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Estimativa de produção de café pela Conab pode ficar aquém do necessário

postado há 1 dia atrás

15 comentários
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Boletim semanal Escritório Carvalhaes - ano 84 - n° 38
Se quiser consultar boletins anteriores, clique aqui e confira o histórico no site*
Santos, sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Na última terça-feira (19) uma agência meteorológica divulgou que as chuvas esperadas para o final deste mês e início de outubro nas regiões produtoras de café no sudeste brasileiro, bastante castigadas pela forte seca e temperaturas médias altas para a estação de inverno, poderiam ser um pouco mais intensas do que o até então esperado pelos meteorologistas. Foi o suficiente para que operadores e especuladores invertessem rapidamente suas posições na ICE Futures US em Nova Iorque, depois de terem realizado lucros levando as cotações dos contratos de café até o patamar de US$ 1,40 por libra peso.

Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
                                   Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia

Esse tem sido o comportamento dos contratos em Nova Iorque, comandados sempre por interesses de curto prazo. Sobem até bater em um ponto de resistência (na segunda, dia 18, já tinham encontrado resistência e fechado com baixas ao redor dos 100 pontos) para então os operadores encontrarem um “fato novo”, virarem rapidamente suas posições e derrubarem os preços até um nível em que encontram suporte e dificuldade para derrubarem mais. Ficam então atentos para ao primeiro indicativo de seus programas inverterem novamente suas posições.

Na última sexta-feira (22), os contratos na ICE oscilaram entre pequenas baixas e altas e fecharam com perdas de 55 pontos nos contratos com vencimento em dezembro próximo. Na semana esses contratos acumularam perdas de 695 pontos.

Na quinta-feira (21), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou a sua terceira estimativa para a atual safra brasileira de café. Segundo a instituição, a produção deverá ficar em 44,77 milhões de sacas de 60 kg, com 34,07 milhões de sacas de arábica e 10,71 milhões de sacas de conilon (veja mais detalhes em nosso site). Os operadores ignoraram essa estimativa. Esses números, se confirmados, representariam uma posição bastante difícil para o mercado brasileiro e mundial. Os estoques governamentais brasileiros zeraram pela primeira vez na história e uma safra brasileira de 44,77 milhões de sacas não conseguiria atender nossas exportações e o consumo interno.

Mesmo que nossas exportações neste novo ano-safra, que se iniciou em julho, caiam para o patamar de 33 milhões de sacas, se somarmos com um consumo interno de 21 milhões, seriam necessárias 54 milhões de sacas para cumprir esses compromissos. Para manter os preços represados, os operadores trabalham com a expectativa de uma safra maior que a estimada pela Conab, imaginam que ainda exista estoque da safra 2016 em mãos de produtores e falam em uma super safra brasileira em 2018. Como não existe reação e organização por parte do governo brasileiro e lideranças da produção, esse cenário vai se impondo, os preços represados e os cafeicultores, principalmente os pequenos e médios, obrigados a vender em bases que não cobrem seus investimentos e custos de produção.
Repetimos que é necessário adotar uma política nova que permita aos cafeicultores brasileiros venderem o resultado anual de seu trabalho e investimentos a preços justos.

Até o dia 21, os embarques de setembro estavam em 1.006.007 sacas de café arábica, 12.632 sacas de café conilon, mais 105.095 sacas de café solúvel, totalizando 1.123.734 sacas embarcadas, contra 878.122 sacas no mesmo dia de agosto. Até o mesmo dia 21, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em setembro totalizavam 1.599.272 sacas, contra 1.507.958 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 15, sexta-feira, até o fechamento da sexta-feira, 22, caiu nos contratos para entrega em dezembro próximo 695 pontos ou US$ 9,19 (R$ 28,73) por saca. Em reais, as cotações para entrega em dezembro próximo na ICE fecharam no dia 15 a R$ 583,20 por saca, e dia 22, a R$ 555,96 por saca. Ainda no dia 22, nos contratos para entrega em dezembro a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 55 pontos.

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Comentários

Antonio Fernando Baccetti

Guaxupé - Minas Gerais - CONSULTOR EM ARMAZENAGEM
postado em 30/09/2016

Prezado Nelson;
Uma consideração sobre armazéns cheios ao final da safra!
Ao longo dos últimos 5 anos o armazenamento de café deixou de ser exclusivamente em sacas de 60 quilos e passou a ser em big bags, em sua maioria, e ou a granel.
Este ano podemos dizer que a maioria dos armazéns utilizou big bags, cuja consequência imediata foi a redução de capacidade em aproximadamente 60%.
Esta redução foi em razão da falta de planejamento de todos os operadores, que substituíram pilhas de café que chegavam a ter 8 metros de altura, por pilhas de big bags que possuem no máximo 3,8 metros de altura.
Fica assim explicado a falta de espaço e os armazéns cheios!!
Grande abraço

Baccetti

Carlos Alberto de Carvalho Costa

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 13/12/2016

Parabéns ao Escritório Carvalhaes, que está brigando junto com alguns outros grupos contra esse famigerado Drawback, parabéns também ao deputado Evair Melo, que junto com outros deputados e senadores lutam incansavelmente contra a indústria, que sem pensarem em um futuro próximo estão querendo matar a galinha de ovos deles

Tarcísio Americano Barcelos

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 25/04/2017

Para o mero especulador é altamente interessante a volatilidade dos preços

Elder G. Baldon

Nova Venécia - Espírito Santo - Produção de café
postado em 25/04/2017

Sabe o que não entendo, esses caras, produzem café, Torrance café, só focam jogando de lá para cá papel.nós somos bobão mesmo, não conseguimos cortar essa dependência Via de escrava.

Paulo Peccini

OUTRA - Espírito Santo - Produção de café
postado em 31/05/2017

Imagino que o senhor Ministro Blairo Maggi não deve entender de produção de café, muito menos quanto aos riscos que essa importação pode trazer. Está dando declarações visando somente a indústria e esquecendo os produtores. Precisamos que as forças políticas favoráveis fiquem atentas pois o cargo de ministro é passageiro e a cafeicultura não.

willian trevizan

Araguari - Minas Gerais - Produção de café
postado em 01/06/2017

Já não chega o bicho mineiro que não dá sossego, agora estes políticos que não existe combate além do tempo para esta praga...lástimável...

LUIZ ANTONIO GOBEL

OUTRA - OUTRO - Produção de café
postado em 02/06/2017

Temos  que levar em conta o momento político do pais, que é totalmente desfavorável. Segundo: não existe uma política séria para a cafeicultura. Está em andamento, mas ainda sem resultados, apesar de estarmos em começo de safra . O que não podemos deixar é que os especuladores mandem neste mercado. O agricultor deve estar mais unido  agora e só vender quando o preçofor favorável e cobrar dos nossos políticos ações mais imedatas ao nosso favor. 


Geraldo Garcia de Meireles

Goiânia - Goiás - Provador de café
postado em 31/07/2017

Na falta de graves intempéries climáticas (secas e geadas), o que sempre provocou  oscilações no mercado de café foram, sem dúvidas, os boatos sobre previsões de safras e estoques remanescentes. Antigamente, um senhor lá de fora mentia descaradamente fazendo prognósticos de safras cafeeiras sem sair do seu país e tinha uma credibilidade incrível. Bem, aquele já não apita mais nada e hoje vivemos um momento tecnologicamente bem aparelhado, logo não deve ser tão difícil uma aproximação de números reais. A lei de oferta e procura nunca será revogada, mas que haja transparência nas informações e que as lideranças atuem de fato na defesa dos interesses justos da nossa tão sofrida cafeicultura.

Jose Eduardo Bicudo

Serra Negra - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 16/08/2017

Bom dia!
Acredito que a disposição de compra das exportadoras de café não é o suficiente para fechar bons negócios, pois em minha região temos os melhores cafés arábica do Brasil.
Esperamos melhores preços (R$ 580,00) para continuarmos a produzir e sobreviver.

eduardo

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 22/08/2017

O custo da saca de café por R$ 450,00 é muito bem feito, devido a quebra da safra. Vocês querem matar a galinha dos ovos de bronze. 

Marta da Silva Ferreira

Guaxupé - Minas Gerais - Produção de café
postado em 28/08/2017

Politicamente desgovernados, completamente impotentes diante do descalabro de preços que - só não vê quem não quer - são uma afronta ao produtor.  Vamos, ano após ano, amargando a falta de uma política séria, eficaz e competente.
Chegará o dia em que nós, produtores, poderemos dizer que o preço de venda de nosso produto é "x"? Baseado na verdade do nosso custo de produção? Desafiando quem está atrás de alguma mesa (chiquérrima) a honrar e respeitar nosso trabalho? Quero viver o bastante para ver isso... Enquanto isso, engulo à força vender barato para garantir o crédito, garantir a honra, garantir a migalha que proverá a árdua batalha de garantir a lavoura do ano que vem.

alexandre castro cambraia

Oliveira - Minas Gerais - Produção de café
postado em 06/09/2017

Tenho 38 anos e acompanho meu pai na cafeicultura desde pequeno. Estando há 12 anos na atividade como produtor, posso afirmar que os problemas e discursos são os mesmos há pelo menos 30 anos. 
Existe algum Deus capaz de modificar a situação? Ou nós, brasileiros, vamos finalmente enxergar que ser um país vendedor de commodities é o mesmo que ser um país escravo e fadado à pobreza e ao fracasso?
Devemos nos capacitar e nos industrializar, tornando o Brasil o maior fornecedor de café torrado do mundo!!!!

Julio Pedreira Pasandin

Monte Alto - São Paulo - Produção de café
postado em 08/09/2017

Para que ocorra o que o Sr.Alexandre Castro Cambraia colocou (e que está bem fundamentado), necessitamos de uma política drástica de exportações que determine a saída do café como produto industrializado e não como commodity. Para isso, teríamos que ter um parque industrial a altura, bem como marketing adequado e logística também. Seria um sonho, estaríamos quebrando com alemães, italianos, americanos, que vivem desta maravilhosa bebida correndo risco zero.

M j silva

Linhares - Espírito Santo - Produção de café
postado em 11/09/2017

É complicado...
Todos nós queremos uma melhoria, uma luz para tal problema, porém, diante de tanta desgraça na política, ficamos sem saber se teremos esses dias de glória ou se seremos para sempre escravos da má gestao que segue acomodando malas e malas para o seu próprio benefício. 

JUSCELINO FERRAZ DE ARAUJO

Guaxupé - Minas Gerais - Produção de café
postado em 19/09/2017

Essa é a realidade do produtor, cooperativa e indústria, faturando alto  - e muito alto - em cima do pobre cafeicultor. Trabalhar ganhando fácil, em salas climatizadas e viagens aos melhores lugares do mundo, esses são os nossos defensores? Até quando vamos aguentar?
Produtor, vamos nos reorganizar, senão...

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