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Crescimento no consumo de café especial foi de 18,1%, diz Pesquisa

postado em 29/11/2017

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Por Mariana Proença

Com o objetivo de compreender o tamanho do mercado de cafés especiais no Brasil e projetar o crescimento para os próximos anos, além de analisar os segmentos e posicionamentos do setor, identificar os principais canais de venda, as tendências que impactam este mercado e compreender o negócio de cafeterias no Brasil, foi realizado um levantamento pela Euromonitor International, encomendado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Foto: Lucas Albin/Agência Ophelia
                                Foto: Lucas Albin/Agência Ophelia

A pesquisa, que contou com visitas a cafeterias, varejos em geral e entrevistas,  afirmou que o mercado de especiais movimentou no varejo, em 2016, R$ 3,2 bilhões e que, embora ainda represente 5,1% em volume do total de cafés (varejo e foodservice), vem ganhando espaço ano a ano. Em número de sacas, o consumo nacional corresponde a 901,7 mil sacas do grão especial. Entre 2012 e 2016 o crescimento médio anual foi de 18,1% no consumo (volume) de café especial.

Para o consultor da Euromonitor,  Rodrigo Augusto de Godoi, a “grande variedade, qualidade e a busca por sabores e regiões diferentes de origem têm influenciado positivamente o crescimento desse mercado”. A projeção da pesquisa é de que, até 2021, o consumo no Brasil chegue a 1,7 milhão de sacas de especiais.

Quem mais irá influenciar o crescimento do varejo são as cápsulas, que aumentam dois dígitos anualmente. A grande preocupação ambiental com o produto terá resposta em versões de cápsulas retornáveis e biodegradáveis que, segundo dados, ajudarão na expansão desta categoria.

Até 2020 o varejo de café especiais dobrará de tamanho em vendas
, passando a movimentar R$ 6,4 milhões. Mas o volume ainda ficará com o grão que, segundo a pesquisa, terá ainda mais relevância em cafeterias e é hoje responsável por até 45% do volume de vendas. De acordo com os resultados apurados, o principal uso do grão é pelo coffee lover que deseja replicar todo o processo de preparo do café em casa, desde a moagem até a realização do café.

Perfil do consumidor de especial

A pesquisa identificou dois grupos de consumidor neste mercado: o primeiro, intitulado de coffee lovers, são aquelas pessoas que além de frequentarem cafeterias, fazem o café em casa, usando acessórios e cafés especiais adquiridos nos próprios estabelecimentos e internet. Eles compram o produto em grãos para replicar a experiência no lar e são geralmente mais jovens.

O segundo grupo é o que aprecia cafés de maior valor agregado, porém compra no varejo (geralmente em empórios com produtos diferenciados) e em cápsulas, devido à conveniência e preparação rápida. Em valor, segundo a pesquisa, os gastos são similares entre as duas turmas, sendo o segundo grupo o que paga mais pelo café, devido às cápsulas terem um preço mais alto por quilo.

Outro ponto relevante da pesquisa é em relação ao baixo conhecimento do consumidor sobre as certificações. Como são pouco valorizadas na embalagem, a melhor comunicação poderia auxiliar na decisão da compra. Para a diretora-executiva da BSCA, Vanusia Nogueira, "uma maior difusão de certificações é necessária para educar o consumidor no longo prazo sobre o que significam, seus benefícios e a diferença entre elas”.

Em contrapartida, as regiões produtoras são hoje mais conhecidas do que as certificações. Porém, segundo dados apurados, também é necessário um trabalho efetivo para mostrar ao consumidor o selo da região e qual é o diferencial em ser uma Indicação Geográfica.

Cafeterias no Brasil


De acordo com as definições adotadas pela Euromonitor, o perfil de estabelecimentos é dividido em três categorias: especialistas, não especialistas e outras cafeterias premium, o número total de cafeterias no país é de 13.095. Destes mais de 13 mil estabelecimentos identificados: 66% são independentes e 34% são franquias.

Na definição da pesquisa, no grupo de especializadas estão estabelecimentos (franquias ou não) que possuem o café como seu principal produto, as não especializadas são estabelecimentos (franquias ou não) que não possuem o café como seu principal produto, porém obtém parcela significativa do faturamento com ele e outras cafeterias premium, que são as que não possuem um produto específico como principal, por exemplo, padarias.

Neste levantamento identificou-se que os grandes potenciais para o crescimento das cafeterias são em cursos, presença de métodos diferentes de preparo do café e variadas origens do café. Porém, com o crescimento da oferta de cafés especiais em grandes redes, as cafeterias devem focar na experiência como diferencial. A pesquisa destaca que os tipos de preparos, origem, conhecimento do café, barista profissional e microlotes podem trazer diferenciais para o estabelecimento, assim como próprios cursos e outros conteúdos.

Na metodologia da Euromonitor foram realizadas visitas, dentre elas na Semana Internacional do Café 2017, em Belo Horizonte, em outubro. Para o diretor da Café Editora, Caio Alonso Fontes, “é de grande importância realizar esse levantamento do mercado de cafés especiais para entendermos o futuro e pensarmos em como apresentar melhor e com mais eficiência este conceito ao consumidor final”.

Dentre as indicações da pesquisa também há a preocupação com o uso da palavra especial como adjetivo e a falta de clareza do consumidor do que é o termo correto. Para a BSCA identifica-se então que um trabalho de educação do consumidor seria importante para regulamentar o uso. A certeza é de que os dados desta primeira pesquisa sobre o setor auxiliarão em muito quem trabalha neste mercado a entender os próximos passos. 

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