A colheita dos grãos de robusta da safra 2014/15 avançou bem ao longo de maio. Nas lavouras capixabas, as atividades de campo foram iniciadas em abril e estiveram no pico em maio, com ritmo bastante acelerado. Agentes locais consultados pelo Cepea comentaram que, até o final do mês, o volume colhido estava variando entre 30 e 50% da safra e que a qualidade do café estava muito boa, com grãos graúdos e bonitos. Alguns lotes da safra 2014/15 já estavam sendo comercializados, com preços nos mesmos patamares dos verificados para os cafés da temporada 2013/14. No entanto, os negócios nas praças capixabas não ganharam muito ritmo ao longo do mês. Parte dos vendedores esteve retraída, à espera de recuperações nos preços.
Os grãos dos contratos fechados anteriormente (entre os meses de janeiro e março, principalmente) também foram entregues. Já com relação à colheita da variedade em Rondônia, a estimativa de colaboradores locais esteve um pouco divergente.
Até o final de maio, parte dos agentes apostava que 40% dos grãos já haviam sido colhidos, enquanto outros apostavam em 60%. No entanto, a qualidade está um pouco comprometida, devido às chuvas excessivas que atingiram a região. Com relação à produção da variedade, em maio, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que 12,3 milhões de sacas de 60 kg devem ser colhidas em 2014/15.
Especificamente no Espírito Santo, foi estimada colheita de 9,3 milhões de sacas, expressivo aumento de 13,9% frente a 2013/14. O crescimento esperado pelo setor e indicado pela Conab se deve principalmente à recuperação da produtividade, que havia sido prejudicada em 2013/14 pela forte estiagem. Neste ano, contudo, as lavouras não foram tão castigadas pelo clima como observado para as demais áreas de arábica. Uma parcela dos colaboradores do Cepea acredita que a produção da variedade no Espírito Santo seja ainda superior à estimada pela Conab, fundamentada no rendimento, que, segundo estes agentes, deve ser ainda maior.
Para Rondônia, a produção está estimada em 1,6 milhão de sacas, forte crescimento de 19,8% em relação ao colhido em 2013/14. Apesar do aumento na produção no estado, cafeicultores rondonienses continuam pouco competitivos em relação aos demais estados produtores de robusta. Os altos custos de produção, a atratividade de outras culturas e os preços pouco remuneradores do robusta têm desanimado produtores. Colaboradores consultados pelo Cepea não apostam que o aumento na produção seja na mesma intensidade que o apontado pela Conab.
Cotações do robusta recuam pelo 2º mês consecutivo
Os preços do robusta no mercado brasileiro registraram nova queda em maio. A pressão veio do recuo nos preços do arábica, da forte desvalorização nas cotações internacionais da variedade e também do bom andamento da colheita, que sinaliza maior oferta. O Indicador Cepea/Esalq do tipo 6 peneira 13 acima teve média de R$ 245,82/saca de 60 kg em maio, queda de 4,3% em relação ao mês anterior. Para o tipo 7/8 bica corrida, a média foi de R$ 237,91/sc, baixa de 4,5% na mesma comparação – ambos a retirar no Espírito Santo. No mercado internacional, o contrato de robusta negociado na Bolsa de Londres (Euronext Liffe) com vencimento em julho fechou a US$ 1.937/tonelada em 30 de maio, forte queda de 10,6% na comparação com 30 de abril.
Informações: Cepea.