Conilon: Qualidade e Certificação

Durante os meses de agosto e setembro dois fatos chamaram à atenção das pessoas ligadas ao café conilon (espécie de café robusta): a certificação da Fazenda Módena e o lançamento pela Nespresso de uma cápsula com alta concentração do café. Alguns podem até ter estranhado estes fatos, já que por muitos anos, a cultura do café conilon do Brasil estava voltada somente à produtividade e o mercado não valorizava ações de qualidade e sustentabilidade.

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Durante os meses de agosto e setembro dois fatos chamaram à atenção das pessoas ligadas ao café conilon (espécie de café robusta): a certificação da Fazenda Módena e o lançamento pela Nespresso de uma cápsula com alta concentração do café. Vale ressaltar, que o termo 'robusta' é amplamente utilizado como referência à espécie Coffea canephora, independentemente da variedade. 'Robusta' traduz-se como rusticidade e resistência, sobretudo à ferrugem, daí seu nome1.

A fazenda Módena em Linhares (ES) foi a primeira do Brasil a receber o selo Rainforest Alliance certified para a produção de café conilon. Este caminho foi "natural", tendo em vista que o proprietário substituiu o pasto degradado por café com a tecnologia do Incaper (Instituto Capixaba de Assistência Técnica e Extensão Rural) e construiu toda a sua estrutura de beneficiamento para produzir café conilon com qualidade e responsabilidade socioambiental.

Após todo o processo de formação da lavoura e investimentos em infra-estrutura, ele buscou apoio técnico local para a adequação da fazenda e solicitou a auditoria2.

No caso da Nestlé/Nespresso, mesmo sendo uma "edição especial", o "Kazaar" está sendo bastante comentado por conter mais de 70% de café robusta. Deste, a maior parte é composta de cafés conilon naturais do Espírito Santo e uma porcentagem de robusta lavado da Guatemala.

Figura 1

Figura1 e 2: caixa contendo cápsulas do café Kazaar e representação gráfica para chamar a tenção dos consumidores.

Segundo o site da Nespresso: "O robusta brasileiro revela uma extrema intensidade em toda a sua pureza. O robusta Lavado da Guatemala, ainda pouco cultivado, expressa sua nobreza e uma riqueza única, ao passo que o Arábica do Cerrado brasileiro traz sua sofisticação e sutileza para o blend"3

Alguns podem até ter estranhado estes fatos, já que por muitos anos, a cultura do café conilon do Brasil estava voltada somente à produtividade e o mercado não valorizava ações de qualidade e sustentabilidade. A Nespresso, também possui metas públicas de aquisição de cafés com o selo Rainforest Alliance certified, além de outras iniciativas próprias de sustentabilidade.

Este panorama está aos poucos mudando. Embora a maioria dos torrefadores de café do Brasil ainda não se atente ao tema, com o lançamento da cápsula Kazaar, a torrefadora internacional Nespreso, demonstrou que o conilon pode sim ser valorizado e que existem nichos para o grão de qualidade.

Por outro lado, não é raro encontrar notícias a respeito de iniciativas em torno da qualidade em cooperativas e produtores de café conilon no Espírito Santo e outras partes do Brasil.

Resta agora que mais empresas acreditem no potencial e invistam na aquisição de cafés robusta com mais qualidade e responsabilidade social e ambiental.


1. Cláudio Pagotto Ronchi, publicado no site www.cafepoint.com.br em 19/08/2009
2. Mais informações em: http://www.imaflora.org/index.php/noticia/detalhe/97
3. Nespresso http://www.nespresso.com/
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Material escrito por:

Eduardo Trevisan Gonçalves

Eduardo Trevisan Gonçalves

Engenheiro agrônomo, Gerente de Projetos do Imaflora.

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Bruno Manoel Rezende de Melo
BRUNO MANOEL REZENDE DE MELO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 09/01/2011

Uma das grandes maravilhas do mundo é sua vasta variedade de essencias e estas passa pelo café, produto tão rico em diversidade de sabores e o melhor de tudo isto é que os consumidores também possuem gostos diferentes, tenho certeza que se o conilon for produzido segundo padrões que lhe mantenham a qualidade, tenho certeza que o nicho de consumidores para este produto também irá existir, só teremos que investir em processos produtivos modernos tornando a cafeicultura em espaço empresarial e divulgarmos o nosso produto de modo que este nicho consumidores possa encontrar e adquirir este produto.