FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

OIC: Osorio reitera confiança na previsão da Conab

POR RENATO FERNANDES EU

CELSO VEGRO

EM 28/12/2006

0
0
Em seu relatório sobre o mercado de café em novembro, o Diretor-Executivo da Organização Internacional do Café, OIC, Néstor Osório, chamou a atenção para a alta significativa nos preços do arábica no mês passado, enquanto as cotações do robusta subiram mais levemente, influenciadas, até certo ponto, pela chegada ao mercado da safra vietnamita.

A média do indicador composto da OIC subiu, em novembro, de 95,53 centavos de dólar por libra peso para 103,48 centavos. Sendo que os arábicas tiveram um papel determinante nessa alta. Na NYBOT, que é sensível à situação da oferta dos arábicas, a média para as segunda e terceira posições ultrapassou a marca de 1,20 dólar por libra peso.

Segundo Osorio, a quebra prevista na safra brasileira 2007/08 acentuou o aquecimento do mercado, durante novembro e no início de dezembro, com marcante aumento da volatilidade. O Diretor-Executivo citou a primeira estimativa da Conab que aponta uma safra entre 31,1 e 32,3 milhões de sacas, sendo de 21,3 a 22,4 milhões de café arábica e de 9,8 a 9,9 milhões de robusta (conilon).

Osorio apontou a depreciação do dólar em relação a outras moedas como nociva aos ganhos com as vendas externas de café de uma série de países exportadores. Citando que, entre 4 de janeiro e 4 de dezembro de 2006, o dólar caiu 11,25%, em relação ao euro, e 13,8%, em relação à libra esterlina, diminuindo, com isso, o impacto do aumento nos preços do café.

O movimento dos preços

A média mensal do indicador composto da OIC subiu, em novembro, 8,32%, de 95,53 centavos de dólar por libra peso para 103,48 centavos. Essa tendência, de fato, se acentuou na primeira semana de dezembro. O gráfico 1 mostra as mudanças no indicador composto diário da OIC, desde 1º. de novembro de 2005.


Gráfico 1 - Indicador composto diário da OIC - 1º. de novembro de 2005 a 15 de dezembro de 2006.

O aumento dos preços dos robustas foi leve, mas foi bastante agudo no caso dos arábicas, como demonstra o gráfico 2, que traz o indicador diário para naturais brasileiros, desde agosto de 2006.


Gráfico 2 - Indicador diário para naturais brasileiros - 1º. de agosto a 30 de novembro de 2006.

Fundamentos do Mercado

De acordo com Osorio, os fundamentos do mercado de café aparentemente suportam a atual tendência de alta nos preços. A produção no ano safra 2005/06 totalizou 109,39 milhões de sacas, enquanto o consumo esteve em torno de 116 milhões.

Com o anúncio pela Conab, em 15/12, da revisão para cima da estimativa da safra brasileira 2006/07 para 42,5 milhões de sacas, Osorio revisou sua projeção da produção mundial para cerca de 121 milhões de sacas. O Diretor-Executivo se eximiu de fazer uma previsão para a produção mundial em 2007/08, visto que, as informações dos demais países produtores ainda são aguardadas.

Algumas fontes citam o contínuo volume exportado pelo Brasil, como evidência de que a safra brasileira seria maior que o apontado pela Conab, mas Osorio ressalta que estas vendas também podem ser oriundas de diminuição nos estoques.

O recente anúncio da primeira estimativa da safra brasileira 2007/08, para entre 31,1 e 32,3 milhões de sacas, deve, de acordo com o Diretor-Executivo, fazer com que volte a haver déficit na oferta mundial de café, em relação à demanda (projetada para cerca de 117 milhões de sacas em 2007), continuando a pressionar negativamente os estoques mundiais e levando a altas nos preços. Este déficit deve, no mínimo, ser semelhante ao ocorrido em 2005/06, apesar das condições econômicas mais favoráveis à produção em outros países.

Osorio enfatizou a importância dos níveis dos estoques nos países importadores como uma variável fortemente relacionada aos movimentos dos preços. E reiterou sua confiança na acurácia das estimativas da Conab que, segundo ele, são feitas com mais recursos e sofisticação técnica do que as apresentadas por outras fontes.

Exportações e estoques

As exportações em outubro de 2006 totalizaram 7,06 milhões de sacas, em leve queda de em relação às 7,44 milhões do mês anterior, mas em alta de 16% frente a outubro de 2005.

Durante os dez primeiros meses de 2006, foram exportadas 75,02 milhões de sacas, contra 73,55 no mesmo período de 2005 (tabela 1).


Tabela 1 - Exportações de café, de janeiro a outubro, em milhões de sacas.

Houve elevação na receita das exportações entre 2004 e 2005, o que deve se repetir no fechamento do ano calendário 2006, tendo em vista, os preços maiores praticados neste ano. De fato, a média do indicador composto diário da OIC, nos 11 primeiros meses de 2006, foi de 94,63 centavos de dólar por libra peso, comparada a 89,58 centavos, no mesmo período de 2005.

O volume dos estoques de passagem no início do ano safra 2006/07 nos países exportadores foi de 18,94 milhões de sacas, em queda de 31,15% frente às 27,51 milhões do início de 2005/06. No Brasil, esses estoques foram 43,27% menores (de 17,54 para 9,95 milhões de sacas). A despeito do aumento da produção, a recomposição dos estoques foi muito limitada, devido às exportações e ao consumo interno.

Os estoques de café verde nos países importadores, incluindo os portos livres, são estimados em cerca de 20 milhões de sacas. Os níveis dos estoques certificados nos mercados futuros de Londres (LIFFE) e Nova Iorque (NYBOT) caíram levemente em novembro, de 1,97 e 3,66 milhões de sacas para, respectivamente, 1,88 e 3,62 milhões.

Apesar do ano calendário 2006 ainda não estar fechado, o consumo mundial pode ser estimado em 116 milhões de sacas, contra 115 milhões em 2005. Com o consumo doméstico nos países produtores ficando em torno de 31 milhões e, nos países importadores, em torno de 85 milhões.

Osorio chamou também a atenção para as exportações de países produtores para outros países produtores, que devem exceder 2 milhões de sacas em 2006 e, se assim computadas fossem, elevariam a parcela do consumo doméstico para 33 milhões de sacas.

Conclusão

O Diretor-Executivo conclui indicando que os preços permaneceram firmes em novembro, agitados pela perspectiva da queda significativa na produção brasileira na safra 2007/08, com base na qual, as cotações devem continuar firmes, apesar da depreciação do dólar ter reduzido o valor da elevação dos preços. Com relação aos estoques, sua recomposição nos países produtores não é provável a curto prazo.

Para ler o relatório mensal do Diretor Executivo da OIC na íntegra clique aqui.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.