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Altas doses de gesso (irrigação branca) na formação e produção do cafeeiro

VÁRIOS AUTORES

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 04/11/2010

4 MIN DE LEITURA

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O gesso agrícola é indicado, normalmente, como fonte de cálcio, enxofre e corretivo, reduzindo o alumínio tóxico e carreando bases para camadas mais profundas do solo. Para essas finalidades, trabalhos de pesquisa realizados dão base para a recomendação de doses em condições de solo que oferecem respostas adequadas. Outra alternativa de uso do gesso nas lavouras cafeeiras tem sido levantada, nos últimos anos, por um grupo de técnicos, os quais vem difundido o uso de gesso, em doses muito elevadas, para atuar como um condicionador de solo, buscando melhoria na condição de suprimento de água para o cafeeiro, o que denominam de irrigação branca. Ocorre que este efeito, proposto como responsável por altas produtividades em lavouras comerciais, ainda não foi comprovado cientificamente. A prática, uma vez bem estudada e se comprovada, seria interessante para economia na irrigação, podendo viabilizar novas áreas cafeeiras em regiões hoje consideradas marginais.

O objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito de varias doses elevadas de gesso, cobrindo o solo junto á linha de cafeeiros, no pós plantio, na fase de formação e produção do cafeeiro.

Foi conduzido um ensaio na Fazenda Experimental da Fundação Procafé/Capebe em Boa Esperança-MG, no período 2007-10, sobre solo do tipo latossolo vermelho, textura argilosa, estrutura granular e baixa fertilidade (ver análise química inicial na tabela 1), O experimento foi delineado em blocos ao acaso, com 7 tratamentos e 3 repetições, com parcela de 7 plantas, sendo as 5 centrais úteis.

Os tratamentos constaram de doses de gesso, as quais foram aplicadas em cobertura, em uma faixa de um metro de largura (0,5 m de cada lado da linha de cafeeiros) em uma lavoura da cultivar Catuaí Amarelo IAC 62, com 6 meses de campo, com espaçamento de 3,5 x 0,7 m. Os tratos, as adubações e demais correções nutricionais foram aplicadas de forma semelhante para todo o ensaio, observando-se as recomendações usuais e os resultados das análises de solo e folhas, efetuadas para acompanhamento. Foram feitas correções iniciais, com 200 g de sulfato de magnésio, semelhantes em todos os tratamentos, a fim de reduzir o efeito competitivo do cálcio no solo. Nos anos seguintes, as correções foram feitas com óxido de magnésio na dose de 1 tonelada por hectare. Os tratamentos ensaiados foram: 1) Testemunha sem gesso 2) 1,5 Kg de gesso por metro (= 4,3 t /ha) 3) 3 Kg de gesso por metro (8,6 t /ha) 4) 4,5 Kg de gesso por metro (12,9 t /ha), 5) 6 Kg de gesso por metro (17,1 t / ha) 6) 7,5 Kg de gesso por metro (21,4 t /ha) 7) 9 Kg de gesso por metro (25,7 t /ha).

As avaliações do ensaio constaram do acompanhamento por análises do solo e foliar e pela produção nas primeiras safras, em 2009 e 2010.

Tabela 1. Níveis de fertilidade inicial do solo (nov/06) na área do ensaio de gesso, em 2 profundidades, determinados pela análise química, Boa Esperança MG.



Resultados e conclusões

Os resultados de análise de solo, de folhas e a produtividade dos cafeeiros no ensaio estão colocados nas tabelas 2 a 4.

Com relação aos dados de análise de folhas (Tabela 2), os níveis de cálcio foram inferiores na testemunha e nos tratamentos com as menores doses de gesso (4,3 e 8,6 t /ha). Porem, mesmo nesses tratamentos com menores níveis de Ca, os teores ficaram acima dos níveis considerados limiares para a cultura cafeeira. O magnésio diferiu estatisticamente somente da testemunha em relação aos demais tratamentos; mas mesmo a testemunha, embora superior em Mg, mostrou níveis na escala nutricional abaixo do limiar para a cultura. O enxofre apresentou níveis foliares superiores a partir de 17 t/ha.

Tabela 2. Resultados de análise de folhas, aos 36 meses de campo, em cafeeiros sob diferentes doses de gesso como irrigação branca, Boa Esperança-MG, maio 2010


(Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Skott-Knot a 5%)

Nas análises de solo (Tabela 3), na profundidade de 0 a 20 cm, os níveis de cálcio foram inferiores somente na testemunha e na profundidade de 20 a 40 e 40 a 60 os níveis desse nutriente foram superiores somente na maior dose de gesso. O magnésio na camada de 0 a 20 foi superior somente na testemunha, mas mesmo assim esses níveis ainda estão muito abaixo do considerado ideal para o cafeeiro, isso comprova os sérios desequilíbrios causados pelas altas doses de gesso. O fósforo apresentou níveis crescentes com o aumento da dose de gesso, o que pode ser explicado pelo provável resíduo (cerca de 0,5%) do elemento que sobra na fabricação do adubo fosfatado(SFS).

Com relação à produtividade (Tabela 4), não foi observada diferença entre tratamentos, não mostrando, portanto, efeito favorável das doses de gesso.

Nessa primeira etapa do trabalho, na fase de formação e primeiras produções dos cafeeiros, pode-se concluir, para as condições do ensaio, que:

- A aplicação de altas doses de gesso, ou a irrigação branca, não favoreceu o desenvolvimento e produtividade do cafeeiro, ao contrário, mostra desequilíbrios de nutrientes no solo, com prováveis problemas futuros.

Tabela 3. Resultados de análise de solo nas camadas de 0 a 20, de 20 a 40 e de 40 a 60 cm, aos 36 meses de campo em cafeeiros sob diferentes doses de gesso como irrigação branca, Boa Esperança-MG, maio 2010



Tabela 4: Produtividade média, em sacas/ha, na safra de 2010, dos tratamentos submetidos a diferentes doses elevadas de gesso, Boa Esperança-2010

ALYSSON VILELA FAGUNDES

ANTÔNIO WANDER RAFAEL GARCIA

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HUGO VELEZ MONTES

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/02/2014

podemos entonces obtener muy buenos resultados con  la aplicacion de dosis elevadas de yeso.gracias
MOUZER MESSIAS SANTOS

CRISTAIS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/02/2014

Eu também estive no dia de campo da procafé. Notei que as raízes estavam em maior profundidade e espessura onde usou doses elevadas, principalmente as axiais e axiais de profundidade. Obs: as raízes absorventes estavam em menor número que a da testemunha, que era em forma de cabeleira.
LEONARDO SOARES

GUAPÉ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/12/2013

Eu estive no dia de campo da pro café em  Boa Esperança e os resultados de ncampo realmente não fizeram diferença quanto a diferença de produção, e os técnicos que fizeram o experimento disseram que ouvi resultado positivo , e por isso a unica função do gesso é fornece  fonte de cálcio, enxofre e corretivo, reduzindo o alumínio tóxico e carreando bases para camadas mais profundas do solo.  
CÉSAR SANTOS CARVALHO

ESPÍRITO SANTO

EM 26/12/2013

Amigos,Boa Tarde!



Nos temos que pensar em solos a longo prazo por isso a cautela em doses excessivas, pois a curto prazo este efeito é muito evidente e pode levar a conclusões precipitadas.
HUGO VELEZ MONTES

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 09/06/2013

En que resultados o experimentos se basaran los tecnicos que recomiendan la aplicacion de las dosis altas de  yeso si la productividad no aumenta y por el contrario puede causar efectos negativos?
JOAO MONTEIRO DA GAMA

ARANDU - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/11/2012

E os teores de matéria orgânica nas diferentes profundidades?
VINICIUS

SARANDI - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/10/2012

Amigos, boa tarde!


Vi que vocês não estão notando diferenças quando se usa gesso agrícola.


Pois bem, aqui no RS tranbalhando com assistencia a campo a 8 ano estamos trabalhando com o gesso em altas doses.


Aqui temos doses que variam de 5,0 até 10,0 ton/ha.


EStamos tendo sucesso no uso de gesso.


O que temos visto é que o gesso só faz perfil de solo quando se tem o equilibrio de bases certo.


Aqui no RS a nossa metodologia de recomendar calcário é baseada no equilibrio de bases onde preconizamos a seguinte relação: 50 a 65% de Ca, 10-20% de Mg e 3-7% de K dependendo da cultura e da CTC ph 7,0.


A conta de gesso apenas baseada na argila do solo não tem mostrado muitos resultados e também em solo ácido não se nota grandes resultados.


Aqui nós só usamos gesso agrícola depois do equilibrio de bases estar ideal. Nunca usamos gesso sem antes o solo estar equilibrado num perfil de 0-20 como esse solo que foi feito o trabalho acima.

Bom, esse é apenas meu ponto de vista.
LEONARDO SOARES

GUAPÉ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/10/2012

Então quero saber como corrigir meu solo ?

Devo usar o gesso somente quando pedir na análise e em quantidade ou posso utilizar assim mesmo, que não terá nem um tipo de consequência?
ALYSSON VILELA FAGUNDES

BOA ESPERANÇA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/04/2011

Prezado Mauricio Mancuso,

com relação ao suprimento de água ainda está em estudos. Porém o que podemos dizer até o presente momento é que não houveram interferências positivas.

Na seca de 2007 que interferiu drasticamente na safra de 2008, o gesso não melhorou o pegamento das mudas que estavam recém plantadas.
MAURICIO MANCUSO

GARÇA - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 12/04/2011

Boa tarde,

Gostaria de saber a que conclusões vocês chegaram a respeito da melhoria na condição de suprimento de água para o cafeeiro, visto que os demais resultados, como produtividade, por enquanto não foram muito satisfatórios.

Abraço, Mauricio.
CaféPoint AgriPoint