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Cafezal: irrigação por aspersão em malha serve para pequenos projetos

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

FOLHA PROCAFÉ - JOSÉ BRAZ MATIELLO E EQUIPE

EM 14/09/2017

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A irrigação em cafezais tem sido demonstrada como fator importante de aumento de produtividade nas lavouras, em função de problemas climáticos com períodos de stress hídrico ocorridos em diversas regiões, mesmo naquelas consideradas climaticamente aptas à cafeicultura. Por isso, o uso da prática tem sido ampliado apresentando bom beneficio/custo.

Foto: Divulgação
                                               Foto: Divulgação

Considerando as características do cafeeiro, de maior necessidade de água nas etapas da floração ao enchimento de grãos, e as condições de chuva normais, a irrigação suplementar tem sido a mais compatível, com menores investimentos.

A irrigação por aspersão em malha, simples e com montagem na própria propriedade, tem se mostrado adequada a pequenos projetos. No entanto, o processo normal de malha utiliza aspersores pequenos, de baixa vazão (0,3 -1,0 m3
/h) e distanciados de 15-18 x 15-18m, o que resulta em excessivo número por hectare (>30). A presente nota técnica mostra o desenvolvimento de um módulo de irrigação em malha larga, implantado em propriedade no Sul de Minas, visando reduzir o número de aspersores e metragem da tubulação por área, além de incluir dispositivo para adaptar, inicialmente na fase de formação da lavoura, a irrigação em área total para irrigação localizada.

Conforme os cálculos de necessidade de água, o módulo de malha larga foi dimensionado com uma adutora central subindo com tubos de 75 mm e ramais perpendiculares com tubos de 50 mm, coincidindo com linhas de cafeeiros a cada 9 ruas (33m), sendo os cafeeiros plantados a 3,70 x 0,75m. Nestes tubos azuis de 50 mm foram acoplados tubos de subida de 1 ½ polegadas, com registro de esfera e terminando com nipe de cola/rosca para adaptação de aspersor. A malha usada ficou com cerca de 33 x 30m. Todos os tubos foram de PVC PN80.

Foto: Divulgação
                                                  Foto: Divulgação

Para a abertura necessária do diâmetro molhado, de forma a cobrir bem a área, foi
selecionado aspersor metálico do modelo Asperjato 600 S, com bicos de 9,5 x7,0mm, pressão de trabalho em torno de 40 mca e vazão ao redor de 8,5 m3/h. A adaptação da malha aspersora para molhação foi feita com colocação de uma curva e junção para mangueira, saindo do próprio local de saída do aspersor. Daí, por mangueira de 1 polegada com cerca de 50m, a água é conduzida e em sua terminal se coloca um tubo de cerca de 12m, de bitola 3/4, furado com furos de 1mm a cada 30 cm para a água vazar em pequenos esguichos junto à linha dos cafeeiros, ainda jovens, economizando tempo e água.

Com plantio de culturas intercalares, como feijão, e na medida em que a lavoura de café for fechando, trabalha-se somente com a aspersão. No sistema desenvolvido verificou-se que a malha larga com o tipo de arpersor escolhido cobre bem a área, com ligeiro recobrimento nas pontas em condição de vento normal, pois as gotas maiores sofrem menos deriva. O número de pontos de aspersor por área ficou reduzido para cerca de 10 por hectares. A metragem de tubos da rede de distribuição (50 mm) por área foi reduzida para apenas cerca de 260m por ha. Verificou-se ainda a viabilidade de transformar a irrigação em localizadas na condição inicial junto às linhas de lavoura nova. 

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