Itália e Banco Mundial lançam Iniciativa Global do Café

Parceria pretende mobilizar US$ 500 milhões; Espresso Fund, primeiro fundo global público-privado dedicado à cadeia cafeeira, terá contribuição italiana de ? 40 milhões

Publicado em: - 3 minutos de leitura

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Por Cristiana Couto

A Itália e o Grupo Banco Mundial lançaram nesta quarta-feira (14), em Roma, a Global Coffee Initiative (Iniciativa Global do Café), uma plataforma para atrair investimentos públicos e privados, ampliar a renda dos produtores e fortalecer a cadeia cafeeira diante das mudanças climáticas.

A iniciativa inclui o Espresso Fund (Fundo Espresso), primeiro fundo global público-privado dedicado à cadeia do café, para o qual o país aprovou € 40 milhões em contribuições entre 2025 e 2027.

Promovida pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália e pela Cassa Depositi e Prestiti (CDP), em parceria com o banco, a iniciativa pretende mobilizar pelo menos US$ 500 milhões em sua fase inicial.

O lançamento da GCI aconteceu na Farnesina, sede do ministério italiano, e foi transmitido ao vivo pelo YouTube durante o evento “Estratégia Internacional da Itália para o Café: Desenvolvimento, Valor, Parcerias”, dedicado a apresentar a estratégia para o setor e fortalecer parcerias com países produtores, organizações internacionais, instituições financeiras e representantes da indústria.

Figura 1
Lançamento da Iniciativa Global do Café na sede do Ministério das Relações Exteriores da Itália, em Roma

Em participação ao vivo pela internet, o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, explicou que o propósito é ajudar os cafeicultores a obterem mais valor para seus cafés, com ganhos de produtividade e renda. “Mas também significa criar empregos além das propriedades rurais: no processamento, na logística, na indústria, nas finanças, nas exportações e no varejo”, afirmou. 

O Espresso Fund financiará estudos, assistência técnica e preparação de projetos. Uma plataforma de cofinanciamento buscará recursos públicos e privados para viabilizar as operações. Entre as frentes de atuação do fundo estão variedades adaptadas às mudanças climáticas, práticas regenerativas, rastreabilidade e capacitação dos produtores para que possam melhorar a produtividade, atender às exigências regulatórias e fortalecer conexões com o mercado.

O fundo está alinhado ao AgriConnect, principal plataforma do Grupo Banco Mundial para ampliar soluções que geram empregos e fortalecem as cadeias de valor agrícolas.

A GCI é resultado do compromisso assumido pelo G7 durante a presidência italiana, em 2024. Na cúpula de junho daquele ano, em Puglia, no sul da Itália, os líderes apoiaram uma parceria público-privada para fortalecer a sustentabilidade da cadeia cafeeira e avaliar a criação de um fundo global para o setor.

O encontro reuniu Vanusia Nogueira, diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Giuseppe Lavazza, presidente do Comitê Italiano do Café e do Grupo Lavazza, e Andrea Illy, presidente da illycaffè. Também participaram representantes dos governos de Uganda, Quênia e Colômbia e Maurizio Martina, vice-diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Illy avaliou o lançamento como “o início da fase operacional desse sonho”, em referência à mobilização internacional pelo futuro do café. Segundo ele, agricultura regenerativa, sistemas agroflorestais e renovação dos cafezais com variedades mais produtivas e de melhor qualidade podem fortalecer a adaptação ao clima e aumentar a rentabilidade dos agricultores.

Vanusia destacou a necessidade de transformar os compromissos em ações e investimentos. “Seu sucesso dependerá de uma forte colaboração entre governos, instituições financeiras internacionais, parceiros de desenvolvimento, produtores de café e suas organizações”, afirmou.

A estratégia italiana inclui ainda o ACT Coffee, programa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), desenvolvido em colaboração com a OIC e parceiros do setor. Vinculado ao Plano Mattei, de cooperação italiana com a África, e ao Global Gateway, estratégia europeia de investimentos internacionais, o programa atua inicialmente na Etiópia, no Quênia, em Uganda, na Tanzânia e no Maláui.

Segundo o Banco Mundial, o café é fonte de renda para mais de 100 milhões de pessoas e um importante produto de exportação para mais de 50 países.

Ícone para ver comentários 0
Ícone para curtir artigo 0

Material escrito por:

Equipe CaféPoint

Deixe sua opinião!

Foto do usuário

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração.