"Crise do café se tornou insustentável"

Em entrevista, o diretor da FAEMG e presidente das Comissões Nacional e Estadual de Café, Breno Mesquita, critica morosidade na implementação de políticas de geração de renda para a cafeicultura e classifica a situação como "insustentável". Confira matéria com participações de leitores profissionais do setor.

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Com mais de 20% da safra colhida, cafeicultores de todo o país reclamam da falta de recursos e de políticas de renda para escoamento da produção de forma organizada e economicamente viável. Em entrevista, o diretor da FAEMG e presidente das Comissões Nacional e Estadual de Café, Breno Mesquita, classifica a situação como “insustentável”. 

Quais são os principais problemas enfrentados hoje pelo setor?

Breno Mesquita: Estamos atravessando uma crise em plena colheita. O café tem baixíssimo preço no mercado e o produtor não tem capital para manter essa produção até que as coisas melhorem. É uma situação insustentável e, até agora, não estamos tendo nenhum apoio do poder público.

O Governo não aprovou até hoje o Funcafé, o que era pra ter acontecido um dia depois do Plano de Safra. Existe muita promessa, mas o que vemos, infelizmente, é uma enorme morosidade em uma safra que está sendo colhida. Não estamos tendo acesso ao recurso que nos pertence e que foi gerado por nós, que trabalhamos e nos mantivemos na cafeicultura. Estamos buscando empréstimos a juros caros para nos manter numa atividade que está nos propiciando hoje um prejuízo de mais 100 reais a saca dependendo da região.

A expectativa está em torno da liberação de recursos do Funcafé?

BM: Todo o dinheiro do Funcafé cuja liberação foi anunciada ontem não será o suficiente. Foram liberados 3 bilhões de reais, mas esses recursos não se destinam apenas ao produtor. A indústria terá acesso, a exportação terá sua fatia e as cooperativas também. No final, pouquíssimos produtores terão acesso a esse recurso porque não têm garantia para dar. A maioria, ao longo dos anos, veio se descapitalizando e hoje se encontra com dificuldades de tomar recursos. É preciso muito mais que isso, precisamos de políticas concisas de garantia de renda ao produtor.

Como teve origem toda esta crise que o café vive hoje?

BM: Desde o ano passado estávamos alertando que a safra deste ano seria uma safra grande, apesar de ser ano de ciclo baixo, e que precisaríamos de instrumentos como Pepro e Opções de venda para que pudéssemos manter o preço ao menos compatível com a safra, em torno de 360 a 380 reais. O que obtivemos, em lugar, foi um completo desrespeito à atividade. Começou com o preço mínimo, que não engolimos até hoje. Ainda não nos explicaram o porquê do valor de R$ 307 e por que foi descartado todo o trabalho com embasamento técnico da Conab que chegou a 336 reais, valor muito aproximado ao calculado pela Ufla em parceria com a CNA, de 338 reais.

Qual a importância do valor pleiteado e o que mudou com a aprovação de um mínimo inferior?

BM: Com o marco de 336 reais nós teríamos condições de fazer uma política em que o Governo teria que fazer pouco e o produtor poderia almejar preços que, em tese, cobririam seus custos de produção. A 307 reais, nosso espaço de negociação diminui bastante.

Há expectativa para uma nova revisão?

BM: A revisão do mínimo vai acontecer depois da safra. Hoje o que temos para trabalhar é esse valor de referência baixo, de 307 reais. Não concordamos até hoje, pois não nos passaram nenhuma razão ou parâmetro técnico para que o mínimo fosse este. Sem qualquer instrumento para ordenar essa safra que o Brasil está colhendo, que é grande, vamos acabar jogando-a toda no mercado desordenadamente e o preço virá ainda mais abaixo.

Como é a situação dos cafeicultores hoje?

BM: O que temos visto, aos montes e todos os dias, são casos de produtores desesperados que estão vendendo café verde no terreiro para fazer dinheiro. Mesmo com deságio de 50, 70 reais a saca, vendem para poder honrar suas contas, pagar o funcionário pela colheita da semana. Chegamos ao ponto em que não está dando mais. Temos que deixar isso claro, porque não estamos sendo ouvidos: “Não estamos aguentando mais”. É um desrespeito não só ao produtor, mas à cafeicultura nacional, uma atividade que sempre trabalhou pelo Brasil. A palavra que resume tudo isso é ‘insustentável’.

Como reverter ou pelo menos aliviar este quadro?

BM: É preciso atitude rápida e proativa do governo, e não é só soltando dinheiro para financiar a safra. Em vista da situação, e do agravamento já ocasionado pela falta de recursos no momento certo, hoje o setor precisa muito mais que isso. Junto ao recurso do Funcafé, precisamos de uma política de renda para o setor passando por um programa de opção e um programa de Pepro. Sem isso, a situação ficará insustentável para a cafeicultura nacional. Nós pagamos nossos compromissos, nós mantivemos os empregos dos nossos funcionários e projetamos nosso futuro. E ainda assim, não saímos do lugar.

Tudo o que estamos pedindo são políticas comuns de governo para este tipo de situação. Já foi feito inúmeras vezes, pela laranja, o cacau, ou a cana-de-açúcar. São excepcionalidades e o governo tem recursos a fundo perdido exatamente para fazer políticas para produtos que estão passando por momento de crise. Além de ser muito importante para a economia, a cafeicultura é atividade extremamente democrática e pulverizada, com forte presença em todo o Brasil e principalmente entre pequenos produtores. É preciso que haja não um tratamento especial, mas um tratamento bom, digno e motivador.

Como se encontra a demanda da FAEMG por apoio aos produtores afetados pela chuva de granizo em Itamogi e região?

BM: Conseguimos, junto aos ministérios da Agricultura e da Fazenda, recurso de 20 milhões de reais, que o produtor, dependendo da intensidade dos danos decorrentes do fenômeno, poderá pagar em até seis anos, com três anos de carência. O problema é que esse recurso já deveria estar na mão do produtor. O ciclo da planta não pode esperar a boa vontade ou a burocracia na liberação destes recursos.

As informações são da Faemg.
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Jose robson Vescovi Ramos
JOSE ROBSON VESCOVI RAMOS

FUNDÃO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 16/07/2013

O governo Dilma do PT não representa mais o povo Brasileiro e os cafeicultores, não há mais ambiente dentro do governo, não ha seriedade para tratar de certos assuntos tão importante como da cafeicultura, este governo não tem autoridade nem moral para nos representar, o que temos que fazer e pensar numa nova eleição, e unirmos para achar uma nome que nos representa em Brasilia, e que lute pelos nossos direitos, está passando da hora de reverter este quadro assolador.
Gil Rodrigues Serrano
GIL RODRIGUES SERRANO

CARMO DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 15/07/2013

Não adianta o governo perdoar nossas dividas, pois amanha estaremos endividados novamente.  com o preço abaixo do custo basta esta safra para que as dividas virem uma bola de neve. Vamos para rua pedir preço justo não de chapeu na mão mais com o chapeu em nossas cabeças, no lugar dele, não queremos esmolas queremos uma politica correta para nossa cafeicultura.
nicola filardo
NICOLA FILARDO

CACONDE - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 28/06/2013

TENS RAZÃO CLAUDIO. VIRE AS COSTAS PARA QUALQUER "LIDERANÇA" E VAMOS RESOLVER O PROBLEMA DOS PRODUTORES. PROBLEMAS QUE SÃO SÓ NOSSOS. SE VIEREM NOS PROCURAR, ESTABELECEREMOS NOSSAS CONDIÇÕES PARA QUE TRABALHEM PARA NÓS. ESTE É O CAMINHO!
joão batista de andrade
JOÃO BATISTA DE ANDRADE

SÃO SEBASTIÃO DA GRAMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/06/2013

Vamos gente,vamos cobrar nossos sindicatos, nossas cooperativas pra fazer um grande protesto na semana internacional do café que se realizará em Belo Horizonte.Lá estará toda nossa "liderança" e desta vez não devemos ir com nariz de palhaço como fomos em Varginha-Mg, como fomos no ultimo protesto.Se você é produtor de café que tem que cumprir toda legislação trabalhista, toda legislação ambiental a céu aberto e ainda é tratado como bandido, se você fez qualidade e os grandes grupos foram comprar café barato para fazer seus (blends) e ganhar mais dinheiro,se você esta muito preocupado de não ter condições de continuar tocando sua propriedade,se você estiver muito preocupado de não conseguir sustentar seus filhos COMPARTILHE a ideia. os manifestos organizados já derrubaram a PEC 37....... Vamos gente.......
Antenor
ANTENOR

GARÇA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 25/06/2013

O Governo estabeleceu 307,00a saca, em Garça hoje o preço gira em torno de 260,00 e dai. oque fazer, reclamar para quem. Cadê o PEPRO que é o mínimo para garantir os 307 que é minusculo? O governo decreta o valor minimo e  não te dá nenhuma garantia de comercialização a este valor que nem cobre os gastos. É lamentável, porque eu fui criado neste míster, continuo a gostar do que faço, porém não sou masoquista nem bitolado vou ter que abandonar a profissão.



Abraços- Antenor-        Garça, 25 de junho, 18:55 Hs,
Jésus Messias de Souza
JÉSUS MESSIAS DE SOUZA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/06/2013

Prezado Ginoazzolini,

Temos que conversar e debater trocar ideias e experiência, se cruzarmos os braços quem olhara por nós. Um grande abraço
Jésus Messias de Souza
JÉSUS MESSIAS DE SOUZA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/06/2013

Boa tarde Antenor,

   O que precisa acontecer para o Brasil e uma ação de divulgação do nosso café la fora, foi o que a Colombia fez e saiu na frente. O Brasil tem tudo para ser o cafe numero 1 do mundo, quantidade, tecnologia, pesquisa, áreas, mão de obra especializada e nada é feito em prol do cafeicultor.
Jésus Messias de Souza
JÉSUS MESSIAS DE SOUZA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/06/2013

 Concordo co vc Claudio José Fonseca, Primeiramente, mudar as lideranças e depois buscar alternativas. Alternativas estas que esta da porteira para fora, o produtor deve conhecer seu produto para saber quanto vale e não quanto paga.
francisco Ubiratã Moreira Aires
FRANCISCO UBIRATÃ MOREIRA AIRES

MARINGÁ - PARANÁ - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/06/2013

Necessitamos de políticas públicas, consistentes e principalmente de longo prazo para que a cafeicultura saia desse lamaçal de enrrolações que a mesma vem sendo submetida nos últimos tempos. Cadê os governantes líderes que se dizem capazes. Talvez vejamos mais algumas promessas no ano que vem que é ano de eleição.



Francisco \ubiratã



Eng. Agrônomo
Jose robson Vescovi Ramos
JOSE ROBSON VESCOVI RAMOS

FUNDÃO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/06/2013

conversando com Deputado Estadual aqui do Esp. Santo sobre a situação na cafeicultura me disse que é mais facil do governo cuidar de 10 pessoas na cidade do que 1 no roça, resumindo o que o governo quer e a migração para os grandes centros urbanos e nos tratar como boi no curral, este governo que ai está não entende nada de agricultura, nos Brasileiros temos no sangue a fibra de sermos guerreiros e amamos a terra, produzimos porque amamos o que fazemos, mas não esta dando mais para continuar, nossos politicos nos enganaram desde o tempo do planta que o joão garante, creio no futuro, mas no momento estamos liquidados. so Deus para nos salvar.
GINOAZZOLINI NETO
GINOAZZOLINI NETO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/06/2013

Inclusive das Cooperativas e Federação da Agricultura que se fazem de mortas nesta hora.
Cláudio José da  Fonseca Borges
CLÁUDIO JOSÉ DA FONSECA BORGES

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/06/2013

lendo os comentários acima eu acho que estou delirando.....ou quem sabe estamos todos sonhando?

O Brasil está nas ruas de saco cheio de todo tipo de liderança e alguns ainda estão pedindo ajuda à essas lideranças que estiveram aí até agora???? Deputados ???? tô sonhando....

O que esses bandidos fizeram por nós até hoje?????

Vocês estão sonhando??????

Tem mais é que mudar todas as lideranças, de toda cadeia produtiva do café , que em mais de uma década só fez e falou asneira e estamos (nós produtores) como estamos porque mentiram para nós....nos iludiram para não acabarem com a sua boquinha....tem que mudar todo mundo.....essas lideranças nos levaram para o buraco, agora CHEGA!!!
Jésus Messias de Souza
JÉSUS MESSIAS DE SOUZA

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 24/06/2013

   A crise esta feia é uma briga de foice no escuro, porque não mudar de estratégia? Temos certificadora que paga ágio de 50,00 a 60,00 buscar este mercado, tem que ser um grupo associação. Também a produção de cafés finos que vai com certeza ter um bom preço. Parar de produzir café como nossos pais, temos que atualizar tecnologia muda a todo tempo.
GINOAZZOLINI NETO
GINOAZZOLINI NETO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/06/2013

Nem com passeata a situação melhora. Chega de conversê, entrevistas, pareceres, feiras e o escambau. Estamos no chão e vamos ficar.
Elias Kallas
ELIAS KALLAS

POUSO ALEGRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 24/06/2013

Caro Nicola,

Quem dita as normas de comercialização, garante o preço mínimo, tem poder para dar subsídios, disponibiliza o crédito rural , prorroga ou executa,controla os estoques, taxa

impostos? Somos nós os produtores? Então você tem razão, a culpa  é nossa!
nicola filardo
NICOLA FILARDO

CACONDE - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 22/06/2013

Cara, o MEU problema é do governo? Tenha santa paciência!
Elias Kallas
ELIAS KALLAS

POUSO ALEGRE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 22/06/2013

A política cafeeira adotada pelo governo nada mais é senão o reflexo do que vem acontecendo em diversos setores da sociedade brasileira. Observamos total despreparo e incompetência na condução de políticas nas áreas da educação , da segurança ,e da saúde, para citar apenas algumas. O professor desprestigiado e desvalorizado, com salários aquém da sua importância e responsabilidade. O aumento da criminalidade em  progressão assustadora nas grandes cidades e agora no interior. Pior ainda a proposta demagógica de importação de médicos cubanos , deixando nossos jovens universitários à deriva após a conclusão de um curso estafante e caro nas nossas universidades. Daqui a pouco vão importar enfermeiros, engenheiros , advogados, metalúrgicos... e cafeicultores que se disponham a suportar as condições adversas da nossa cafeicultura. Chegou a hora de aprendermos a votar!
ROGÉRIO SUELLA
ROGÉRIO SUELLA

MARILÂNDIA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 21/06/2013

Sou pequeno produtor de conilon e as dificuldades são muitas principalmente na colheita em que somos obrigado a assinar carteira de trabalho para pessoas que vão ficar no máximo 30 ou 45 dias na propriedade, sem contar que ao assina-la automaticamente perdemos a aposentadoria rural. Não queremos custeios, queremos sim é que o nosso produto tenha valor e que possa gerar lucro. Nossas terras estão fracas e exige muitos insumos e defensivos que estão caríssimos. A seca que acontece na época da florada nos obriga a irrigar o café gerando mais despesa e trabalho. Outro problema é o imposto cobrado  que poderia ser diminuído ou exonerado, e enquanto o café do produtor abaixa o do supermercado só aumenta.
Roberto Wagner Travençolo
ROBERTO WAGNER TRAVENÇOLO

CACOAL - RONDÔNIA

EM 21/06/2013

A falta da presença e de vontade do estado para ajudar a resolver o problema da cafeicultura é mais um reflexo do governo "PT" mostrando sua ineficiência, morosidade, despreparo, descaso e falta de respeito com os brasileiros. A única maneira de sermos ouvidos é irmos para a rua manifestar e engrossar as correntes que se formaram contra a roubalheira e o descaramento desse governo corrupto.
nicola filardo
NICOLA FILARDO

CACONDE - SÃO PAULO - ESTUDANTE

EM 21/06/2013

Para com isso meu, papai noel não existe.