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Sabemos quanto vale. E quanto custa, sabemos?

BRUNO MIRANDA

EM 19/03/2012

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*Sylvia Saes
*Bruno Varella


Ela está na ponta da língua de todos. A cotação do café é uma informação que, atualmente, é detida por praticamente todos os agentes envolvidos na cadeia do produto. De cara, essa conclusão pode soar óbvia; vale lembrar, porém, que nem sempre foi assim. Há apenas algumas décadas, número considerável de produtores tinha uma ideia bastante limitada do funcionamento do mercado. Faltava informação sobre praticamente tudo, e a cotação não era a exceção.

Nesse sentido, é interessante reproduzir as palavras de um produtor rural mineiro. Nas palavras desse indivíduo, cafeicultor familiar, a antena parabólica foi uma benção na vida dos agricultores, já que permitiu a descoberta dos preços de cada cultura. Até então, era preciso esperar que alguém chegasse e informasse. Essa pessoa podia ser um viajante desinteressado – algo raro – ou um comerciante, que, como é de se esperar, geralmente usava essa assimetria informacional em benefício próprio.

Aos poucos estamos vencendo as barreiras que impediam a chegada da informação aos pedaços mais “isolados” do nosso Brasil. Quando usamos o termo “isolado”, com aspas, o fazemos porque consideramos que essa situação se devia muito mais a variáveis econômicas e tecnológicas do que a um determinismo geográfico. As maiores possibilidades oferecidas a milhões de brasileiros nas últimas décadas, somadas ao desenvolvimento recente nas áreas de telefonia e informática, explicam essa progressiva transformação.

Esse texto, portanto, começa com uma boa notícia: ainda que falte muito a ser feito, é cada vez maior o nível de informação do cafeicultor em relação ao mundo ao redor. Abundam dados sobre o mercado, tendências, entre outros assuntos, e uma rápida pesquisa na Internet é capaz de fornecer opiniões valiosas aos interessados. Não é preciso ir muito longe; o surgimento de sítios como o CaféPoint é uma evidência dessa realidade.

Nem tudo são flores, entretanto. Se estamos avançando nessa conexão entre os cafeicultores e o mundo exterior, a impressão é a de que ainda estamos engatinhando quando o assunto é o conhecimento dos limites e potencialidades “da porteira para dentro”. Em outras palavras, o mesmo produtor que conhece as tendências do mercado e é capaz de identificar as cotações do café nos últimos meses não raramente é incapaz de especificar quais são os seus custos.

Evidentemente, a origem de cada uma dessas informações é absolutamente distinta. O preço é resultado da interação de milhões de indivíduos, utilizando-se de estruturas organizacionais e institucionais complexas. O cafeicultor que liga a televisão em busca da cotação do dia talvez não saiba muito bem a razão daquele “número mágico” ter sido apresentado, mas isso pouco importa. O que buscam os agentes, no final das contas, é uma referência.

O cálculo do custo, por outro lado, depende da aplicação de ferramentas pelo próprio cafeicultor. Da mesma forma, exige um esforço de adaptação à realidade de cada propriedade. Enfim, estamos aqui diante de um exercício mais complexo, porém igualmente fundamental. Logo, a pergunta que fica é: até que ponto adianta saber quanto vale, se muitos não sabem exatamente quanto custa produzir o café?
Quais os desafios para tornar a geração de informação no interior das propriedades mais efetiva? Tratam-se de questões que merecem discussão e, quem sabe, outros textos no futuro próximo.
 
*Sylvia Saes - Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

*Bruno Varella Miranda- Mestre em Administração pela USP

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BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/03/2012

Prezado Carlos Renato,

Agradecemos o comentário. Aproveitamos para convidá-lo a participar desse espaço sempre que tiver vontade. Sugestões, críticas, a sua opinião; como sempre lembro, a coluna é de vocês!

Att

Bruno Miranda
CARLOS RENATO ALVARENGA THEODORO

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/03/2012

ESTAMOS PARTICIPANDO DE UMA REUNIÃO DE PRODUTORES DE CAFÉ FAIRTRADE NA FEIRA DO EMPREENDEDOR DO SEBRAE EM BELO HORIZONTE-MG. UM DAS DISCUSSÕES FOI EM TORNO DO PREÇO MÍNIMO DE GARANTIA DOS PRODUTOS CERTIFICADOS FAIRTRADE E A CONCLUSÃO FOI QUE PARA REINVINDICARMOS AJUSTES NO PREÇO MÍNIMO DE GARANTIA TEMOS DE CONHECER MUITO BEM OS NOSSOS CUSTOS. MUITO PERTINENTE SUAS COLOCAÇÕES.
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/03/2012

Prezado Celso,

Concordo que a afirmação "Cafeicultor é um agente econômico racional" deve fazer parte de nossas abordagens. Lembro, porém, que a racionalidade é resultado de uma série de condições oferecidas aos indivíduos que participam do processo econômico. O cafeicultor é apenas mais um agente entre bilhões de outros que interagem no cotidiano econômico, e a sua aderência aos princípios da racionalidade depende do tipo de informação que detém e da sua estrutura de valores (o homus economicus do que o diga...)

Se observamos, por exemplo, o relacionamento de milhões de agricultores familiares com o sistema de crédito, fica mais difícil dizer que a racionalidade predomina. Se as condições de determinados programas são convidativas, por que muitos preferem não recorrer a esses financiamentos? Ademais, essa informação nem chega a muitos deles...

Portanto, eu prefiro assinar a afirmação: quando dotados da informação adequada e norteados por valores condizentes com a hipótese da racionalidade, os agentes agirão dessa maneira.

Att

Bruno Miranda
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 20/03/2012

Prezado Bruno
Ótimo que tenha lido e aprovado o estudo. Conheço o apreço que possui sobre a questão da racionalidade econômica. Também eu compartilho da mesma impressão, porém o estudo que ofereci é probabilístico, não tem como refutar: Cafeicultor é um agente econômico racional". Temos que incluir isso em nossas abordagens.
Vou combinar com a Rafaela para republicarmos o artigo como uma contribuição ao debate. Amanhã cuidarei disso,ok.
Abçs
Celso Vegro
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/03/2012

Prezado Luiz Gustavo,

Obrigado pelas palavras. A intenção do artigo é justamente essa: provocar os leitores, de modo a abrir tópicos de discussão, chegarmos a novos temas de interesse, enfim, essa coluna pertence a todos (as) que a acessam.

Esperamos voltar ao tema em breve...

Atenciosamente

Bruno Miranda
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/03/2012

Prezada Sonia,

Agradecemos a sugestão feita ao CaféPoint e a participação em nosso espaço de discussão. Dúvidas, críticas, sugestões, o espaço é seu.

Atenciosamente

Bruno Miranda
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/03/2012

Prezado Celso,

Obrigado pelo comentário. Li o texto e achei bastante interessante o estudo, principalmente porque, como você disse, vai de encontro ao rumo da conversa proposta com o artigo dessa quinzena. Por sinal, fica a dica: todos os leitores que chegarem agora a essa página se beneficiariam muito da leitura do texto indicado pelo Celso Vegro logo aqui acima. Inclusive, se quiserem trazer esse segundo texto para o debate por aqui, acho que enriquecerá muito a conversa, por apresentar uma versão distinta da história.

Acho que o nosso texto não foi tão hábil quanto poderia no emprego das palavras. Quando usamos o "não raramente" lá no meio, queríamos dizer que ainda há muitos cafeicultores que não têm uma noção boa o suficiente dos custos. Por outro lado, não negamos que há milhares que sim, já o tem. Em entrevistas no interior de Minas Gerais, encontrei inúmeros exemplos dessa falta de informação, embora não tenha, no momento, uma amostra estatística para oferecer. Já vi exemplos semelhantes de desinformação, da mesma forma, em outros setores, como o leite.

Enfim, acho que vale a pena ir fundo no debate: será que todos os desdobramentos esperados do fato de o cafeicultor ser um "produtor econômico racional" são observados na realidade? Não duvido que muita gente responderá "sim" sem pensar duas vezes. Eu prefiro a cautela...

Finalmente, eu tendo a ser crítico ao pressuposto comportamental da racionalidade plena. Embora seja útil em diversos contextos, não é ele que parece guiar uma série de fenômenos de ordem econômica. Este, por sinal, seria um excelente assunto para um debate no futuro.

Atenciosamente

Bruno Miranda

LUIZ GUSTAVO RABELO

VIÇOSA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/03/2012

Boa noite! Excelente provocação.
Tenho a mesma opinião, saber quanto vale é importante, porém saber quanto custa a saca de café da sua empresa, é fundamental.
Acredito que todas as metodologias são validas, o mais importante é o produtor fazer a gestão da sua fazenda, se o produtor já fizer o apontamento correto dos custos variáreis, é um bom começo.
A busca por uma única metodologia é importante, quando se pensa no aspecto de comparação, neste sentido temos o Projeto Educampo/Sebrae, que atende mais de 25 grupos de produtores em todas as regiões de Minas Gerais.
Obrigado Bruno pela abertura deste tema tão relevante.
Att;Luiz Gustavo Rabelo
MARIA SONIA SIGRIST PAZETTI

INCONFIDENTES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/03/2012

seria interessantíssimo se cafepoint dispusesse para os leitores um exemplo de como fazer um custo de produção, de uma maneira bem simples, para que o pequeno agricultor tivesse acesso. Fiz isso com relação a gado de leite. Foi muito proveitoso.
Foi uma adaptação para uma associação que faço parte de micro produtores de café e leite. Grata sonia
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 19/03/2012

Prezado Bruno Miranda
Gostaria de lhe oferecer o artigo:
http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=11990
Acho que vai de encontro as suas preocupações.
Att
Celso Vegro
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/03/2012

Prezado Artur,

Agradecemos o comentário. Achei o seu relato muito interessante, dado que exemplifica bem essa evolução que procuramos mostrar. Em relação aos "custos", acredito que o segredo está no refinamento de determinadas ferramentas que permitam essa homogeneização que você propõe. Já há projetos que buscam, por exemplo, desenvolver ferramentas que permitam a agricultores com menos informação obterem uma projeção de custos capaz de guiar a sua atividade econômica.

Certamente voltaremos a esse assunto no futuro.

Atenciosamente

Bruno Miranda
ARTUR QUEIROZ DE SOUSA

CAMBUQUIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 19/03/2012

Boa questão abordada. Parabéns! Me lembro que quando pequeno, a informação chegava muito devagar. Meu pai conseguia realizar bons negócios, por ser piloto e possuir avião, então quando vinha da cidade, chegava com informação fresquinha, e comprava gado ainda a preços inferiores. Mas isso a muito tempo. A velocidade da informação, bem como a facilidade de seu acesso, é que mudou e muito a favor do homem do campo.
Custos de produção, nunca vi tanta variação, não existe uma padronização de metodologia. Eu utilizo depreciação de máquinas, equipamentos, cultura, uso custos variaveis, custo de oportunidade, e custo de reposiçaõ, mas vejo uma gama de custos que me apavora, seria interessante uma padronização pelo menos do básico, para podermos ter uma linha de pensamento, evidentemente, que existe uma variação danada, entre o café de montanha, o café do cerrado, da Bahia, de Sáo Paulo, do Paraná, enfim das zonas de produção brasileira.