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Cafeicultores seguram vendas até que os preços do produto subam

PRODUÇÃO

EM 11/12/2017

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Da redação

Os cafeicultores dos dois principais países produtores  do mundo, Brasil e Vietnã, estão segurando vendas até que os preços do grão subam novamente no mercado. De acordo com a agência internacional de notícias Bloomberg, os preços de café arábica de melhor qualidade já caíram 8% no ano e os de conilon 18%.

Foto: Café Editora
                                               Foto: Café Editora

Segundo o gerente geral da Dakman, uma joint venture da trader de commodities ED&F Man Holdings Ltd, Jonathan Clark, os agricultores têm café, mas não gostam dos preços porque eles estavam mais altos no ano passado. O produtor brasileiro João Luis Carneiro Vianna, está segurando metade da colheita deste ano, de cerca 1300 sacas de 60 kg, mais do que os 30% que seriam habituais no período, por conta dos baixos preços do produto. Ele só deve retomar os negócios quando os preços voltaram para R$ 500,00 a saca.
Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) os embarques do país nos últimos meses estão baixos: as exportações do grão verde tiveram queda de 10% em novembro ante o mesmo período do ano anterior, com 2,7 milhões de sacas de 60 kg.

No Vietnã, maior produtor de conilon a nível global, a realidade é parecida. O cafeicultor Hoang Thi Thom, de uma das principais províncias do país, estimou para a Bloomberg que vendeu apenas uma pequena parte das quase sete toneladas (mais de 100 sacas de 60 kg) que espera nesta temporada: "nós sofreríamos uma grande perda se vendêssemos o café a esse preço muito baixo". 
De acordo com a agência internacional, essa reticência de cafeicultores mais capitalizados pode prejudicar as apostas dos especuladores de que um excesso de produção enfraqueceria ainda mais o mercado. Expectativas de uma safra vietnamita maior neste ano e colheita abundante em 2018 no Brasil, com chances de recorde, ajudaram na queda dos preços. Essa alta produção nos países, no entanto, deverá ser utilizada para reabastecer os estoques de passagem que estão bem baixos.

"Esses são dois dos países onde os agricultores são mais sofisticados", disse o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), José Sette, para a Bloomberg. "Os atuais níveis de preço não são tão atraentes para os agricultores. Não há entusiasmo para vender rapidamente". 

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