Consumido na solidão de uma mesa ou em uma conversa acompanhada, o café é um dos hábitos gastronômicos mais relacionados aos moradores de Buenos Aires. Décadas de consumo e toneladas de grãos, chegou a hora de reavaliar seus padrões de qualidade, com premissas gourmet.
“A tradição cafeeira local é muito ampla e antiga com raízes italianas e espanholas que a Argentina tem”, reconhece o diretor da primeira Academia de Mestres Baristas colombiano, Jairzon Florez. Porém, ficou somente uma forma de tomar o café, sempre com as mesmas preparações e usando o produto torrado com açúcar. Pode-se dizer que, nesse sentido, o consumo não evoluiu.
No entanto, esse especialista chegou à Argentina para orientar uma nova etapa na Central de Café, dizendo que “o argentino é um público curioso, que gosta muito de café: essa é uma grande qualidade que os torna abertos às novidades”.
Como se trata de novidades, a Central propõe “ensinar novas formas de escolher e preparar o melhor café, educando o dono do restaurante ou bar e ao consumidor através de novas qualidades”. Com esse critério, abriram a academia que dá cursos para profissionais do setor ou simples apaixonados pelo bom café.
“Existe um novo mundo com consumidores que são mais exigentes, que possuem mais informações e lhes interessa conquistar buscas de sabores e propostas. Viajantes que colecionam diferentes tipos de grãos, que consideram a experiência como se se tratasse de ler um livro”.
Em sintonia com esse despertar, “há melhores propostas para café caseiro que sobem em qualidade a um nível muito próximo ao café de um bar ou confeitaria”.
“Do cultivo à xícara, os processos que fazem a diferença entre um produto padrão e outo premium são enormes. No premium, o grão é selecionado manualmente; no padrão, as máquinas coletam o café. No premium, cuida-se do preparo anterior desde o empacotamento, usando bolsas especiais para manter aromas e umidade. Por sua vez, o padrão é vendido em supermercados com embalagem comercial que não cuida desses fatores”. Por último e primordial, citam que o preparo de um café sem pretensões “qualquer um faz como quer; o premium, é um barista profissional que prepara”.
A Cocu, um estabelecimento estilo boulangerie de Palermo, disse que “temos a sensação de que o cliente se interessa cada vez mais pela qualidade de seu café. Temos uma clientela tanto estrangeira, como argentina. Tentam cada vez mais se informar sobre as origens da planta de café. Frente a essa realidade, decidimos em Cocu investir na qualidade e propor um café colombiano orgânico, a mais alta gama que se encontra em Buenos Aires”, disse uma de suas criadoras, Anais Gasset.
“Além disso, capacitamos nossos empregados como baristas de café, porque além da qualidade do grão, importa a técnica de como é realizado ao café: é uma arte. Com a multiplicação das propostas gastronômicas internacionais em Buenos Aires e a curiosidade do argentino, seu paladar está se tornando muito exigente”.
Ainda que enraizado na cultura italiana, os franceses são tradicionais consumidores e inclinados a um “sabor mais forte”. “O que mais nos surpreende é o hábito argentino do ‘café com leite’, no café da manhã ou no lanche”.
A reportagem é do http://www.diariobae.com/ Tradução por Juliana Santin
Café se torna gourmet para atrair mais consumidores na Argentina
Central de Café propõe ensinar novas formas de escolher e preparar o melhor café.
Publicado por: CaféPoint
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