Autoridades criticam especulação em torno da safra cafeeira

Presidente da Cocatrel citou, durante a abertura da Expocafé, a repercussão negativa que a última fala do Ministro da Agricultura, Neri Geller, tem gerado

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Por Thais Fernandes

A cidade de Três Pontas (MG) foi, nesta manhã desta quarta-feira (4), palco da Expocafé 2014, que se estende até o dia 06 de junho e é focada no agronegócio café. Durante a abertura da feira, o presidente da Cooperativa de Cafeicultores da Zona de Três Pontas(Cocatrel), Francisco Miranda, frisou a importância de disseminar tecnologia para o campo que, segundo ele, encontra nesta mecanização o seu futuro.

No primeiro ano em que a cooperativa local assume a gestão do evento, Francisco aproveitou para tocar em um tema delicado para o setor cafeeiro. O presidente da Cocatrel citou a fala recente do ministro da Agricultura, Neri Geller, para explicar o peso que as especulações podem trazer ao mercado.

Na ocasião, o ministro afirmou que “os produtores de café estão enfrentando perdas menos severas”, (Saiba mais) e a declaração repercutiu no mercado, fazendo cair os preços do café.

“As pessoas que dirigem este setor precisam ter cuidado com o que falam, pois, infelizmente, o café é um produto de fatos e boatos. O que se diz aqui é ouvido no mundo inteiro. Nós precisamos de informações mais precisas e de responsabilidade”, afirmou Francisco Miranda.

Na última terça-feira (3), em entrevista ao Boletim Notícias Agrícolas, José Braz Matiello, engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, colocou sua posição em relação às especulações criadas em torno das estimativas. “Levantamentos feitos de forma subjetiva, sem uma metodologia técnica e científica... A gente fica meio sem saber, sem acreditar. A própria política governamental do café deveria colocar um trabalho que o pessoal possa ter confiança. As pessoas acabam não sabendo exatamente a realidade e isso acaba prejudicando o setor da produtividade que é o mais sensível”, disse.

Matiello reafirma que as chuvas que vieram após o período de estiagem, não têm influência na formação dos grãos. “No processo fisiológico, a planta tem tempo para tudo. Não tem como recuperar isso, e foi muito bem determinado pelos dados do clima e depois pela visualização no campo deste efeito. Tecnicamente isso não tem contestação”, enfatiza. Por fim, o agrônomo lembra que a safra de 2015 também sofrerá com a estiagem de 2014. “Nas regiões do Triângulo, Alto da Mogiana e Sul de Minas, lavouras carregadas este ano, não devem dar absolutamente nada no próximo ano”, afirmou Matiello.

Ainda durante a cerimônia de abertura da Expocafé, Robério Silva, presidente da Organização Internacional do Café (OIC), também declarou sua preocupação com estimativas que incentivam alta volatilidade dos preços no mercado do café. "Esse movimento gera incerteza entre os produtores e exportadores e cria uma grande vulnerabilidade econômica", disse. Como medida para conter este efeito, Silva afirmou que a OIC trabalhará para a criação de um comitê, que vai reunir a opinião das principais entidades do setor para discutir ações que possam minimizar a alta volatilidade do mercado, gerada pela especulação.
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Edevarde Fonte
EDEVARDE FONTE

SERRA NEGRA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 10/06/2014

Será que este tal ministro sabe que café vem de uma planta e que como qualquer outra precisa de condições favoráveis para produzir bem????
Mara Freitas
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 09/06/2014

O Ministro da Agricultura estabeleceu um raciocínio lógico. Historicamente, realmente não será a maior perda do agronegócio: as duas maiores foram a queima do café, durante o governo de Getulio Vargas e a segunda, que quase extirpou o Brasil do negócio do café, foi a Geada Negra de 1978. Ele foi coerente e mostra conhecimento. A culpa do negócio do café não funcionar é dos membros do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira. Aliás, sou a favor da exoneração de todos os membros do conselho que na maioria lá estão desde 1996 e não conseguiram, num pequeno espaço de 20 e poucos anos, produzir nada que não fossem custos para o estado brasileiro. Não é qualquer setor que financia reuniões na ordem de R$ 13.500,00 cada uma e não chega a lugar nenhum. Nem o Incrível Café sobreviveu. Contudo, é importante ressaltar que a direção de planejamento do MAPA recebeu distinção do setor cafeeiro, no dia nacional do café, pelos nobres serviços prestados ao país. Não há porque, então, o setor reclamar, se não muda o que de fato é necessário. Falta a coragem coletiva para sair do modelo vigente, onde o poder tem que alisar a vaidade setorial com canetadas que viabilizam a liberação de verbas. Basta liberar recursos do Funcafé, que toda a critíca, toda a mágoa, passa rapidinho. Se o Ministro liberar dinheiro amanhã e acalmar os bolsos do setor, certamente ele se tornará o maior especialista em café do mundo, porque a cafeicultura, além de vaidades, é feita de sentimentos emocionais, sustentados pela razão pecuniária.
Eduardo Tolentino
EDUARDO TOLENTINO

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 08/06/2014

Ministro, continue na soja, largue o cafe para quem entendi e queira o bem do cafeicultor, a classe agradece e muito!!!
ARMANDO SANTOS
ARMANDO SANTOS

MUZAMBINHO - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/06/2014

NÃO É RELACIONADO COM A SAGA DAS PREVISÕES MAS COM O DESCASO COM O PRODUTO E PRODUTOR.

O QUE O "SR. MINISTRO" E SUA EQUIPE JÁ REALIZOU DE CONCRETO PARA DIVULGAR O CAFÉ NESTA COPA? ALGUÉM SABE INFORMAR?

OBRIGADA

SUZANA
João Batista Vivarelli
JOÃO BATISTA VIVARELLI

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 06/06/2014

Ministro da Agricultura Neri Gueller contestando na midia, a Estimativa de Safras, realizada por um Orgão(CONAB), do próprio Ministério(MAPA), complicado; pelo que sei o Levantamento de Safras de Café é realizado pela CONAB, por amostragem nas propriedades produtoras e juntamente com o proprietário, arrendatário,gerente,administrador, etc.
jose carlos vargas bochat
JOSE CARLOS VARGAS BOCHAT

CAMPOS GERAIS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE CAFÉ

EM 06/06/2014

Acho que todas as informações do cafe, deveriam vir de suas bases como: produtor pequenos e grandes, empresas voltadas para a produção e cooperativas. Esses sim, tem conhecimento do que está de fato acontecendo, como no comentario do Decio Barbosa freire, que reitero, pois o mesmo está acontecendo na cooperativa de Campos Gerais. E infelizmente os indefesos que vivem do cafe, estão nas mão destes imcompetentes que são nomeados por acordos politicos e que muito provavelmente nunca viram nem um pé de cafe, quando falam sem nenhum conhecimento de causa, como este ministro, IBGE, empresas estrangeiras, e etc... Fico muito triste com tal covardia.
Mauro Grossi Araújo
MAURO GROSSI ARAÚJO

IMBÉ DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/06/2014

Com um Ministro desse nível, não precisamos de secas nem de inimigos. Sr Ministro, primeiro se fundamente, depois fale! Se não tiver o que falar, mantenha a prudência de uma boca fechada!!
Nelson Barrizzelli
NELSON BARRIZZELLI

ANDRADAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 06/06/2014

O Ministro tem razão. Ocorre que as especulações tanto afetam o excesso de otimismo como o excesso de pessimismo. Acho esse discurso deveria ser feito também para o IBGE, para a CONAB e para o CNC. Saímos de previsões de até 57 milhões de sacas no início da estiagem, para 44 milhões agora. Primeiro nunca ficam claras como são feitas essas previsões. Lemos nestes comentários ao longo dos meses, que nunca ninguém viu um funcionário destas Entidades em suas regiões. Se alguém fotografar um cafezal bem tratado agora no início da colheita, ficará extasiado com a beleza e a cor dos frutos. Mas nunca vi nenhuma previsão dessas mirabolantes, levar em conta o tamanho dos grãos, a renda, a cata, a desclassificação em função da broca, que atacou como nunca porque o MAPA há 3 anos tem produtos aprovados para o combate a essa praga e não libera a comercialização. os grãos bonitos mas "chochos", a qualidade final do produto colhido, etc. Além disso os cafeicultores tiveram que amargar 18 meses de preços aviltados, porque ninguém se preocupou em defender, perante o governo, o preço mínimo colocado abaixo do custo de produção. A fala do Ministro, mesmo tendo uma ponta de verdade, por questões éticas deveria levar em conta os problemas citados, porque se ouve especulação no mercado, essa veio dos grupos interessados em jogar o preço no chão, porque isso atendia suas apostas no mercado futuro. Quem deveria defender os cafeicultores se calou e agora, porque o preço subiu, todo mundo se preocupa com a especulação. Acho melhor plantar soja, como faz o Ministro.