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IEA: Safra 2006/071, a menor da década?

POR NELSON BATISTA MARTIN

E CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

CELSO VEGRO

EM 17/11/2006

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O café finalmente sinalizou uma recuperação das cotações do arábica no mês de outubro - que se tem mantido no primeiro decênio de novembro - basicamente em razão de movimentos técnicos. Mas os fundamentos para o produto são de alta, tendo em vista a intensificação das compras por parte das indústrias do hemisfério norte, devido ao aumento de demanda no inverno. Assim, mesmo com a entrada da colheita de América Central, Colômbia e México, as expectativas são de menor disponibilidade para os próximos anos-safra.

Na bolsa de Nova Iorque, as cotações médias do arábica subiram 1,38%, em relação à cotação média de setembro de 2006 (contrato C, segunda posição). Na bolsa de Londres, o robusta teve queda de 2,21% (igualmente para a segunda posição), após a alta dos últimos três meses. No mercado de futuros da BM&F, o preço do arábica apresentou alta de 2,30% (segunda posição). E o indicador OIC-Composto diário caiu 0,47% em relação à média do índice de setembro (gráfico 1).


Fonte: Bolsas de NY, Londres, BM&F e OIC

Gráfico 1 - Cotações médias mensais do café em diferentes mercados de futuros (segunda posição) e do OIC-Composto diário, 2004 a 2006.

O diferencial entre as cotações observadas na BM&F e em Nova Iorque caiu para US$ 14,63 por saca, cerca de 6% inferior à média do mês anterior. Esse diferencial nos últimos doze meses pode ser verificado no gráfico 2.


Fonte: Bolsas de NY e BM&F

Gráfico 2 - Cotações médias mensais do café arábica, segunda posição, nos mercados de Nova Iorque e BM&F (São Paulo), 2005-06.

As cotações do arábica, contrato C, segunda posição, na Bolsa de Nova Iorque, exibiram lenta queda nos primeiros vinte dias de outubro para subir abruptamente até o final do mês. Esta tendência tem se mantido no primeiro decênio de novembro (gráfico 3).


Fonte: Bolsa de NY

Gráfico 3 - Cotações diárias em outubro de 2006 na Bolsa de Nova Iorque, para café arábica, Contrato C, segunda posição.

No mercado de robusta na Bolsa de Londres, o comportamento das cotações indica baixa na primeira quinzena de outubro, mas que se recuperou na quinzena seguinte (gráfico 4).


Fonte: Gazeta Mercantil

Gráfico 4 - Cotações diárias para o café robusta, segunda posição, na Bolsa de Londres, no mês de outubro de 2006.

Na BM&F, tendo como referência o mês de outubro, a evolução dos preços do arábica, segunda posição, cotados em dólar por saca, indica variações positivas acumuladas de 2,93% em 2006 e de 2,38% nos últimos doze meses. No mercado de Nova Iorque, os preços do arábica, contrato C, segunda posição, tiveram alta de 7,66% em 2006 e de 5,50% no acumulado de doze meses. Por sua vez, as cotações do robusta no mercado de Londres, segunda posição, tiveram alta de 30,25% em 2006 e de 56,66%, nos últimos doze meses. Já a estimativa do OIC-Composto apresentou alta acumulada de 10,35%, em 2006, e de 15,78% no período de um ano.

Na cafeicultura paulista, a cotação média do arábica em outubro caiu 1,37% em relação à média de setembro, em função basicamente da valorização do real observada no mês. Houve queda acumulada de 4,94% nos últimos doze meses e de 5,34% em 2006, refletindo o comportamento das cotações internacionais do café arábica e a valorização da moeda brasileira (gráfico 5).


Fonte: Instituto de Economia Agrícola

Gráfico 5 - Preços médios mensais recebidos pelos produtores de café arábica, Estado de São Paulo, 2002 a 2006.

Irregularidade da florada e a próxima safra

Dizer que a safra 2006/071 será menor apenas porque é a fase de baixa no ciclo bienal é pouco diante das incertezas envolvendo a produção. No começo de 2006, causou grande alarme um fenômeno que mais tarde foi caracterizado como coração negro. Trata-se do abortamento do grão leitoso (verde em enchimento) decorrente de alta temperatura associado a veranico. Em algumas regiões como o Sul de Minas e a Alta Mogiana, a perda de grãos atingiu entre 8% e 15%.

Todavia, poucos analistas vincularam esse problema com a atual irregularidade da florada. Na mesma época em que os frutos abortaram, era o momento de formação dos botões florais da safra consecutiva, ou seja, essa que agora transparece insuficiente e irregular.

Normalmente, quando uma primeira florada em café não exibe um bom pegamento, espera-se que outras floradas tenham melhor condição para se firmarem (ainda que esse fenômeno prejudique a qualidade final do produto). Contudo, após a primeira florada, como já dito pequena e irregular, não apareceu uma segunda e ainda se aguarda uma terceira florada. Sem flores pegas, não se pode ser otimista com o volume de safra a ser colhido em 2007.

Sondagens preliminares entre os técnicos atuantes nas mais importantes cooperativas de café informam que haverá quebras superiores a 40% frente ao colhido na safra 2005/06. Isto significa uma safra de arábica de aproximadamente 20 milhões a 22 milhões de sacas que, somada às 10 milhões de sacas de robusta (que não se comporta sob ciclos bienais), totaliza cerca de 30 milhões a 32 milhões de sacas. Este volume é absolutamente insuficiente para atender toda a demanda existente pelo café brasileiro (16 milhões de sacas para a torrefação e 25 milhões para exportação). O quadro atual configura um período em que haverá fortes pressões sobre as cotações.

Solúvel: fênix no mercado interno

Dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) revelam forte expansão do consumo de café no mercado interno, fenômeno esse que já vinha sendo observado em anos anteriores. Na pesquisa de consumo no mercado doméstico, foi contabilizado o incremento de 2,64% no consumo de café nas diversas formas de torrado e moído, enquanto o solúvel exibiu a impressionante marca de 7,90% no período considerado (tabela 1).


Fonte: ABIC

TABELA 1 - Evolução do consumo interno de café, Brasil, maio de 2004 a abril de 2006.

Esse fenômeno do mercado brasileiro também é observado nos principais mercados internacionais, estimando-se que, em 2015, cerca de 52% do consumo mundial ocorra sob a forma de solúvel. Particularmente, no caso do Brasil, o aumento da demanda pelo solúvel decorre da crescente preferência pelas misturas para o preparo do cappuccino e da expansão das vending machines de bebidas à base de café em ampla gama de estabelecimentos ligados ao ramo da alimentação. Para o próximo período, deve-se esperar a manutenção dessa taxa com o solúvel representando demanda de cerca de 1 milhão de sacas no mercado interno.

Diante do desempenho desse importante segmento, compete mais uma vez perguntar até quando as autoridades governamentais vão protelar a inevitável e necessária decisão de regulamentação para as operações de drawback. Essa continua sendo uma legislação que, ao lado das barreiras comerciais impostas pelos nossos clientes externos, obstaculariza um ciclo sustentável de expansão econômica desta indústria.

SP: Estado-líder no agronegócio café

A decisão da Sara Lee de inaugurar em Jundiaí (SP) a sua maior torrefadora de café em âmbito mundial consolida a posição do Estado de São Paulo como líder desse agronegócio. Esta fábrica se soma às outras 300 torrefadoras situadas no Estado, sendo que também aqui está instalada a maior fábrica de café solúvel (a Nestlé, de Araras). Cerca de 65% das exportações brasileiras da pauta desse agronegócio são efetuados pelo Porto de Santos e, na ponta do consumo, redes de cafeterias líderes mundiais, como Starbucks, Nespresso e Espressamente da Illycaffè, anunciaram a instalação de suas primeiras lojas na capital paulista.

O interesse empresarial no mercado paulista de café decorre de seu destacado patamar de consumo (per capita e agregado), que o credencia como mercado-alvo para a concretização de negócios. A realização de embarques de café torrado e moído para o mercado russo efetuados pela Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Pinhal (COOPINHAL), bem como as negociações com os compradores chineses conduzidas pela Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas da Região de Franca (COCAPEC), promove maior avanço nas exportações de produto elaborado. Isto agrega valor ao negócio e, conforme propósitos da APEX/ABIC, torna o País, especialmente São Paulo, a principal plataforma internacional para negócios com o café

Artigo publicado originalmente em www.iea.sp.gov.br e registrado na CCTC-IEA sob número HP-111/2006.

1 - Nota: A safra 2006/07 será colhida em meados de 2007 e comercializada no ano cafeeiro 2007/08.

Publicado no CaféPoint mediante autorização dos autores.

NELSON BATISTA MARTIN

Engenheiro Agrônomo, MS em Economia - Gestão de negócios de recria-engorda em Lucélia, oeste do Estado de Sâo Paulo

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

Eng. Agr., MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEA-APTA/SAA-SP

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ALEMAR BRAGA RENA

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 23/11/2006

Muito bom o artigo do Martin e Vegro, colocando bem a questão da iniciação e definição floral do café em jan./fev., em função das altas temperaturas, além de trazer uma eficiente análise de mercado, sua área específica de pesquisa.

Também concordo plenamente com as colocações do Florêncio. Os cafeicultores mineiros têm que ser mais ativos, defender melhor os interesses do nosso estado e, por via de conseqüência, seus próprios negócios.

Por outro, peço permissão para reproduzir meu ponto de vista quanto aos "estimadores" de safra, especialmente os americanos, expresso num capítulo de livro em 2003:

"... lembra-se aos incautos, que fazem projeções mirabolantes para as safras brasileiras de 2003/2004 e 2004/2005, e quiçá futuras, apenas para derrubar os preços, que a cafeicultura neste país está completando seis anos de secas consecutivas!

...Lembra-se, ainda, que o cafeicultor está descapitalizados e agonizando, e, seguramente, não tem tratado bem sua lavoura, o que completa o desastre. Pobre do cafeicultor brasileiro, que se encontra nas mãos dos abutres nacionais e internacionais de plantão. Eles são a pior praga, ou doença, como queiram, do cafeeiro!"
FLORÊNCIO FEIO DE FREITAS FILHO

PIUÍ - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/11/2006

Minas Gerais é responsável por, pelo menos, 50% da produção de Café do Brasil, que, por sua vez, responde por, pelo menos 35% da produção de café do mundo.

A Alemanha, todos sabem, é o país que usufrui da maior parte dos benefícios financeiros do agronegócio do café no mundo sem produzir uma saca sequer do produto.

Tudo isso, por incompetência de nossos políticos, empresários, instituições e de nós produtores, que não conseguimos vencer esta saga secular, tudo isso porque, nós os maiores produtores de café do mundo, somos omissos e apáticos, e em plena era da globalização, onde todas as informações de mercado são "online", permitimos que não sejam ouvidos os nossos clamores, mendigando um preço um pouco mais justo pelo nosso produto, fruto de muito trabalho, incertezas por causa do clima e do mercado, este, sempre ditado por fundos internacionais e especuladores, que, não devem nem conhecer um pé de café e nem o sacrifício que é "entregar" uma saca de café "costurada".

Agora vejo, com muita preocupação, através do artigo dos técnicos do conceituado IEA, Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, ceder este espaço ao competente estado de São Paulo e conclamo todas as instituições e produtores que reflitam e procurem soluções para que não deixemos outros colherem, mais uma vez, os frutos do nosso árduo trabalho.