Em setembro, os embarques somaram 3,9 milhões de sacas, queda de 8,7% em relação a agosto, mas com aumento de 3,1% na comparação com setembro de 2025. Foi o terceiro maior volume mensal já registrado na série histórica do Cecafé.
Embarques de canéfora
O crescimento das exportações no trimestre foi impulsionado principalmente pelo canéfora, cujos embarques alcançaram 2,6 milhões de sacas, alta de 66,6% em relação ao mesmo período de 2025. Em setembro, foram exportadas 813,9 mil sacas, volume 15,4% inferior ao de agosto, mas 65,1% superior ao registrado um ano antes (493 mil sacas). Segundo o Cepea, a maior disponibilidade de café recém-colhido e a forte demanda internacional sustentaram as vendas. O mercado acompanha agora a nova safra do Vietnã, cuja oferta poderá influenciar o ritmo dos embarques brasileiros nos próximos meses.
Exportações de arábica
As exportações de arábica somaram 7,6 milhões de sacas entre julho e setembro, avanço de 4,2% na comparação anual. Em setembro, porém, os embarques recuaram 6,5% em relação a agosto e 7,1% frente ao mesmo mês de 2025, somando 2,8 milhões de sacas. De acordo com o Cepea, produtores com maior capacidade financeira têm restringido as vendas, enquanto problemas de qualidade relatados por agentes consultados pelo centro de pesquisas reduzem a disponibilidade de lotes que atendem às exigências dos importadores.
Receita cambial
Apesar do crescimento no volume exportado, a receita cambial permaneceu praticamente estável no trimestre, em US$ 3,56 bilhões, alta de 0,8% em relação ao mesmo período de 2025. O preço médio por saca caiu de US$ 363,90 para US$ 317,70, resultado de cotações internacionais mais baixas e da maior participação do canéfora, de menor valor unitário, nos embarques.
A análise do Cepea também destaca o desafio de alcançar a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 49,1 milhões de sacas exportadas na safra 2026/27. Para atingir esse volume, o Brasil precisará embarcar cerca de 37,9 milhões de sacas entre outubro de 2026 e junho de 2027, com uma média mensal de 4,2 milhões de sacas, superior aos 3,7 milhões registrados no primeiro trimestre da temporada. O resultado dependerá, sobretudo, de uma aceleração nas vendas externas de arábica, atualmente limitadas pelo ritmo moderado de comercialização dos produtores.