O café especial mexicano, com seus novos perfis e sabores, busca penetrar no mercado europeu através do exigente gosto alemão e conquistar depois o paladar do Reino Unido.
Em uma recente degustação organizada pela Associação Mexicana de Cafés e Cafeterias Especiais (AMCCE), que agrupa várias companhias e especialistas em café, um grupo de jornalistas britânicos provou quatro tipos de grãos produzidos em Puebla, Veracruz, Oaxaca e Chiapas.
O gosto é dividido em gêneros e, enquanto os asiáticos favorecem os aromas florais, o consumidor europeu prefere os cafés com mais aroma e corpo.
O indiscutível vencedor nessa ocasião foi o café da Fazenda La Cueva, em Tlacuilotepec, Puebla. A fazenda, localizada em Sierra norte de Puebla, a 1.340 metros de altitude, produz um café com notas de caramelo, nozes, açúcar mascavo e laranja vermelha.
O presidente da AMCCE, Arturo Hernández Fujigaki, disse que o café especial está dirigido a um mercado que exige mais qualidade e está disposto a pagar um preço maior.
“No mercado alemão, já entraram alguns cafés especiais. Uma vez que entrarmos no mercado europeu, não terá fronteiras. Sentimos que o mercado alemão era o mais difícil, pelo idioma e porque era muito exigente para nós quanto à qualidade”.
O próximo desafio é conquistar o mercado do Reino Unido, onde houve um “boom” nas cafeterias nos últimos anos, em um país onde a bebida tradicional é o chá com leite.
No México, o gosto por um bom café também vem se revalorizando desde 1994. “Os bares que já têm profissionalizado o café há 20 anos. Temos uma gama de gente que tem um paladar mais exigente e os bares já estão servindo cafés muito bons”.
A AMCCE pretende reverter a inércia e reeducar o paladar das pessoas que estavam acostumadas a tomar café de má qualidade em restaurantes de alimentação rápida.
“Estamos em uma etapa em que mudou muito o paladar do consumidor e que está exigindo cafés de maior qualidade. Os cafés que estão sendo procurados têm um cupping profissional, atributos especiais e qualidade adequada”.
Os produtores que oferecem café de qualidade podem receber um preço premium por essa qualidade.
De acordo com dados da AMCCE, o México possui 12 estados produtores de café que estão localizados principalmente no centro e no sul do país. Espera-se que durante a colheita de 2015/2016 sejam produzidas 3,3 milhões de sacas de 60 quilos de café.
Em 1994, o consumo de café no México era de 700 gramas por pessoa em média anualmente. Atualmente, é de 1,6 quilos por pessoa, um dado ainda baixo comparado com outros países produtores do grão.
A Associação Mexicana de Cafés e Cafeterias Especiais têm como objetivo fazer degustações, treinar baristas na preparação da bebida e na torra do grão e difundir as qualidades do café gourmet no México e na Europa.
A reportagem é do Notimex / Tradução por Juliana Santin
Café especial mexicano busca conquistar paladar europeu
A estratégia de entrada no mercado europeu é começar através do exigente gosto alemão e conquistar depois o paladar do Reino Unido.
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