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Como as mudanças climáticas afetarão a produção de café na Colômbia

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 08/04/2021

4 MIN DE LEITURA

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Assim como para a produção agrícola em qualquer parte do mundo, as mudanças climáticas também representam um desafio para a produção de café na Colômbia. No entanto, um novo estudo da Universidade de Illinois mostra que os efeitos variam amplamente, dependendo de onde os grãos de café crescem.

“A Colômbia é um grande país com uma geografia muito distinta. A Cordilheira dos Andes atravessa o território de sudoeste a nordeste. O café colombiano está crescendo atualmente em áreas com diferentes níveis de altitude e os impactos climáticos provavelmente serão muito diferentes para regiões de baixa e alta altitude”, disse Sandy Dall'Erba, professora e diretora do Departamento de Economia Agrícola e do Consumidor (ACE), do Laboratório de Aplicações de Economia Regional (REAL) da Universidade de Illinois. Dall’Erba é co-autora do estudo, publicado na Agricultural Systems.

Outras pesquisas sobre o futuro da produção de café consideraram o país como um todo ou se concentraram em algumas áreas dentro do país. Dall’Erba e o autor principal, Federico Ceballos-Sierra, que recentemente obteve um PhD da ACE, analisam o clima e a produção de café em todo o país, dividido em 521 municípios. Este alto nível de informações detalhadas permite que eles identifiquem variações regionais significativas.

“A Colômbia não terá uma produtividade reduzida em geral. Mas quando olhamos para o impacto entre os municípios, vemos muitas diferenças que se perdem na média nacional. Isso tem implicações importantes para os cafeicultores que vivem em um município em relação a outro”, explicou Federico Ceballos-Sierra.

Federico comenta, ainda, que os municípios de baixa altitude serão afetados negativamente pela mudança climática e milhares de produtores e suas famílias nessas áreas verão seu sustento prejudicado porque a produtividade provavelmente cairá abaixo de seu ponto de equilíbrio.

Os pesquisadores analisaram dados climáticos de 2007 a 2013 em 521 municípios produtores de café da Colômbia e avaliaram como a temperatura e a precipitação afetam a produtividade do café. Posteriormente, eles modelam as condições climáticas previstas de 2042 a 2061 e a produção futura de café para cada município.

Em nível nacional, eles estimam que a produtividade aumentará 7,6% até 2061. Mas essa previsão cobre uma ampla margem de diferenças espaciais, variando de um aumento de 16% em regiões de grande altitude (1.500 metros ou 5.000 pés acima do nível do mar) a 8,1% diminuir em regiões de baixa altitude. O aumento das temperaturas beneficiará áreas que agora são marginais para a produção de café, enquanto áreas que atualmente são locais de cultivo de café nobres ficarão muito quentes e secas no futuro.

Ceballos-Sierra cresceu em uma fazenda de café no distrito de Tolima, na Colômbia, e viu em primeira mão como as mudanças nas condições climáticas afetam a produção. “A fazenda da minha família fica a cerca de 1.900 metros acima do nível do mar. Vinte anos atrás, as pessoas considerariam isso uma área de cultivo de café na margem superior. Mas agora estamos obtendo melhorias significativas no rendimento”, explica.

Enquanto isso, os cafeicultores das áreas de várzea veem a produtividade diminuindo, enquanto as pragas que atacam as plantas, como a broca-do-café, estão se tornando mais agressivas e prevalentes.

Os resultados da pesquisa têm implicações importantes tanto para os cafeicultores quanto para os formuladores de políticas. “No futuro, será mais benéfico cultivar café no alto das montanhas. Portanto, para quem pode pagar, comprar terras nessas áreas seria um bom investimento”, afirma Dall’Erba. “O governo pode querer considerar a construção de infraestruturas como estradas, sistemas de água, eletricidade e torres de comunicação que permitiriam aos agricultores em lugares mais elevados acessar facilmente centros e cidades próximas onde eles podem vender suas colheitas. Esperaríamos mais assentamentos e uma necessidade crescente de serviços públicos nesses locais”, completa.

No entanto, como a realocação é cara, não será necessariamente uma opção para a maioria dos 550 mil pequenos cafeicultores da Colômbia, que precisarão encontrar outras maneiras de se adaptar. Os agricultores podem implementar novas estratégias, como irrigação mais frequente, maior uso de sombra na floresta ou mudança para diferentes variedades de café ou outras safras.

“Nossa pesquisa apresenta o que prevemos que acontecerá daqui a 20 ou 40 anos, dadas as condições e práticas atuais. Estudos futuros podem examinar diferentes estratégias de adaptação e seus custos, e avaliar quais opções são melhores. Além do horizonte de 40 anos em que nos concentramos, as perspectivas podem ser mais sombrias sem adaptação. A produção não pode continuar avançando para níveis mais altos. Na verdade, nenhum topo de montanha está acima de 5.800 metros (18 mil pés) na Colômbia”, diz Dall’Erba.

Os legisladores da Colômbia também podem se concentrar em apoiar os agricultores que não serão mais capazes de viver do cultivo de café, para que possam fazer a transição para outra coisa, afirma Ceballos-Sierra.

“Analisar essas estimativas regionais nos permite fazer previsões e fornecer sugestões de políticas. Estratégias específicas e adaptadas ao local devem orientar como a produção de café se adapta às futuras condições climáticas na Colômbia”, conclui.

Os pesquisadores dizem que suas descobertas também podem se aplicar a outros locais de cultivo de café, incluindo Havaí, Califórnia e Porto Rico, nos Estados Unidos.

As informações são do Global Coffee Report / Tradução Juliana Santin

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