Celso Luis Rodrigues Vegro

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

Eng. Agr., MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEA-APTA/SAA-SP

03/07/2008

Café: forjado um novo eldorado

O momento atual exige políticas capazes de compensar a mega valorização cambial da moeda brasileira. Desde 2000, as moedas vietnamita e costarriquenha vêm exibindo trajetória de desvalorização frente ao dólar americano, enquanto que o real se aprecia. A comparação com os demais concorrentes patenteia a desvantagem competitiva dos cafeicultores brasileiros, pois os produtores de arábica na Costa Rica e de robusta no Vietnã vivenciam momento de forte enriquecimento, ao contrário de seus concorrentes brasileiros e colombianos.

03/06/2008

Café: fáceis seduções

Nesse momento, de início de preparação do planejamento do próximo ano cafeeiro, mais importante do que combater os custos de produção é apreciar cuidadosamente a sinalização do cenário futuro para as cotações do produto. Efetuadas as devidas conversões, a saca de café seria negociada a R$ 322,64. Sob essas premissas, o cafeicultor deve decidir se é o momento de diminuir a tecnologia empregada ou intensificar o seu uso, pois é possível estimar a margem a ser capturada e se tal percentual é suficiente para auferir rentabilidade positiva à exploração.

09/05/2008

Café: por um confisco às avessas

O Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (FUNCAFE) foi arrecadado durante a vigência da política de confisco cambial. Durante os anos 70 e 80 prevalecia política cambial de desvalorização da moeda nacional, medida utilizada para apoiar o segmento exportador e livrar o país dos constrangimentos externos. O contexto atual é exatamente o oposto daquele em que o confisco foi implementado. Esse fenômeno é bastante perverso para os ativos com cotações em bolsas internacionais, particularmente as commodities agrícolas exportadas pelo Brasil.

03/04/2008

Café: o confronto entre dois mundos

A profunda divergência entre produtores e todo o restante do agronegócio (torrefadores/solubilizadores e exportadores) em torno do drawback café continua sem uma solução em vista. Estudos foram elaborados, debates promovidos e o tema permanece sem adequado tratamento. Impregnou-se no meio rural a idéia de que trazer café verde do exterior para processá-lo internamente visando à reexportação, geraria concorrência com a oferta doméstica contribuindo para a queda de suas cotações. Nada mais falso. É sabido que cada 10.000 sacas de café verde desviadas da exportação para o processamento industrial com foco na exportação, tem condições de gerar 88 novos postos de trabalho. Ora, para um país que se gaba de exportar 26 a 28 milhões de sacas de café verde in natura, poderia, igualmente, vangloriar-se do feito em incrementar em 1 milhão de sacas nas exportações de solúvel e torrado e moído com geração de 10 mil novos empregos a partir da adoção do drawback.

11/03/2008

Café: uma aurora de bem-aventuranças

Ao contrário daquilo que afirmam a maior parte dos analistas do mercado, que reputam à queda nos estoques mundiais e ampliação da demanda os principais componentes para a aceleração das cotações, na realidade, a escalada das cotações vincula-se mais a desvalorização do dólar frente as principais moedas internacionais. Fundos e especuladores, visando proteção a patrimônio depositado buscam nas soft's commodities, refúgio para as perdas de valor da moeda estadunidense. O desafio que ora se impõe para o agronegócio café é o de estabelecer arrojadas metas, como por exemplo, a de exportações totais de café atingindo os US$ 5 bilhões em 2010. Evidentemente, que a elevação das cotações internacionais suporta tal orientação estratégica, porém, o que objetivamente os exportadores, as cooperativas e os solubilizadores, especialmente, poderiam desenvolver visando o alcance dessa receita cambial mesmo que as cotações venham a declinar?

15/02/2008

Café: cotações futuras para o arábica próximas de R$ 350,00/sc?

Considerando a longa série de preços mensais recebidos pelos produtores paulistas de milho e café arábica (de 1954 a 2007), pode-se construir uma paridade de preços entre ambos produtos. Caso esteja correta a hipótese de convergência para o equilíbrio nas paridades entre as mercadorias<sup>5</sup>, o café poderá aguardar cotações acima dos R$ 300,00/sc no curto prazo e acima dos R$ 350,00/sc nos médio e longo prazos. Essa previsão está bastante harmônica com aquilo que os cafeicultores vêem continuamente afirmando, qual seja, a baixa rentabilidade alcançada com o produto comparativamente as outras opções de uso da terra. Os indícios de estagnação na evolução da área cultivada com café no Brasil ratifica o argumento dos produtores, pois a decisão de investimento na ampliação das lavoura está condicionada as taxas de retorno compatíveis com as remunerações alternativas disponíveis no mercado financeiro.

10/01/2008

Qualidade sensorial do café e perfil dos estabelecimentos que servem essa bebida

Na cidade de São Paulo, em termos de qualidade sensorial global da bebida preparada nos estabelecimentos que servem o expresso, há uma concentração das qualidades tradicional e superior com 10% e 11,3% respectivamente. Lamentavelmente, encontram-se 2,3% de estabelecimentos preparando o expresso com qualidade sensorial abaixo do aceitável, fato que prejudica sobremaneira a reputação da bebida, pois os especialistas são unânimes em apontar a elevada qualidade do produto como item essencial para o resultado final da preparação. É inexpressivo o percentual de participação dos cafés considerados gourmet no preparo do expresso, por isso são ainda tão amplas as possibilidades de novos negócios focalizados no produto gourmet.

17/12/2007

Aumento do consumo será o principal fato da economia cafeeira em 2008

Diariamente são consumidas aproximadamente 25 milhões de xícaras de café em São Paulo. Ainda que desconheçamos estudos que quantifiquem o número de xícaras consumidas em outras megalópoles, acreditamos que esse patamar alcançado pela cidade de São Paulo a coloca no maior centro mundial de consumo da bebida. Corroborando essa informação, pesquisadores do IPEA, após aplicarem metodologia mais robusta para o cálculo de elasticidades para os dados sobre consumo alimentar apresentados pela POF 1995-96, concluíram que o café alcança a categoria de bem de luxo, ou seja, exibe elasticidade acima de 1 (mais precisamente, 1,0265), o que significa que para uma variação positiva de renda a procura pelo café aumenta mais que proporcionalmente a esse incremento de renda.

07/12/2007

As paralelas do café

Por vias distintas e após mais de 60 anos de divórcio, o hábito de consumir café e o tráfego pelas ferrovias, presenciam um movimento de reglamurização. A febre que tomou conta dos países europeus, assim que a bebida foi introduzida em meados do século XVIII, retorna agora com ares de requinte e perfeição, implementada por estabelecimentos preocupados com a qualidade e esmero do serviço, conquistando por meio dessa postura, crescente aceitação e preferência dos consumidores, especialmente naqueles cujo carro chefe é o café expresso.

15/10/2007

Café: estariam as cotações refletindo a ausência de precipitações?

A principal vertente explicativa desse aumento relaciona-se ao momento de incerteza do mercado diante da ausência de precipitações significativas nos principais cinturões cafeeiros. Entretanto, outras análises esgrimidas por operadores do mercado financeiro atribuem essa guinada no mercado a condicionantes de outra natureza. Esses analistas vinculam o movimento de alta ao maior interesse dos fundos em ampliar sua exposição em contratos de commodities agrícolas. Tal hipótese encontra sustentação no montante de recursos financeiros que os fundos diariamente movimentam.

18/09/2007

Café: decisões adaptadas às conveniências do pecúlio

Uma política para alcançar suas metas precisa ser composta por três alicerces fundamentais: a) oportunidade; b) abrangência e c) desenho. Ao se debruçar sobre o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor de Café (PEPRO), não se observa sua adequação para qualquer dos atributos listados. No quesito oportunidade, por exemplo, a política falha ao não considerar a dimensão do problema a ser equacionado, ou seja, a safra de 32,6 milhões de sacas deve ser considerada de tamanho capaz de demandar um mecanismo de política agrícola que venha a interferir na estrutura do mercado e, conseqüentemente, na formação dos preços? Certamente não.

23/03/2007

IEA: Crescente exportação de origem pressiona as cotações

As vendas dos países produtores contribuíram para pressionar as cotações dos cafés arábicas em Nova Iorque, com efeito sobre todos os mercados de café durante o mês de fevereiro, aliados aos movimentos especulativos e à realização de lucros dos fundos de investimento. Mesmo no mercado do café robusta, na Bolsa de Londres, a pressão de maior oferta do produto derrubou as cotações que vinham crescentes nos últimos meses.