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Cafeicultores não aceitam o patamar de preços oferecido pelo mercado

postado há 2 dias atrás

7 comentários
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Boletim semanal Escritório Carvalhaes - ano 84 - n° 29
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Santos, sexta-feira, 21 de julho de 2017

Estamos passando por uma entrada de safra atípica. O mês de julho caminha para o final e não existe pressão vendedora. A colheita do café arábica já passou da metade em todas as principais regiões produtoras do Brasil e a de conilon está ainda mais avançada. Os produtores estão com as atenções voltadas para a colheita e benefício de seus cafés e não mostram interesse em vender nas bases oferecidas pelos compradores. Vendem o mínimo necessário para fazer frente às despesas mais próximas.

Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
                                  Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia 

À medida que os trabalhos de colheita e benefício avançam, cresce a preocupação dos cafeicultores com a quebra na renda, volume menor de grãos de peneiras mais altas, 17 e 18, e porcentagem maior de frutos brocados. Esse quadro de safra menor do que esperavam, com menos peneiras e mais grãos brocados, leva o produtor a não aceitar o patamar de preços oferecido pelo mercado.

O aumento do custo de produção, defensivos à frente, deteriora ainda mais a situação da cafeicultura. Como se não bastasse, na última sexta-feira (21) o governo federal aumentou os impostos PIS e Cofins para os combustíveis. A decisão representará um aumento imediato de preços nas bombas de cerca de 8%, conforme previsão oficial. Esse forte aumento em plena colheita, jogará os custos do cafeicultor ainda mais para cima. Impacta na colheita, no benefício, no transporte e na armazenagem da nova safra.

A contínua queda do dólar frente ao real é outro fator que dificulta os negócios no mercado físico brasileiro. Desde a máxima de R$ 3,3836 do dia 18 de maio, o dólar já acumula perda de 7,60%. Em dez pregões consecutivos de baixa, a cotação perdeu 5,28%. É a mais longa série de baixas desde 2010 e está entre as quatro mais duradouras de toda a história do real (fonte: jornal Valor Econômico).  
A forte frente fria que subiu do sul do Brasil nos últimos dias 18 e 19 foi realmente uma das maiores dos últimos 50 anos e só não atingiu com força os cafezais do norte do Paraná, São Paulo e Minas Gerais devido ao tempo nublado e de uma linha de instabilidade no sul e leste de São Paulo, que se estendeu até o sul de Minas Gerais, evitando temperaturas mais baixas e geadas nas regiões produtoras de café. Foi por pouco.

Coincidentemente, essa perigosa frente fria subiu no mesmo dia em que 42 anos atrás, no dia 18 de julho de 1975, tivemos a maior geada do século 20 sobre os cafezais brasileiros. Arrasou o Paraná e atingiu com força São Paulo e sul de Minas Gerais. Trouxe enormes prejuízos e levou a uma mudança radical no eixo produtor de café no Brasil.

Mesmo com o sério quadro descrito acima e o Brasil com seus estoques de café zerados, as cotações do café oscilaram pouco esta semana na ICE Futures US. Fundamentos do mercado físico influem pouco nas decisões dos operadores em Nova Iorque, cada vez mais focados em seus programas comandados por algoritmos. Os contratos com vencimento em setembro próximo acumularam alta de 285 pontos no período.

No mercado físico é grande a resistência dos produtores em vender nas bases atuais. Já se nota um estreitamento dos diferenciais nas novas ofertas que chegam do exterior.

A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 7.294.945 em 30 de junho de 2017. Uma alta de 180.422 sacas em relação às 7.114.523 sacas existentes em 31 de maio de 2017.

Até dia 20, os embarques de julho estavam em 783.486 sacas de café arábica, 11.867 sacas de café conilon, mais 99.548 sacas de café solúvel, totalizando 894.901 sacas embarcadas, contra 1.084.922 sacas no mesmo dia de junho. Até o mesmo dia 20, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.223.735 sacas, contra 1.593.133 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 14, sexta-feira, até o fechamento do dia 21, subiu nos contratos para entrega em setembro próximo 285 pontos ou US$ 3,77 (R$11,83) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 14 a R$ 562,94 por saca, e, na última sexta-feira, a R$ 566,63 por saca. No dia 21, nos contratos para entrega em setembro, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 155 pontos.

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Comentários

Antonio Fernando Baccetti

Guaxupé - Minas Gerais - CONSULTOR EM ARMAZENAGEM
postado em 30/09/2016

Prezado Nelson;
Uma consideração sobre armazéns cheios ao final da safra!
Ao longo dos últimos 5 anos o armazenamento de café deixou de ser exclusivamente em sacas de 60 quilos e passou a ser em big bags, em sua maioria, e ou a granel.
Este ano podemos dizer que a maioria dos armazéns utilizou big bags, cuja consequência imediata foi a redução de capacidade em aproximadamente 60%.
Esta redução foi em razão da falta de planejamento de todos os operadores, que substituíram pilhas de café que chegavam a ter 8 metros de altura, por pilhas de big bags que possuem no máximo 3,8 metros de altura.
Fica assim explicado a falta de espaço e os armazéns cheios!!
Grande abraço

Baccetti

Carlos Alberto de Carvalho Costa

Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 13/12/2016

Parabéns ao Escritório Carvalhaes, que está brigando junto com alguns outros grupos contra esse famigerado Drawback, parabéns também ao deputado Evair Melo, que junto com outros deputados e senadores lutam incansavelmente contra a indústria, que sem pensarem em um futuro próximo estão querendo matar a galinha de ovos deles

Tarcísio Americano Barcelos

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 25/04/2017

Para o mero especulador é altamente interessante a volatilidade dos preços

Elder G. Baldon

Nova Venécia - Espírito Santo - Produção de café
postado em 25/04/2017

Sabe o que não entendo, esses caras, produzem café, Torrance café, só focam jogando de lá para cá papel.nós somos bobão mesmo, não conseguimos cortar essa dependência Via de escrava.

Paulo Peccini

OUTRA - Espírito Santo - Produção de café
postado em 31/05/2017

Imagino que o senhor Ministro Blairo Maggi não deve entender de produção de café, muito menos quanto aos riscos que essa importação pode trazer. Está dando declarações visando somente a indústria e esquecendo os produtores. Precisamos que as forças políticas favoráveis fiquem atentas pois o cargo de ministro é passageiro e a cafeicultura não.

willian trevizan

Araguari - Minas Gerais - Produção de café
postado em 01/06/2017

Já não chega o bicho mineiro que não dá sossego, agora estes políticos que não existe combate além do tempo para esta praga...lástimável...

LUIZ ANTONIO GOBEL

OUTRA - OUTRO - Produção de café
postado em 02/06/2017

Temos  que levar em conta o momento político do pais, que é totalmente desfavorável. Segundo: não existe uma política séria para a cafeicultura. Está em andamento, mas ainda sem resultados, apesar de estarmos em começo de safra . O que não podemos deixar é que os especuladores mandem neste mercado. O agricultor deve estar mais unido  agora e só vender quando o preçofor favorável e cobrar dos nossos políticos ações mais imedatas ao nosso favor. 


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