o Ecobank vê a falta do mercado doméstico como um importante problema para a indústria.
Porém, o banco com sede em Togo disse que o consumo de café na África Subsaariana deverá aumentar, à medida que as cadeias locais se proliferam e a gigante do setor de cafeterias, Starbucks, entra na região, oferecendo oportunidades para “revitalizar” a indústria.
A África Subsaariana gera cerca de 12% da produção mundial de café, com Etiópia, Uganda e Costa do Marfim sendo responsável por três quartos dessa produção. O Ecobank notou que a região é notável para a produção de alguns grãos de qualidade muito altas, incluindo arábicas de alto valor da Etiópia e Quênia.
Porém, o Ecobank disse que uma série de fatores estão limitando a indústria regional de café, incluindo “cadeias de valor agrícolas fracas e ineficientes, altos custos de produção e falta de um mercado doméstico para o produto final”.
A produção de café em Uganda está limitada pela susceptibilidade a doenças, enquanto o Quênia tem uma “cadeia de comercialização interna errática”, disse o Ecobank.
Apesar da indústria doméstica estabelecida, a África Subsaariana tem um consumo muito baixo de café. “Como uma cultura comercial histórica, o café vem sendo produzido para exportação enquanto muitos produtores africanos, notavelmente no Quênia e na Uganda, têm culturas predominantemente consumidoras de chá”.
A Etiópia tem o maior mercado de café, com 2,27 quilos de café consumidos por pessoa/ano, enquanto os consumidores de Madagascar consomem 1 quilo por cabeça, e na Costa do Marfim, o consumo foi de 0,9 quilo por pessoa.
Isso é bem abaixo do consumo em vários outros mercados emergentes, como Brasil e Argélia, enquanto a demanda na União Europeia (UE) alcançou o equivalente a quase 9 quilos por cabeça.
Porém, o Ecobank disse que o aumento crescente das rendas da classe média deixam “muito espaço para crescimento”, à medida que os gastos dos consumidores aumentam.
As redes locais de cafeterias estão aumentando em Etiópia, Quênia e Nigéria, enquanto a gigante americana, Starbucks, está planejando entrar na região no próximo ano, com lojas na África do Sul. A Starbucks também planeja expandir-se no mercado subsaariano, criando forte competição para várias cadeias locais de café, como a Art Caffee, do Quênia (parcialmente pertencente à torrefadora local, Dorman’s) e Java House.
O Ecobank disse que os produtores de café no leste da África não estão em posição de aumentar a produção agora, devido a questões de infraestrutura e à prevalência de doenças – significando que o aumento do consumo doméstico provavelmente pressionará a oferta de grãos e prejudicará as exportações.
Porém, a demanda doméstica deverá fornecer oportunidades para os produtores subsaarianos para desenvolver a indústria doméstica. “O crescimento do consumo doméstico de café e dos varejistas locais poderá fornecer um impulso para revitalizar o setor de café da África e resolver seus problemas perenes. A chave para capturar todo o valor do café africano será construir robustas cadeias de valor para garantir que os grãos fluam sem problemas dos produtores aos comerciantes e torrefadores africanos e daí para os consumidores africanos”.
A reportagem é do Agrimoney / Tradução por Juliana Santin
Consumo doméstico de café pode impulsionar indústria de café africana
De acordo com o Ecobank, consumo tem potencial de desencadear renovação da indústria local de café, que está estagnada.
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