Exportações de café crescem 15,5%, puxadas pelo canéfora

Embarques somaram 11,2 milhões de sacas entre julho e setembro, segundo análise do Cepea; receita ficou estável, apesar do aumento no volume exportado

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O Brasil exportou 11,2 milhões de sacas de café entre julho e setembro de 2026, volume 15,5% superior ao registrado no mesmo período do ano passado (9,7 milhões de sacas). Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), foi o segundo maior resultado para o período desde o início da série histórica, em 1990, atrás apenas dos 12,2 milhões de sacas embarcadas no terceiro trimestre de 2024. Os números incluem café verde, torrado e solúvel.

Em setembro, os embarques somaram 3,9 milhões de sacas, queda de 8,7% em relação a agosto, mas com aumento de 3,1% na comparação com setembro de 2025. Foi o terceiro maior volume mensal já registrado na série histórica do Cecafé.

Embarques de canéfora

O crescimento das exportações no trimestre foi impulsionado principalmente pelo canéfora, cujos embarques alcançaram 2,6 milhões de sacas, alta de 66,6% em relação ao mesmo período de 2025. Em setembro, foram exportadas 813,9 mil sacas, volume 15,4% inferior ao de agosto, mas 65,1% superior ao registrado um ano antes (493 mil sacas). Segundo o Cepea, a maior disponibilidade de café recém-colhido e a forte demanda internacional sustentaram as vendas. O mercado acompanha agora a nova safra do Vietnã, cuja oferta poderá influenciar o ritmo dos embarques brasileiros nos próximos meses.

Exportações de arábica

As exportações de arábica somaram 7,6 milhões de sacas entre julho e setembro, avanço de 4,2% na comparação anual. Em setembro, porém, os embarques recuaram 6,5% em relação a agosto e 7,1% frente ao mesmo mês de 2025, somando 2,8 milhões de sacas. De acordo com o Cepea, produtores com maior capacidade financeira têm restringido as vendas, enquanto problemas de qualidade relatados por agentes consultados pelo centro de pesquisas reduzem a disponibilidade de lotes que atendem às exigências dos importadores.

Receita cambial

Apesar do crescimento no volume exportado, a receita cambial permaneceu praticamente estável no trimestre, em US$ 3,56 bilhões, alta de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025. O preço médio por saca caiu de US$ 363,90 para US$ 317,70, resultado de cotações internacionais mais baixas e da maior participação do canéfora, de menor valor unitário, nos embarques.

A análise do Cepea também destaca o desafio de alcançar a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 49,1 milhões de sacas exportadas na safra 2026/27. Para atingir esse volume, o Brasil precisará embarcar cerca de 37,9 milhões de sacas entre outubro de 2026 e junho de 2027, com uma média mensal de 4,2 milhões de sacas, superior aos 3,7 milhões registrados no primeiro trimestre da temporada. O resultado dependerá, sobretudo, de uma aceleração nas vendas externas de arábica, atualmente limitadas pelo ritmo moderado de comercialização dos produtores.

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Equipe CaféPoint

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