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Desafio da cafeicultura: conexão com os consumidores

Não poderia deixar de iniciar este blog sem antes agradecer ao convite do Café Point, que é, hoje, o maior canal de comunicação on-line do agronegócio café no Brasil. Esperamos neste espaço promover debates saudáveis e essenciais ao desenvolvimento da Cadeia do Agronegócio Café Brasileiro, de forma simples e objetiva.

Nossa pauta será: “Desafios da Cafeicultura”, e já neste primeiro texto me debato em um dilema: escolher um desafio para iniciarmos.

Pois bem, a dúvida não pode estar no dia-a-dia dos gestores, então vamos falar de um daqueles que acredito ser um dos grandes desafios que temos pela frente, que é a “Conexão com os consumidores”.

Gosto muito de abordagens em cima de acontecimentos, pois assim conseguimos exemplos reais e tangíveis. O que me inspirou a iniciar falando sobre a conexão com os consumidores foi uma ação que vi numa rede social (Facebook), estes dias.

Um grupo de jovens formado por um cafeicultor, que também é torrefador, e alguns baristas, decidiu simplesmente servir café de alta qualidade em diferentes formas de preparo, de forma gratuita, nas ruas de São Paulo. Acompanhei esta ação graças em algumas postagens que eles fizeram nesta rede social, e confesso que o sentimento que me veio naquele momento, por estar á tantos anos trabalhando no agronegócio café foi de uma alegria imensa que se traduz em uma palavra: Evolução.

Foto: Revista Espresso/ Café Editora
 
O Café na Rua foi realizado na Avenida Paulista (SP) com a Rua Augusta, com baristas preparando café coado de graça e de qualidade para os apreciadores. Foto: Revista Espresso/ Café Editora

É isso mesmo, o que estamos vivenciando na Cadeia do Café é uma grande evolução e ela está ligada a um elo fundamental, que é o Consumo. Esta evolução está sendo promovida por atores que fazem parte do que chamamos “Novo Mundo do Café”.

O Novo Mundo do Café é o contexto em que o café passa de uma simples commodity, aquele líquido negro, torrado em demasia que serve para despertar, energizar e, evolui para um produto artesanal, exclusivo, de território, com identidade, que proporciona prazer, indulgência, promove experiência e nos remete a histórias que todos nós temos em nosso inconsciente.

O Novo Mundo do Café é formado por jovens, mas não apenas jovens de idade, mas jovens de espírito. Pessoas que entenderam a importância e valor que a Cadeia do Café possui, se apaixonaram por isso e agora querem contar estas historias aos consumidores e principalmente: querem levar cafés de alta qualidade aos consumidores.

E aí está a conexão com os consumidores. Se queremos promover consumo, qualificar consumo, temos de levar o que temos de melhor ao consumidor, e aí está o desafio.

Esta realidade não acontece hoje no Brasil. Estamos cansados de propagar aos quatro ventos que somos os maiores produtores, somos o segundo maior consumidor, mas, isso em si, não tem valor nenhum. O que importa não é comunicar que somos os maiores, o que importa são as ações que estamos promovendo para desenvolver nossa cadeia como um todo, e neste aspecto estamos pecando.

O Brasil não possui uma estratégia sólida de desenvolvimento do consumo interno de cafés de alta qualidade, o que chamamos de qualificação do consumo. Esta é uma falha estratégica que devemos corrigir.

Temos percebido claramente nos últimos anos um incremento no poder de consumo da população em geral e também uma ampliação no nível de educação, o que pra nós é terreno fértil para plantarmos o conhecimento e estimularmos o consumo de cafés de alta qualidade junto aos consumidores.

Dentro de porteira, somos os mais competitivos. Nosso cafeicultor cumpre com o seu dever de produzir com excelentes médias de produtividade, custo de produção competitivo se compararmos com outros países e também na produção de qualidade -que ainda precisa avançar, mas já se encontra num excelente estágio.

As regiões estão se organizando, formando marcas coletivas, registrando Indicações Geográficas e, isso é extremamente positivo, pois é como funciona no mundo dos vinhos em países com França, Itália, Espanha e mesmo em nossos vizinhos Chile e Argentina. Desta forma, o consumidor amplia seu poder de escolha e consegue navegar em diversas regiões, conhecendo e comparando as diferentes características.

Os métodos de preparos se multiplicaram, hoje as opções são inúmeras e conseguem agradar a todos os perfis de consumidores, dos tradicionais até os mais arrojados.

Temos um terreno muito fértil a ser trabalhado, e os elementos acima nos comprovam isso. Se queremos que o Brasil seja uma referência mundial em qualidade do café, devemos começar isso dentro aqui dentro e, devemos ser transparentes em assumir que o nosso dever de casa neste âmbito não está sendo feito.

Contudo, isto faz parte de um processo de amadurecimento da cadeia e vemos que a hora é agora. Temos observado diversos movimentos nascendo, iniciativas que aos poucos vão se disseminando e formando uma nova cultura, formando o Novo Mundo do Café e gerando conexão com os consumidores.

Mas isso não nos tira o dever de construir uma estratégia integrada e consistente para qualificação do consumo de café no Brasil, pelo contrário. O que temos de fazer é quebrar paradigmas, unir as iniciativas e potencializar as ações.

Tivemos aqui um gancho inicial e, com certeza, falaremos de forma mais detalhada sobre este desafio mais a frente.

Conexão com os consumidores, um desafio que é imediato, que constrói um caminho novo, que promove conexão entre os produtores e consumidores, através dos baristas, utilizando a qualificação do consumo e buscando uma saída alternativa à commodity.

Qualificando o consumo promovemos ganhos em toda a cadeia pois, hoje quem influencia os elos é o consumidor, e se ele entender que o café deve valer mais por ter qualidade, este resultado chegará até o produtor.

Sigamos o exemplo dos jovens que foram às ruas de São Paulo levar café de alta qualidade ao consumidor. Isso sim é injeção na veia, isso é exemplo de atitude, isso é construção de percepção e isso é o Novo Mundo do Café!
 
Foto: Revista Espresso/ Café Editora
Foto: Revista Espresso/ Café Editora

JULIANO TARABAL

Eng. Agronomo; Especialista em Gestão do Agronegócio Café; Superintendente Federação dos Cafeicultores do Cerrado

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ANDRE SANCHES NETO

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 06/05/2015

Boa Juliano! Trouxe com propriedade esta iniciativa aos leitores do CaféPoint, utilizando-a com muita competência como modelo ilustrativo da tendência que estamos vivenciando.
DONIZETE GONÇALVES DE LIMA

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 27/04/2015

OTIMO ARTIGO,TOCOU NO CERNE DA QUESTAO.PARABENS,QUEREMOS MAIS.
ANGELICA DE OLIVEIRA FERREIRA M MEDEIROS

PATROCÍNIO - MINAS GERAIS

EM 24/04/2015

Ótimo artigo abordando uma realidade latente! Parabéns!