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Coordenar é preciso, mas não a qualquer custo

BRUNO MIRANDA

EM 27/02/2012

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*Sylvia Saes
*Bruno Varella

 
Uma das principais vantagens de ler o conteúdo de sítios como o CaféPoint é o fato de podermos comparar as opiniões de dezenas de indivíduos envolvidos diariamente com a rotina da cafeicultura. Ademais, os textos aqui publicados oferecem a possibilidade de buscarmos pontos de contato entre diversos pontos de vista, e, algumas vezes, de complementarmos determinada posição.

O presente artigo é inspirado nesse espírito. Mais especificamente, buscamos dialogar com o texto publicado por Juliano Tarabal, intitulado “O ‘X’ da Questão”. Muito nos interessou o apelo ali encontrado, de que é necessário aumentar a integração da cadeia, a fim de suavizar os momentos de dificuldade e planejar o futuro do setor. É justamente sobre este tópico que queremos falar nos próximos parágrafos, partindo da seguinte pergunta: qual é a natureza dessa integração com a qual sonhamos?

Concordamos plenamente com qualquer demonstração de apoio a uma maior coordenação entre os distintos elos da cadeia. Gostaríamos, porém, de fazer uma ressalva ou, melhor dizendo, complementar um ponto que o Juliano não explora tão a fundo. Pois bem, mais integração é melhor para o setor apenas se os seus participantes estiverem plenamente conscientes dos desafios a serem enfrentados e das características do arranjo em que estão inseridos.

Em outras palavras, precisamos nos preocupar com a qualidade da informação que chega a cada um dos agentes da cadeia. O que sentimos na atualidade é que muitos não têm consciência das consequências das transformações ocorridas na cafeicultura nas últimas duas décadas. Não por acaso, teriam dificuldade para inserir-se em qualquer ação coletiva e, ao mesmo tempo, assumir uma postura propositiva. Se fomos tão eficientes da “porteira para dentro”, devemos nos perguntar o porquê essas mesmas pessoas que promoveram tais transformações foram tão tímidas na exploração de novas oportunidades de negócio.

Apesar de uma resposta única não existir – são muitas as variáveis envolvidas -, enxergamos considerável heterogeidade nos resultados colhidos pelos produtores. Em certa medida, essas diferenças se devem à percepção dos indivíduos acerca das oportunidades disponíveis e da natureza do negócio. Graças a um maior nível de informação, foram capazes de utilizar as ferramentas existentes e, principalmente, propor novas saídas. Ora, é isso o que queremos: que um número crescente de produtores, por exemplo, possa utilizar a sua imaginação e ajudar a transformar a cadeia.

Esperar que todos os agentes tenham a mesma informação é ilusório. Entretanto, se conseguirmos que estes possuam ao menos um mínimo homogêneo, já teremos dado um grande passo. Uma integração imposta por um pequeno número de indivíduos ou organizações, sejam elas privadas ou públicas, pode ser tão danosa para o setor quanto a “desorganização”. O Brasil, que já possui uma governança relativamente avançada quando se trata de cafeicultura – basta compararmos com outros países, bem mais pobres –, precisa principalmente aprofundar o nível da participação e a construção de consensos.

A fim de assegurar essa dispersão da informação, o mercado pode ser um enorme aliado. Uma das principais vantagens dos mercados “impessoais” – talvez a maior delas – é o fato de permitir a coordenação entre milhões de indivíduos a um custo relativamente baixo. Afinal, não há arranjo melhor para garantir a dissipação de dados relevantes aos agentes. A soma entre um bom funcionamento dos mercados impessoais e o estabelecimento de arranjos inovadores entre os agentes pode contribuir muito para a integração progressiva dos cafeicultores brasileiros às últimas novidades do setor.

Não é segredo para ninguém que oscilações formam a rotina dos mercados, muitas vezes prejudicando alguns de seus participantes. Em certa medida, porém, depende de nós respondermos às oscilações bruscas dos mercados. A natureza do negócio “café” é conhecida de todos os que dele participam, de modo que planejamento de médio prazo é fundamental para o êxito na atividade. Quanto aos movimentos especulativos, concordamos que algo precisa ser feito, embora reconheçamos que uma resposta para essa questão é mais complexa do que gostaríamos de admitir.

Lemos com grande interesse o artigo do Juliano e consideramos que dali nascia uma interessante oportunidade para o debate. Que prospere, assim, o diálogo de ideias entre todos os que desejam um futuro melhor para a nossa cafeicultura. Como diz o título de nosso texto, coordenar é preciso; precisamos discutir, porém, qual a forma como cada um dos participantes desse complexo arranjo participará de sua construção.

 
*Sylvia Saes - Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

*Bruno Varella Miranda- Mestre em Administração pela USP
 

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REINALDO FORESTI JUNIOR

CAMPANHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 29/02/2012

Pediria licença mais uma vez aos articulistas e comentaristas para rememorar com modéstia uma passagem da Biblia quando Jesus reuniu com seus discipulos tres se não me engano e começaram a dialogar e apreenderam com o Mestre os ensinamentos.Em determinado momento um dos presentes soltou uma sábia declaração, no sentido de montarem uma barraca para o Mestre e ficarem eternamente apreendendo os ensinamentos.Qualquer semelhança ~e mera realidade e que tal ficarmos nesta estado quo por muito tempo.É salutar e conquista de otimismo com sintoma de realidade enfrentada.Atc.
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/02/2012

Prezado Juliano,

Agradecemos o comentário e, ademais, por ter iniciado esse debate com o seu texto.
Conforme dissemos, a coordenação é necessária, mas temos que entender qual a sua natureza. Em outras palavras, como a informação chega aos agentes, qual o sentido desse fluxo de informações, o grau de "hierarquização" nesses arranjos.

Além disso, é preciso reconhecer que nem todos os participantes desse complexo setor têm os mesmos interesses, de modo que, mais que homogeneidade, devemos buscar transparência para a resolução dos desafios que enfrentamos. Como conseguir isso? Fortalecendo cada agente participante da cadeia, especialmente com informações, e trabalhando continuamente para a melhora das estruturas de governança que coordenam a nossa convivência.

Aproveitamos o post para reforçar o convite a outros leitores que queiram participar da coluna. O espaço é de vocês!

Atenciosamente,

Bruno Miranda
JULIANO TARABAL

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS

EM 28/02/2012

Prezada Professora Sylvia Saes e Bruno Miranda,

É de grande satisfação que o artigo X da questão tenha despertado o interesse de vocês, principalmente enquanto acadêmicos. Fui aluno da Professora Sylvia na Especialização em Gestão do Agronegócio Café aqui em Patrocinio-MG, e desde antes deste curso eu já era um grande admirador do PENSA, que literalmente pensa o Agronegócio sob o ponto de vista organizacional e revelou grandes nomes como Professor Décio Zylbersztajn, Samuel Giordano, Marcos Fava Neves, Andre Nassar, Sylvia Saes, entre outros importantes nomes no agro brasileiro, que é o que me atraiu e me despertou uma visão muito diferente da minha que era muito técnica.

Quanto ao artigo, sem duvida nenhuma fizemos apenas uma abordagem superficial, pois é um tema bastante complexo, que valeu a reflexão proposta por vocês com relação a coordenação, que sem duvida alguma não deve ocorrer a qualquer custo.

Como vocês ressaltaram, como um setor que avançou tanto dentro da porteira, se repreende ou busca timidamente oportunidades e diferenciação no mercado?

Este é o novo desafio não somente para a cafeicultura como para todo agro brasileiro.

Porque ter um posicionamento tão voltado para a exportação se temos imensas possibilidades de educar o consumidor brasileiro e abrir ou potencializar o mercado interno para cafés de qualidade?

Ao mesmo tempo não devemos negar nossa vocação de agro exportador, mas este país vocacionado deve freqüentar a escola e se especializar para fazer isso como gente grande.

Melhorar a qualidade e buscar uma maior homogeneidade da informação na base produtiva é fundamental. Um ganho em informação, em educação gera melhor entendimento e facilita o trabalhos dos agentes que trabalham pelo desenvolvimento.

Vamos trabalhar pela mudança real de pensamento do Agro Brasileiro!

Vida longa ao PENSA!

Juliano Tarabal
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 28/02/2012

Prezado Carlos Eduardo,

Agradecemos o comentário. Concordamos com as suas palavras, e acho que elas vão ao encontro de nosso título: em muitos casos, uma coordenação estrita viria a um custo proibitivo ou, quem sabe, imposta por um dos elos da cadeia. Dentro do possível é interessante a busca de um discurso homogêneo; sabemos, porém, que há um limite para isso, de modo que mais importante é garantir que todas as partes nessa complexa cadeia tenham plena noção daquilo que está em jogo nas negociações cotidianas.

Atenciosamente

Bruno Miranda
CARLOS EDUARDO COSTA MARIA

ANHEMBI - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 28/02/2012

Muito interessante o tema, só gostaria de assinalar que este alinhamento nas diversas realidades da nossa cafeicultura e ao mesmo tempo atender a uma situação de mercado globalizado, seria necessário uma verdadeira engenharia relacional, já que os agentes que integram toda esta cadeia, não utilizam a mesma cartilha, falo aí desde os fornecedores de insumos até aos tomadores de creditos (sabemos que o pequeno produtor nunca terá as mesmas condições).É muito confortante a idéia de uma homogeinidade de tratamento nesta complexa cadeia sobre o produto café, mas há que superar enormes desafios de ordem estruturais e culturais, por isso é de suma importância o debate que o artigo se propõe.
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2012

Prezado Diogo,

Agradecemos o comentário. Caso outros leitores tenham alguma informação mais precisa acerca do cotidiano do "Certifica Minas", acho que seria muito interessante para a discussão. Da nossa parte, podemos pensar em um texto, no futuro, tratando do tema, com a devida pesquisa necessária.

Atenciosamente

Bruno Miranda
DIOGO DIAS TEIXEIRA DE MACEDO

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO

EM 27/02/2012

Prezados,
Darei um exemplo, mas na verdade não sei direito como funciona, ou deveria funcionar!!! Estou falando do "Certifica Minas", que era para estreitar a relação produtor x torrefador. Vejo muitos produtores se empenhando em "certificar" suas propriedades, mas o elo torrefador ainda não se atreveu a pagar um pouco que seja, a mais por este café certificado, salvo cafés de concursos que funcionam apenas para marketing.
Gostaria que alguém, principalmente os técnicos da EMATER, comentassem sobre como anda o "Certifica Minas" por parte da indústria (leia-se ABIC).
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/02/2012

Prezado Reinaldo,

Agradecemos mais uma vez a leitura atenta do artigo e os comentários. Assim como você, esperamos que todos os artigos publicados no CaféPoint continuem a motivar debates interessantes.

Atenciosamente

Bruno Miranda
REINALDO FORESTI JUNIOR

CAMPANHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/02/2012

Avaliei com 5 estrelas, como não poeria deixar de ser.Parabens. O Prof.Celso Vegro no artigo X da Questão tocou em assunto importante sôbre os contratos que nunca existiram e para livra-se da gangorra dos preços.Comp implantar os mesmos para todas as etapas do manejo da cultura.No aguardo de informações importantes ao assunto em pauta,agradeço e atenciosamente subscrevo-me .