Apesar de a recuperação dos preços internacionais do café e a maior produção estarem impulsionando de novo a agroindústria cafeeira na Colômbia, ainda é cedo para falar em prosperidade. Dessa maneira define o gerente da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, Luis Genaro Muñoz, o que está ocorrendo nesse setor, que seguirá atado à volatilidade dos preços e ao comportamento climático. Tanto que o dólar baixou e o preço caiu de US$ 2,05 para US$ 1,76 por libra, gerando novas incertezas.
Apesar de tais fatores agridoces, uma das notícias positivas é que a Colômbia recuperou o terceiro lugar como maior produtor de café do mundo, substituindo a Indonésia. O primeiro segue sendo o Brasil e o segundo, o Vietnã.
2014 será um ano de verdadeira recuperação cafeeira, considerando que os preços atravessam um momento melhor ou se trata de uma conjuntura passageira?
Muñoz: A essa altura podemos dizer que seguimos vendo 2014 com otimismo moderado no que se refere à produção e preços. Na produção, como em todo trabalho agrícola, dependemos do clima. No entanto, cremos que a colheita do primeiro semestre será, sem dúvida, superior à do ano passado. Em preços não vemos bonanças, mas vemos preços médios superiores aos de 2013, isso sim com muita volatilidade ao longo do ano.
Nessa semana, a cotação internacional do grão em Nova York voltou a cair e ficou em US$ 1,76 por libra. Não é um novo susto para o setor que tinha grandes esperanças na recuperação dos preços?
Muñoz: O mercado de café é volátil e, com as incertezas das colheitas do Brasil pelos problemas da seca e da América Central pelos problemas da ferrugem e umidade, esperamos que se mantenha volátil. A Federação colocou à disposição dos produtores instrumentos como os Contratos de Proteção de Preço para aproveitar essa volatilidade a seu favor. Em todo caso, é importante estar consciente de que o ano de 2014, em matéria de preços, será muito melhor que o de 2013.
Se o panorama segue sendo positivo, com que produção e exportações podem responder a Colômbia ao mercado internacional?
Muñoz: Nossa estimativa atual de colheita em 2014 supera os 11,3 milhões de sacas. Creio que, se o clima se comportar bem, chegaremos facilmente a esse valor. O valor das exportações depende da colheita, considerando que o grão colombiano é altamente demandado a nível internacional.
Poderia se dizer que é o fim da crise dos últimos quatro anos que afetou 500.000 famílias que dependem do cultivo de café?
Muñoz: O setor agrícola e cafeeiro tem grandes desafios pela frente. No caso do café, avançamos muito, renovamos mais de 2,8 bilhões de cafezais, convertemos plantações com variedades resistentes à ferrugem e aumentando em mais de 27% a produtividade média. Com melhores preços, muitos cafeicultores vão estar em melhores condições. Porém, isso não quer dizer que deixamos de trabalhar por uma maior competividade, valor agregado e diferenciação. O desafio continua.
Uma eventual bonança está longe ou é apenas um sonho?
Muñoz: É prematuro falar de bonanças. Temos que falar de competitividade, de aproveitar novas oportunidades e novos mercados, de nos consolidar como a origem de qualidade preferida no mundo.
Você sempre afirmou que a produção se recuperaria, tanto que muitos de seus contraditores o criticaram. O que responde a esses céticos que, pelo pessimismo, acabaram fazendo uma greve?
Muñoz: O mandato que a Federação recebeu dos cafeicultores era o de adaptar a cafeicultura à variabilidade climática, renovando e reconvertendo as plantações. Hoje em dia, mais de 60% da área cafeeira na Colômbia é jovem e resistente à ferrugem. Sabíamos que tínhamos que retroceder para poder avançar e que tínhamos que ser persistentes e consequentes. Felizmente, os dados estão dando razão a nós.
O quão forte segue sendo a agroindústria cafeeira colombiana hoje, considerando que países como Indonésia e Vietnã nos roubaram o segundo lugar na produção mundial?
Muñoz: A Colômbia já ultrapassou a Indonésia novamente em termos de produção. Somos o terceiro maior produtor do mundo e o primeiro em café arábica suave lavado. Temos nos consolidado como o primeiro produtor de qualidade no mundo, competindo no segmento de café de maior valor. Não tem sentido para nós, cafeicultores, competir no nicho de cafés baratos. É no segmento de cafés finos onde somos fortes e assim reflete o interesse de clientes de todo o mundo por nossos cafés de Denominação de Origem e de alta gama. Novamente, trata-se de uma estratégia que tem consistência e persistência.
Qual você acha que segue sendo a maior ameaça ou problema do qual não se tem podido livrar o setor?
Muñoz: Seguimos sendo vulneráveis aos preços, aos custos de transporte interno, à infraestrutura deficiente, aos desafios que todos do setor rural colombiano enfrentam. Por isso, temos solicitado no marco do Pacto Nacional Agropecuário diferentes estratégias para enfrentar essas dificuldades.
A reportagem é do http://www.elpais.com.co, adaptada pelo CaféPoint
Colômbia: outra vez terceiro produtor mundial de café
Apesar de a recuperação dos preços internacionais do café e a maior produção estarem impulsionando de novo a agroindústria cafeeira na Colômbia, ainda é cedo para falar em prosperidade. Dessa maneira define o gerente da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia, Luis Genaro Muñoz, o que está ocorrendo nesse setor, que seguirá atado à volatilidade dos preços e ao comportamento climático. Tanto que o dólar baixou e o preço caiu de US$ 2,05 para US$ 1,76 por libra, gerando novas incertezas.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!