Rodrigo Correa da Costa

RODRIGO CORREA DA COSTA

30/05/2011

Café na BM&F reflete físico demandado internamente

Ainda que a safra 10/11 tenha sido grande, os produtores aproveitaram para vender seus cafés a preços atrativos, sabiamente, e com isso os estoques nas mãos da produção são pequenos - o que não necessariamente é o mesmo caso para os estoques nas mãos dos outros agentes que compõe a cadeia (na origem). Com isso o café BM&F, acaba sendo uma alternativa "menos-custosa", pois negocia próximo de US$ 10 centavos de desconto, comparado com o físico que tem a reposição em torno de "even" (ou com leve prêmio dependendo do momento de fixação).

16/05/2011

Notícias altistas embutidas no preço

Incertezas sobre como os problemas que afetam a comunidade europeia serão equacionados, direcionou investidores para a moeda americana. Acredito que as notícias altistas já estão descontadas no preço/quadro fundamental (salvo, óbvio, algum problema climático). Sendo assim as surpresas que podem aparecer muito provavelmente deverão ser mais para o lado negativo dos preços, como um eventual ano em que ao invés de déficit possamos ter um equilíbrio ou até um leve superávit.

09/05/2011

Porta estreita

A reação imediata da morte de Osama Bin Laden para os mercados foi positiva para as bolsas e negativas para algumas commodities, principalmente o petróleo. A semana foi turbulenta, e com a divulgação de indicadores econômicos diferentes dos previstos por analistas acabou provocando a maior queda dos índices das commodities desde o colapso do banco de investimentos Lehman Brothers em 2008. Pronto, a porta ficou estreita para tantos investidores que tentaram sair juntos das commodities.

02/05/2011

Barato e proximidade do inverno

O banco central americano manteve em seu discurso que as taxas de juros continuarão baixas por um "período prolongado", ponderando que o aumento da inflação provocado pela alta das commodities é apenas temporário. No comunicado foi anunciado o esperado fim do programa de compra de títulos para junho próximo (conhecido como QE2), porém a maioria dos participantes do comitê concordou com a manutenção de estímulos até que o mercado de trabalho melhore e o crescimento ganhe robustez. Na prática o dólar continua sendo uma das fontes de financiamento mais baratas, e a consequência é a depreciação maior da moeda, que escorregou para o menor nível em 3 anos.

25/04/2011

À procura de um porto seguro

Falando do arábica da ICE, infelizmente em função da qualidade do café que hoje compõe os estoques certificados, a firmeza dos preços isoladamente não é refletida apropriadamente na estrutura. Com isso na entrada do período de notificação do contrato de maio o spread do Maio contra o Julho negociou a US$ 5.45 centavos de desconto, provocando interrogações para aqueles que não seguem o dia a dia da commodity. Digo isto porquê um mercado que é altista, e que tem escassez de produto no físico, normalmente sofre uma inversão da curva, ou seja os preços dos contratos de vencimentos mais curtos ficam acima dos vencimentos mais longos, e muito investidores (também) cruzam estas informações como parte das análises que ajudam a decidir a alocação de seus recursos.

11/04/2011

Volatilidade alta em mercado leve

As commodities voltaram a subir nos últimos cinco dias, com o ouro atingido uma nova alta nominal histórica e o petróleo o maior patamar em 2 anos e meio. O café teve mais uma vez uma alta volatilidade, subindo na terça-feira US$ 16.14 por saca, caindo US$ 4.10 por saca no dia seguinte, voltando a subir US$ 10.12 centavos na quinta, e finalmente na sexta fechando com alta de 2.15 cents (depois de no dia ter subido 5.70 centavos). Em resumo na semana os ganhos foram de US$ 15.05 por saca em Nova Iorque, US$ 2.82 em Londres e US$ 16.45 em São Paulo.

28/03/2011

Perigo de baixas no pico da entressafra

O pico da entressafra na maior origem produtora, assim como o fim da colheita dos produtores de cafés lavados, coincide com o começo da primavera no hemisfério norte, período no qual o consumo sazonalmente tem uma diminuição. Isto, creio eu, diminui a ansiedade dos torradores, que muito embora estejam longe de ter com uma posição confortável de cobertura nos seus livros de futuros, estão vendo os preços sem força de fazer novas altas.

14/03/2011

Tem os que falam de 200 e os que falam de 500!!

O mercado de café teve uma semana agitada, com a bolsa de Nova Iorque subindo 31.55 dólares por saca durante o período de carnaval (incluindo Quarta-feira de Cinzas), para depois devolver 29.43 dólares por saca na quinta e sexta-feira. A volatilidade dos mercados foi insana (para aqueles que não estavam longe das telas curtindo uma praia sem acesso a internet e celular). O motivo de tamanha oscilação advém dos preços estarem bastante elevados, com as chamadas de margens limitando o giro de negócios no físico, e em um cenário macroeconômico instável.

14/02/2011

Café brasileiro negociado a "par"

Para o capítulo "Quase nunca se viu isto na história do café", vai o barateamento dos diferenciais dos cafés lavados e a manutenção dos cafés brasileiros em níveis altos. Enquanto vimos o café colombiano caindo de 40 a 45 centavos acima para 22 a 28 centavos acima em menos de um mês, o fine-cup brasileiro saiu de quase 15 abaixo para "par", ou seja o mesmo nível que negocia o contrato "C". O motivo talvez venha dos quase 80% da safra corrente já ter sido comercializada, sendo que os cafés finos provavelmente tem um percentual ainda maior de desaparecimento.

07/02/2011

Safra grande sem café?

O café teve uma semana rara, com o destaque para o contrato de março da BM&F que negociou a um prêmio de US$ 5 centavos/libra (US$ 6.61/saca) acima do contrato de março de Nova Iorque, algo que não acontecia há mais de 13 anos. O spread entre março e setembro (os dois primeiros contratos mais líquidos em São Paulo) explodiu, negociando a mais de US$ 26 por saca, com o março mais caro do que o setembro, uma inversão bem forte. A grande surpresa não é apenas da arbitragem estar negociando a prêmio, mas principalmente estar fazendo isto exatamente em um ano em que o Brasil colheu a sua safra recorde (ao menos percebida como tal pela maioria dos agentes).

24/01/2011

Maior procura por outros tipos de café

A primeira semana do ano de 2011 começou com uma forte queda das commodities, provocada principalmente pela valorização forte do dólar americano. O inicio do comentário falando do macro é proposital para que eu possa expressar a minha opinião com os riscos de baixa que poderemos ter para o café. Creio que o café continuará subindo, surpreendendo muitos, a não ser que vejamos uma aversão ao risco provocada por uma nova onda de notícias negativas na Europa ou nos Estados Unidos, ou então uma forte valorização da moeda americana, assim como mudanças de políticas monetárias (contracionistas). Em outras palavras o fundamento do café é positivo, e se o macro não atrapalhar não consigo visualizar quem vai vender este mercado.

20/12/2010

Panorama similar indica mais altas pela frente

Os contratos futuros de café subiram forte na sexta-feira, e fecharam a semana com alta de US$ 20 por saca em Nova Iorque, US$ 17 por saca em São Paulo e US$ 4.68 em Londres. Tudo indica que o contrato "C" caminha para o seu maior fechamento anual desde 1985, nada menos do que 25 anos - note que em 1997 o mercado chegou a negociar a US$ 318.00 cts (1º mês de negociação) e US$ 277.00 cts (2o mês), mas no último dia útil do ano o ajuste foi de US$ 162.45 centavos e US$ 157.75 centavos respectivamente. As novas altas em 13 anos e meio que vimos nesta semana refletem a firmeza dos preços no mercado físico.

13/12/2010

Brasil aprovado para ser entregue na "ICE"

O fluxo de oferta nos países da América Central e Colômbia parece ter passado o pico e na sequência devemos ver uma oferta mais ordenada, não ajudando aqueles que ainda precisam de cobertura para este tipo de café. Em busca de um ajuste da maior utilização do café brasileiro nos blends dos principais torradores de café no mundo, e uma decrescente produção dos suaves dos outros países produtores, o Conselho (board) da ICE aprovou a entrega de café brasileiros "livre de gosto de cafés não-lavados"contra o contrato "C" - nós acreditávamos que isto fosse acontecer e escrevemos isto no comentário da semana de 3 a 7 de maio último.

29/11/2010

Se esforçando para subir mais

Seguindo o "novo-padrão" de oscilação, o café em Nova York negociou entre US$ 201.45 e US$ 213.25 centavos por libra nas últimas quatro sessões, sendo que na terça-feira entre mínima e máxima o intervalo foi de US$ 10.15 centavos. Quando tudo dava a impressão que os preços poderiam afundar mais, o mercado recuperou em simpatia com praticamente todas as outras commodities, e encerrou o dia nas altas. Olhando para o mercado físico podemos notar que a entrada da safra dos cafés suaves da Colômbia e América Central trouxeram os diferenciais para patamares mais próximos dos níveis históricos, e com isso o lavado brasileiro cai nominalmente para diferenciais de apenas um dígito positivo.

03/11/2010

Estrutura e diferenciais mais fracos

O café teve uma semana agitada, com performances que enganaram os altistas e os baixistas em dias distintos. O fechamento da semana e do mês de outubro acabou trazendo mais compras de fundos e assegurou ganhos nos últimos 5 dias de US$ 6.08 por saca em Nova Iorque, US$ 7.74 em Londres, e US$ 4.50 em São Paulo. O mercado físico teve bom giro, muito embora os altos preços da bolsa e da saca de café exigem linhas de crédito maiores, e para complicar há os atrasos dos embarques no Brasil que prejudicam fechar o ciclo das operações de financiamento.

27/09/2010

Já vimos a alta de 2010, mas não a do ciclo 10/11

Embora o livro de cafés-suaves dos torradores esteja magro, a maioria não está aceitando pagar o preço alto, que tem se mantido há bastante tempo, e como já aguentaram esperar até agora, resolveram esperar ainda mais para quando houver uma maior disponibilidade do produto. Sem dúvida há fatores que podem amortizar mais liquidações, mas creio que ainda poderemos ver uma queda maior, e que a normalidade do clima pode nos indicar que a alta de 2010 já foi vista - muito embora eu acredite que para o atual ciclo (2010/11) ainda podemos ver o mercado próximo de US$ 220.00 centavos.