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9º Fórum Consultivo debate soluções para cadeia cafeeira

POR EQUIPE CAFÉPOINT

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 27/09/2019

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Durante a 125ª Sessão do Conselho Internacional e demais reuniões da Organização Internacional do Café (OIC), realizadas esta semana em Londres, o 9º Fórum Consultivo sobre Financiamento do Setor Cafeeiro apoiou a implantação da Resolução 465, reunindo especialistas para discutir, validar e apontar formas de adoção, pelos cafeicultores, das ferramentas de gerenciamento de risco de preços.

No evento, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, defendeu a importância do cooperativismo como difusor de ferramentas de gestão de risco de mercado no setor cafeeiro. “As cooperativas de café do Brasil são agentes de inclusão e melhoria do acesso dos pequenos cafeicultores aos serviços de mercado, como hedge e barter, garantindo mais resiliência à volatilidade dos preços”, destacou.

O Fórum contou com dois painéis que buscaram inovações para que os produtores possam se adaptar às mudanças de mercado, combatendo a volatilidade e compartilhando os riscos entre todos os agentes da cadeia.

O primeiro tinha como tema “Inovações na gestão de riscos de preços nas propriedades rurais e cooperativas”. Nele, o economista da Divisão para África Central e Oriental do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Florent Baarsch, apresentou a iniciativa CACHET, uma solução financeira desenhada para proteger a renda dos pequenos produtores contra perdas decorrentes do clima e da volatilidade dos preços, usando opções.

A fundadora e consultora principal da SHIFT Soluções de Impacto Social, Sara Mason, mostrou uma solução de gestão de risco de preços baseada no conceito de renda mínima. Em síntese, o setor apoia os cafeicultores a alcançarem sua renda mínima via produção cafeeira, por meio da diversificação de atividade ou através de uma transição justa para outro meio de vida ou atividade econômica viável.

Roel Messie, diretor de Investimentos da IDH Iniciativa de Comércio Sustentável, apresentou o fundo Farmfit, que fornece ferramentas para analisar a viabilidade e a eficácia do suporte financeiro de empresas e bancos aos pequenos agricultores. Esse instrumento auxilia a identificar áreas que necessitam de aprimoramento e os financiamentos mais adequados para ampliar a escala das inovações.

O coordenador da Oikocredit, Hugo Villela, encerrou o painel apresentando um estudo da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, em inglês) que identifica quatro soluções mais interessantes para a gestão de riscos dos preços do café, as quais são embasadas em:

i) comércio digital com plataformas que conectam cafeicultores e consumidores, porém limitadas a produtores de cafés de alta qualidade;

ii) agregação de produtores, por exemplo, em cooperativas, que tem o objetivo de negociar volumes maiores, viabilizar armazenagem e reduzir custos de transação;

iii) fundos de estabilização de preços, que subsidiariam os produtores em períodos de queda das cotações, mas causariam distorções no mercado;

iv) realocação de riscos ao longo da cadeia produtiva, através de contratos de fornecimento de longo prazo. Essa sugestão depende de hedge com derivativos e ambiente de confiança entre os atores.

O segundo painel teve como tema “Compartilhando riscos com outros agentes econômicos ao longo da cadeia de valor do café”. João Moraes, gerente global de café da Yara Fertilizantes, demonstrou a experiência da empresa no Brasil com o barter. Ele também destacou o papel fundamental das cooperativas para viabilizar essa ferramenta de gestão de riscos de mercado aos pequenos cafeicultores.

O diretor de Sustentabilidade do Mercon Group, Giacomo Celi, comentou sobre os componentes do compartilhamento dos riscos de mercado, citando acesso a crédito, relações comerciais de longo prazo, assistência técnica e extensão rural para aumento de produtividade e qualidade, suporte comercial e parcerias com fornecedores de insumos e indústrias.

Hans Bogaard, gerente de Finanças de Agricultores e África do The Netherlands Development Finance Company (FMO), explicou que a instituição trabalha em parceria com companhias locais que são clientes e ONGs na África e na América Central para financiar os produtores de café, cacau, grãos, chá, etc.

Para ele, se os torrefadores querem assegurar a diversidade de origem, precisam investir na capacidade de agregação de valor dos produtores, por exemplo, financiando capacidades de beneficiamento via cooperativas e falou que a instituição trabalha com esse tipo de parceria. Hans disse ainda que traders e torrefadoras, em contrapartida, conseguem construir uma relação de longo prazo com os produtores.

As apresentações desse painel foram encerradas pelo professor Associado da London School of Economics (LSE), Rocco Macchiavello, que apresentou sua pesquisa sobre relações contratuais entre compradores e vendedores, destacando a importância da existência de um ambiente institucional viável a negócios nos países para reduzir o risco de não cumprimento dos contratos.

As informações são do CNC.

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