Do arábica para o conilon. O produtor Gerson Santana, 45, vive na realidade do café desde que se entende por gente, mas nos últimos anos tomou uma decisão que espantou os vizinhos. “Passei para o conilon há 5 anos, porque o arábica produz bem um ano sim e outro não. O conilon praticamente todo ano tem colheita regular”, relata.
Altitude
O Sítio Santana fica a cerca de 700 metros de altitude e os grãos são colhidos na propriedade Gerson entre maio e junho. “É rápido porque assim que madura a gente já colhe”, explica. Mas, nem sempre o diferencial da altitude foi visto como trunfo para o produtor. “Antigamente achavam que conilon tinha que ser mais baixo. Me diziam que não dava nessa altitude e me chamavam de doido. Hoje já tem mais gente pensando em mudar, também”.
Passada a mudança, hoje Gerson tem motivos para comemorar. O produtor foi o campeão da categoria cereja descascado do XIII Concurso Conilon de Excelência Cooabriel. A lavoura dele fica no município de Mantenópolis, na região noroeste do estado do Espírito Santo – maior produtor de conilon e o mais castigado por uma seca que teve início de 2013.
Apesar dos desafios, o produtor que nasceu no município e foi criado por pais produtores afirma que cultivar o café com carinho ainda é o que faz a diferença. “Não tem segredo. O negócio é a gente trabalhar na hora certa, não deixar de cuidar durante o dia”, afirma. “Aqui nessa região a altitude ajudou. No dia do concurso eles diziam exatamente isso”, completa Gerson, que também aponta a boa adubação regular e a temperatura como fatores de qualidade.
No concurso, 22 sacas formaram o lote premiado. Na safra 2016 o produtor obteve um total de 136 sacas de 60 kg. “Fazemos colheita manual e estou na lavoura pelo menos desde as 7h”, revela ele que utiliza terreiro comunitário para secar os grãos. O café campeão foi secado também através de estufa.
Os quatro hectares de café plantado no Sítio, são 100% irrigados. “Eu estou nos arredores da nascente do Rio São José”, explica o produtor que mantém área de 1 hectare de reserva na propriedade, buscando preservar o ambiente local. Mas e a seca? Gerson conseguiu manter, dentro do racionamento, sua irrigação. “Temos uma represa aqui, com dimensões de 15x70m. Ela deve ter 40 anos, já estava aqui quando comprei as terras. Por isso, conseguimos irrigar, mas o nível estava baixando. Nesse segundo semestre estava quase sem água”.
Sítio Santana tem no total de 13,6 hectares e o produtor pensa em plantar pimenta do reino e maracujá. “Hoje, a gente não está investimento em nada por causa da falta de chuva”, conta. Ainda assim, o produtor sonha com tempos melhores e já planeja replantar os sete mil pés que não teve neste ano.