Alta dos insumos eleva o custo de produção do café

O Custo Operacional Total (COT) de produção do café acumula alta de 51% na comparação entre novembro de 2007 e julho de 2008. Apenas com fertilizantes, o impacto isolado no COT é de 17,18% no período. De acordo com a assessora técnica da Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Alinne Christóffoli, os insumos são os agentes de maior impacto nas atividades agrícolas do país.

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O Custo Operacional Total (COT) de produção do café acumula alta de 51% na comparação entre novembro de 2007, quando começou a pesquisa, e julho de 2008. Apenas com fertilizantes, o impacto isolado no COT é de 17,18% no período. De acordo com a assessora técnica da Comissão Nacional de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Alinne Christóffoli, como nas outras commodities, os insumos são os agentes de maior impacto nas atividades agrícolas do país.

Outra fonte de impacto na cafeicultura é a mão-de-obra, que afeta ainda mais as regiões montanhosas na qual não é possível realizar a colheita mecanizada. Para a assessora, com a utilização de máquinas na colheita os custos podem ser menores, mas, ainda assim, oneram muito a renda dos produtores. "Os custos, entretanto, devem sofrer alguma queda em função das colheitas estarem chegando ao final", salientou.

Os dados indicam que em regiões mais montanhosas como Santa Rita do Sapucaí e Três Pontas (Sul de Minas), os preços pagos aos apanhadores de café são os mais altos do estudo Ativos do Café da CNA. Para preencher uma saca de 60 quilos de café são necessários 500 litros do grão que são colhidos direto das lavouras.

Em Santa Rita do Sapucaí, o preço médio do litro coletado é de R$ 0,15, enquanto que em Três Pontas o valor está em R$ 0,13 por litro. Quando comparado com Patrocínio, que apresenta topografia favorável à utilização de máquinas para colheita, o preço por coleta do litro do grão é de R$ 0,09. Nas regiões montanhosas, a busca dos cafeicultores por apanhadores de café tende a pressionar o preço pago pelo trabalho realizado.

Quebra

Como se não bastasse o aumento dos custos tanto de mão-de-obra quanto de insumos para o segmento cafeeiro, esse setor ainda está enfrentando problemas de quebra em função das últimas chuvas de granizo ocorridas em Minas Gerais no decorrer deste mês, considerou a assessora.

Em cidades como Manhumirim (Zona da Mata), os produtores estão gastando cerca de 7,64 sacas de café para comprar uma tonelada de fertilizantes. Em Santa Rita do Sapucaí, 6,42 sacas e em Três Pontas, 5,81 sacas pela mesma tonelada.

De acordo com a assessora, a quantidade de sacas gasta para comprar o mesmo volume de fertilizantes, em novembro do ano anterior, demonstra o peso dos insumos na cafeicultura. Em Manhumirim eram 4,5 sacas; Santa Rita, 4,84 sacas e Três Pontas, 4,63 sacas de café para cada tonelada de fertilizantes adquiridos.

Para Alinne, a rentabilidade tem diminuído para os produtores que não conseguem valores maiores pela saca de café. Por isso, esse cenário de altas nos custos ainda é muito incerto para arriscar prever como o mercado poderá reagir nos próximos dias. "Os custos de produção estão em torno de R$ 300 enquanto que a saca tem preço médio de R$ 240, ainda caindo sobre ela perdas de 2% a 3% com frete, sacarias e beneficiamento", destacou.

Segundo a assessora, o cenário para a cafeicultura não é dos mais otimistas, pois os custos continuam aumentando e, durante a colheita, não há como reduzir os custos para desonerar um pouco a renda dos produtores. A matéria, de Rodrigo Moinhos, foi publicada no Diário do Comércio, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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João Carlos Remedio
JOÃO CARLOS REMEDIO

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/09/2008

Acredito que os envolvidos na produção de café se enquadram em uma das quatro categorias:

Primeira: aqueles que produzem café usando a própria família, não computando salários, encargos trabalhistas, enfim, sem nenhuma segurança.

Segunda: aqueles que retiram dinheiro ganho honestamente em outra atividade, com fonte declarada e comprovada, sabendo de onde vem cada centavo enterrado em sua lavoura. Felizmente eu me enquadro aqui, não sei até quando.

Terceira - a grande maioria: pessoas que vivem exclusivamente da atividade, procurando andar dentro da lei e cuidando de sua lavoura da melhor maneira possível, pois é sua principal fonte de renda.

Quarta: uma minoria que tem usado a cafeicultura apenas para lavagem de dinheiro de origem obscura, não precisando comprar bilhetes de loterias premiados. Essa categoria existe porque em nosso país, a origem da fortuna na maioria das vezes não precisa ser explicada.

Mas, se referindo à maioria que depende diretamente do café, é de dar dó, estão apenas brincando de rolar dívidas. Pena que por aqui não existe um Fed para ao menos maquiar nossa crise. É muito triste!