Negócio de café premium cresce na Argentina apesar da baixa no consumo

Consumidores cada vez mais sofisticados e ávidos de provar novos sabores, incentivam venda de cafés de qualidade.

Publicado por: CaféPoint

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Com o consumo em baixa, o negócio do café premium na Argentina se converteu em uma exceção e continua em crescimento. Com consumidores cada vez mais sofisticados e ávidos de provar novos sabores, cresce a venda de cafés de qualidade, cafeterias especializadas, a profissionalização dos baristas e o negócio de cápsulas para consumo em casa.

“Há uma revalorização do artesanal, da qualidade, do cuidado das matérias-primas e a importância dos processos que fazem um produto que poderia ser uma commodity, não seja. Embora haja na Argentina uma arraigada tradição de encontro ao redor do café e uma grande quantidade de cafeterias, a qualidade sempre esteve em segundo plano. “O café especial começou a ter mais relevância nos últimos anos e, ainda que siga sendo um nicho, está se expandindo”, disse o torrefador de café de qualidade, Agustín Quiroga, que foi uma das referências da feira “Exigí Buen Café” que reuniu especialistas e consumidores em Buenos Aires. Ele advertiu que, apesar do crescimento do café especial, no entanto, a maioria dos consumidores está acostumada com o café torrado, que parte dos grãos “de baixa qualidade são torrados com açúcar, justamente para mascarar essa origem ruim”.

Entre os fatores que impulsionaram nos últimos anos o crescimento do mercado de café premium está a chegada da cadeia Starbucks, que impulsionou a moda e atraiu um público mais jovem e o crescimento do mercado de café de cápsulas, com marcas como Nespresso e Dolce Gusto, da Nestlé.

O mercado de cápsulas está crescendo exponencialmente. Ainda que não divulguem dados de 2014, a Nestlé afirmou que, no ano passado, no varejo, o faturamento foi de mais de US$ 78 milhões e a categoria cresceu em 66% em volume. Em 2014, segue o crescimento. “Vemos como a grande exceção à baixa do consumo que se registra em outras categorias”, disse Valeria Rodríguez Pardal, gerente de marketing de negócios de café da Nestlé. “Vemos que o consumidor está disposto a inovar, a romper com os mitos de que o café se toma no inverno e que é somente o café puro (preto)”.

Apesar de 74% dos argentinos consumirem café de maneira habitual, segundo um estudo do GFK, nos últimos anos desenvolveu-se a cultura e o hábito de consumir produtos de qualidade. “A Nespresso foi uma das peças chave nesse mercado, porque redefiniu o hábito de café, convertendo-o em uma experiência gourmet”, disse a empresa que chegou à Argentina em 2006.

Para Federico Luis, representante do café italiano Illy no país, a tendência de tomar cafés de mais qualidade cresce. “A demanda que temos hoje é muito superior a de oito anos atrás. Vemos crescendo em 30% anualmente. Há uma baixa geral no setor gastronômico, mas no caso do café, vemos um crescimento”. O café Illy está composto por nove grãos diferentes e se vende em supermercados, com um preço de 190 pesos (US$ 22,59) a lata de 250 gramas.

“O negócio cresce em quantidade de baristas, de cápsulas, de cafeterias, que tratam de se adaptar à demanda do consumidor. Aparecem os produtos artesanais que buscam fazer blends únicos”.

Para Quiroga, o futuro do café de qualidade é muito promissor. “O café de qualidade está se fortalecendo, lenta, mas solidamente. Cada vez há mais gente que quer aprender, formar-se, explorar, que se apaixona. O compromisso com qualidade, tanto de quem produz, processo, prepara e vende, como de quem consome, é um caminho de ida. Há um alto grau de fidelidade”.

A reportagem é do http://www.cronista.com / Tradução por Juliana Santin 
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