Sem chuvas significantes, quebra em 2015 pode chegar a 30% no Sul de Minas

Fundação Procafé afirma que clima já projeta perdas para a safra futura. Primeira florada no Sul de Minas corre risco de ser abortada, afirma gerente da CaféPoços.

Publicado em: - 2 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Por Thais Fernandes

O clima seco causou uma quebra de 27% na safra 2014/2015, segundo o que foi registrado pela Cooperativa de Cafeicultores de Poços de Caldas (MG), a CaféPoços. Agora, as altas temperaturas começam a afetar, também, o andamento da lavoura que será colhida no ano que vem. Produtores aguardam chuva antes do início de novembro, para que a primeira florada na safra 2015/2016 não seja abortada.

Segundo o último Boletim Fitossanitário da Fundação Procafé, a região do Sul de Minas teve chuvas abaixo da média histórica durante o mês setembro. As regiões de Varginha, Carmo de Minas e Boa Esperança, observadas pelo estudo, aumentaram o déficit hídrico, totalizando, respectivamente, 198mm, 185mm e 273 mm negativos. O ideal, segundo o estudo é que os níveis de armazenamento de água no solo estejam entre 0 e 100mm. Os últimos dados incluem, ainda, que as temperaturas de setembro ficaram acima da média histórica e já projetam perdas para safra futura.



 
Ilustração produzida pela Fundação Procafé, apontando os diferentes níveis de de armazenamento de água no solo 


Apesar das chuvas registradas no último domingo (19/10) na região sudeste do Brasil pela Somar Meteorologia, a empresa explica que se comparadas com a última semana, onde essas regiões registraram vários recordes históricos de temperatura, a sensação de calor é menor, contudo ainda não foram registrados grandes acumulados.

Segundo Eder Vanucci, gerente comercial da CaféPoços, a primeira florada deve durar mais em torno de 10 dias. “A temperatura está muito alta, existe o risco de não ter pegamento”, explica. “Poderemos ter abortamento da florada e dependendo do andamento do clima, em 2015 as perdas podem chegar a 30%”, aponta o gerente.

O produtor Paulo Flora, da Fazenda Cachoeirinha, como a maioria dos produtores locais, não tem irrigação em sua lavoura. A propriedade existe desde 1943, sempre com o cultivo principal sendo o café. “Na safra 2014, que a gente terminou de colher, percebemos que afetou em 18% de perda, inclusive a qualidade eu também entendo que foi afetada”, conta Flora.

Para 2015 o produtor ainda acha difícil fazer uma previsão. “O pegamento do chumbinho do café e o enchimento de grãos vai depender do que a gente tiver de chuvas daqui pra frente”, pontua.

Ainda de acordo com Eder Vanucci, a temperatura média na região tem vivido níveis extremamente elevados. “Por aqui, geralmente a média é de 24ºC, agora tem chegado a 31ºC”. Este fator tem afetado a produção do grão e a expectativa é de que a chuva possa amenizar o problema. “Eu acho que as chuvas significantes teriam que começar até início de novembro, pelo menos. Se demorar além disso, aí sim já começa a comprometer enchimento e ter abortamento da florada e grãos”, afirma Paulo Flora.
Ícone para ver comentários 2
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Equipe CaféPoint

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.

eli valera nabanete
ELI VALERA NABANETE

MARUMBI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 28/10/2014

Daqui a pouco vao esperar pelas chuvas de março para ver se vai produzir ou nao! Nao sei se eh para rir ou chorar.
augusto comunien
AUGUSTO COMUNIEN

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS

EM 27/10/2014

Eita pessoal otimista! Não concorda com nada de que foi dito!!! Parece que estão fora da realidade.  Minha lavoura esta quase perdida, esta primeira florada foi abortada. Tratos culturais ainda não foi possivel fazer!  Falar em quebra de 30% é uma inverdade. Cafezal e mais cafezal estão morrendo pela falta de chuva. A maior parte dos produtores podaram seus cafezais.. Vem alguém e diz que a quebra vai ser de 30%. Se não chover , não jogo uma grama sequer na minha lavoura. Se houver produção , vai ser em torno de 10% da safra anterior, se houver! Convido o pessoal fazer um tour na região de Três Pontas, para ver as lavouras como estão. Assiste o Sr Marcus na Tv, comentários sensatos e realista.dia25/10.