Como se não bastasse os preços mínimos do café estarem aborrecendo os cafeicultores do país, uma vez que os novos valores ficaram abaixo do custo de produção, não remunerando a atividade, agora o setor vem se chateando ainda mais com a liberação do governo brasileiro para importação do café verde do Vietnã, por meio do regime de drawback, mecanismo que permite que a importação geral não pague tarifas desde que o produto seja exportado.
Foto: Guilherme Gomes/ Café Editora
Para o diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas (FAEMG), Breno Mesquita, a licença é uma brincadeira de mau gosto para a cadeia produtiva, já que o Brasil tem café suficiente para abastecer o mercado.
“A indústria já havia pedido a liberação da importação do café e o setor produtivo mostrou que está apto para abastecê-la. Os principais estados produtores de café robusta, inclusive, já iniciaram a colheita", disse ele, se referindo aos estados de Rondônia, Bahia e Espírito Santo.No mês passado, os preços mínimos de café arábica e robusta para a safra 2017/2018 ficaram, respectivamente, em R$ 333,03 e R$223,59, um aumento de 0,84% e 7,40%, nesta ordem. De acordo com Mesquita, esses valores não condizem com a realidade do custo de produção e precisarão ser revistos.
"Todos os anos a Universidade Federal de Lavras (UFLA) faz o levantamento dos gastos e os dados não estão batendo com os da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). É algo que desmotiva os cafeicultores, que investem seriamente na atividade".
O preço mínimo é referência para políticas públicas e serve de parâmetro na hora de resolver qualquer problema relacionado à produção. Para o diretor, não há como especular um valor que seria adequado a questão, já que é necessário compilar diversas informações, mas o que se exige é que haja um reflexo verdadeiro do que acontece no campo.
“Quando a UFLA validar a pesquisa que está sendo feita, pediremos ao governo a revisão dos valores. Queremos fazer isso ainda esse ano, porque os valores atuais podem ser muito ruins ao mercado”, conta.
