A despeito das imensas resistências oficiais, o conilon se impôs, devido à falta de alternativas para a substituição econômica do café arábica (Quadro 1).

Fonte: CETCAF (1999)
Quadro 1 - Proporção arábica/conilon no Espírito Santo
Inicialmente plantado para atender à demanda do café solúvel, paulatinamente foi sendo testado pela indústria do torrado e moído em mistura com o arábica na proporção experimental de 5%, posteriormente 10%, 20%, 40%, com enorme sucesso e aceitação não só pelos industriais como também pelo consumidor final.
Hoje (2006) a média brasileira nas misturas com o arábica é de 40%, havendo já casos de marcas de café 100% conilon, com excelente aceitação pelo mercado consumidor.
O CETCAF (Centro de Desenvolvimento Tecnológico do Café), juntamente com o SEBRAE-ES e técnicos do Mapa (Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento), pesquisou e lançou um padrão de bebida para o conilon, que deixa assim de ser um café tido como de bebida neutra para se tornar um café com características organolépticas próprias e grandemente apreciadas.
Rapidamente, de 1971 até os dias atuais, o café conilon ocupou os espaços deixados pelo arábica, impôs-se pelas suas características e hoje o Estado do Espírito Santo produz 68% (Quadro 2) de todo o café conilon produzido no Brasil, além de ser referência nacional e mundial em tecnologia.

* Estimativa
Fonte: CETCAF/CONAB
Quadro 2 - Produção de café conilon no E. Santo e no Brasil (1000 sacas de 60 kgs).
O café conilon, hoje, no Estado do Espírito Santo é não só fonte de renda para milhares de famílias como, sobretudo, instrumento permanente de distribuição de renda e bem estar social no campo, por ser, basicamente, uma cafeicultura de economia familiar (Quadros 3 e 4).

Fonte: CETCAF
Quadro 3 - Regime de Produção Predominante

Fonte: CETCAF (1999)
Quadro 4 - Tamanho médio das lavouras de café no Espírito Santo
Há que se considerar também o aumento significativo da produção de café conilon no Estado do Espírito Santo sem, contudo, haver aumento da área plantada, o que redunda em aumento de produtividade e aumento da renda do setor.
Não obstante o aumento na área de produção, da ordem de 6% para o conilon e 15% para o arábica, o incremento na produtividade foi, respectivamente, de 107% e 36%, no período de 1996 a 2002.
Perspectivas para o mercado de café conilon
O consumo brasileiro de café vem crescendo de forma substancial a ponto do Brasil já ser (2005) o 2º maior consumidor mundial de café, tendo consumido 15,5 milhões de sacas beneficiadas, de 60kg.
A ABIC projeta para 2010 o consumo de até cerca de 21 milhões de sacas beneficiadas de 60 kg (Gráfico 1), tornando-se assim, não só o país maior produtor de café (arábica e conilon) como também o maior consumidor.

* Projeções
Fonte: ABIC
Gráfico 1 - Consumo interno de café no Brasil
Esse fato, por si só, demonstra as perspectivas para o mercado de café conilon, já que cerca de 40% do mesmo entra nas misturas do torrado e moído além de sua industrialização como solúvel.
Outros dados auspiciosos com relação ao consumo interno de café pelos brasileiros é que seu uso já atinge a casa dos 13% do consumo mundial e 50% do consumo dos países produtores, sem contar o fato de que 39% da produção brasileira de café fica no mercado interno, o que vem dando sustentabilidade ao mercado cafeeiro.
No ano de 2004 o consumo de café no Brasil cresceu 9%, num atestado eloqüente do futuro do café, além do fato de 93% dos brasileiros beberem café, de acordo com a ABIC.
A CONAB - Companhia Nacional de Abastecimento, em seu último relatório, previu uma produção nacional de conilon na casa dos 10 milhões de sacas beneficiadas de 60 kg em 2006, números que mal darão para o consumo interno brasileiro de conilon, que está na casa de 10,5 milhões de sacas, sendo 3,5 milhões de sacas para o solúvel e 7,0 milhões de sacas para o café torrado e moído (Projeção CETCAF).
Estes números deixam o Brasil praticamente ausente do mercado internacional de robusta, acontecimento nada animador quanto ao futuro da cafeicultura brasileira de conilon que precisa ocupar o espaço que lhe é necessário no contexto mundial de café verde e industrializado.
Lembre-se também a necessidade do Brasil e do Estado do Espírito Santo, em especial, aumentar suas produções de conilon, principalmente o cereja descascado - CD, permitindo uma maior agregação de valor ao produto final.
A nível mundial, também a produção de robusta / conilon está abaixo da demanda. Para uma produção estimada em 2005 de 39,0 milhões de sacas (Quadros 05), projetamos o consumo em 43,6 milhões de sacas.

Fontes: Stockler Com. e Exportadora, Conab e OIC
Quadro 5 - Produção de café robusta no mundo
Embora haja dados tão auspiciosos, há que se destacar o incremento mundial na produção proporcional do conilon / robusta em relação ao arábica (quadro 10), o que vem atestando a aceitação cada vez maior desse produto ao nível de consumidor final.

Gráfico 2 - Produção de café por espécie
Esse aumento de produção de conilon / robusta deve-se a dois fatores importantes, primeiro o incremento da produção brasileira e em segundo lugar ao vertiginoso incremento da produção do Vietnã (Gráfico 3), não obstante a queda de produção em 2004 e 2005, nesse importante país produtor.

Fonte: OIC - Relatório do Mercado de Café, fevereiro 2006.
Gráfico 3 - Produção de café robusta no Vietnã
Sabe-se, entretanto, que toda vez que os preços internacionais do robusta ultrapassam a casa de US$ 1.000 / tonelada por um período superior a um ano, os preços viabilizam e estimulam o Vietnã no incremento de sua produção de robusta pressionando o mercado com superávit de produção com possíveis conseqüências negativas nos preços.
Necessário se faz o produtor brasileiro de conilon estar alerta a esse importante dado, procurando reduzir custos, com aumento de produtividade, evitando ser surpreendido com queda de preços promovidos pela competição internacional.
Relevante destacar-se o papel da industria do café solúvel no consumo do café conilon, já que somente nesse processo industrial são consumidas anualmente 3.500.000 sacas de 60kg de café conilon, no Brasil. É um segmento importantíssimo para a sustentabilidade econômica da atividade cafeeira de conilon e o setor produtivo precisa estar atento para garantir a viabilidade da expansão do café solúvel brasileiro.