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Nematoides: você conhece detalhes deste parasita comum nas lavouras de café?

POR EQUIPE CAFÉPOINT

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 14/01/2021

4 MIN DE LEITURA

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Os nematoides são parasitas que atacam todos os seres vivos, sejam animais ou vegetais. Na agricultura, como vermes de solo, representam uma importante categoria de microrganismos fitopatogênicos. Num cafezal infectado com nematoides, mesmo erradicando a cultura, ainda há a possibilidade de que esses vermes sobrevivam em plantas hospedeiras, cultivadas ou silvestres.

Parece não haver consenso entre os especialistas sobre como classificar os nematoides, pois é comum listá-los tanto entre as pragas como entre as doenças. Há quem os considere como uma categoria à parte.

A disseminação natural dos nematoides é lenta. É comum o ataque iniciar-se em reboleiras, salvo quando já vieram nas mudas infectadas no viveiro, cuja manifestação poderá ser generalizada na área. O dano causado pelos nematoides é a destruição gradual das raízes, principalmente as absorventes e os sintomas na parte aérea do cafeeiro podem ser confundidos com outros problemas do sistema radicular.

Os sintomas são mais evidentes em períodos de estiagem e vão desde murcha, amarelecimento, queda progressiva de folhas, redução no crescimento, até depauperamento geral e morte das plantas. Também, as condições adversas de solo (arenosos e com pouca matéria orgânica) e de clima (seco e quente) intensificam esses sintomas.

Dentre os diversos gêneros de nematoides causadores de danos aos cafeeiros, dois são mais estudados: Meloidogyne e Pratylenchus. O gênero Meloidogyne apresenta maior importância para a cafeicultura e contém as espécies formadoras de galhas, entre elas, M. exigua, M. incognita, M. coffeicola, M. paranaensis, além de outras menos disseminadas, como M. hapla, M. javanica e M. arenaria.

A espécie M. exigua, que forma galhas mais características, arredondadas, pequenas, porém visíveis, mesmo não sendo a mais agressiva, é a que causa os maiores prejuízos aos cafezais brasileiros, devido a sua larga disseminação. O cafeeiro arábica apresenta uma relativa tolerância a essa espécie e raramente morre quando atacado por ela. Dependendo do nível das práticas culturais adotadas, pode ser possível a condução da cafeicultura em bases ainda rentáveis, mesmo com alguma perda na produtividade ou aumento nos custos de produção. Para cafeeiros novos, entretanto, a severidade dessa espécie torna-se acentuada, sendo difícil o estabelecimento da lavoura.

Até 2004, quando se detectou a presença do M. paranaensis infectando cafezais no Sul e no Cerrado Mineiros, apenas as espécies M. coffeicola e M. incognita eram consideradas mais agressivas. A identificação da presença do M. paranaensis representou uma preocupação a mais, devido a sua agressividade. Essas três espécies, por causarem danos mais severos ao sistema radicular do cafeeiro, dificultam o combate ao verme, visto que, a ação sistêmica dos agrotóxicos, usados via solo, fica prejudicada devido à reduzida absorção.

Os nematoides do gênero Pratylenchus são causadores de lesões nas raízes, sendo mais disseminadas as espécies P. brachyurus e P. coffeae.

Controle de nematoides

Em função da dificuldade de controle do nematoide depois de instalado na área, da redução de produtividade e das perdas econômicas, todo o cuidado deve ser dispensado na sua prevenção, seja em lavouras novas ou áreas anteriormente já cultivadas com café.

Plantios em áreas novas

• Evitar áreas com presença de nematoides (confirmar essa condição através de laudo laboratorial);

• Fazer o plantio de mudas isentas de patógeno;

• Evitar o acesso à lavoura de pessoas, máquinas ou implementos (em especial alugados), ou ferramentas vindas diretamente de áreas suspeitas de contaminação.

Plantios em áreas contaminadas

• Identificar a espécie e a raça de nematóide existente na área através de laudo laboratorial, podendo, assim, usar cultivares de arábica resistentes ou mudas enxertadas sobre canéfora (robusta);

• Adotar o pousio (“descanso” do solo por dois a três anos, sem qualquer exploração), ou alqueive (aração e gradeação do solo, seguido de um período de “descanso”);

• Fazer a rotação de culturas, utilizando espécies de ciclo anual, que não sejam susceptíveis aos nematoides, ou ainda que sejam antagônicas a sua ocorrência;

 • Adotar práticas de conservação e melhoria das condições químicas e físicas do solo, especialmente o controle da erosão e o aumento do percentual de matéria orgânica.

O controle químico tem efeitos paliativos, na medida em que consegue reduzir apenas temporariamente a população do patógeno. Com o passar do tempo da aplicação, o efeito do produto diminui e a população do nematoide volta a crescer, algumas vezes ressurgindo com mais severidade. Há estudos mais recentes, ainda em andamento, sobre controle biológico da praga.

Amostragem do solo para análise de presença de nematoides

Caso haja lavouras com suspeita de contaminação, deve-se fazer a amostragem do solo para confirmar ou não a presença de nematoide e para identificar a espécie. A amostragem é feita em local próximo ao tronco do cafeeiro, coletando-se solo e raízes que devem ser acondicionados em sacos plásticos com a umidade natural e enviados ao laboratório, o mais rápido possível. Se o envio ao laboratório não for imediato, manter a amostra em geladeira.

As informações são do MANUAL DO CAFÉ - Distúrbios fisiológicos, pragas e doenças do cafeeiro – EMATER MG – 2016.

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