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Cafeicultores compartilham experiências sobre técnica de fumaça para evitar impacto das geadas

POR EQUIPE CAFÉPOINT

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 05/08/2021

3 MIN DE LEITURA

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Por Gabriela Kaneto

Este inverno tem sido rigoroso em muitas regiões produtoras de café do País. Em julho, tivemos uma das geadas mais fortes dos últimos tempos, que queimou inúmeros cafezais principalmente em São Paulo e Minas Gerais. De olho nas próximas previsões, produtores têm buscado diferentes maneiras de diminuir o impacto das massas de ar polar sobre as plantas.

A cortina de fumaça é uma delas. A técnica consiste em colocar fogo em determinados locais da lavoura para que a fumaça mantenha o ambiente aquecido, evitando o congelamento da água sobre as folhas. “Essa alternativa surgiu levando em consideração a troca de experiências com outros produtores”, conta a cafeicultora Aline Codo.


Fotos: Aline Codo

Sua propriedade, a Fazenda Coqueiros, localizada no município de Coqueiral (MG), no Sul de Minas, não foi afetada drasticamente pelas geadas do último mês, porém, para evitar possíveis danos, Aline decidiu realizar o teste da fumaça nos últimos dias. “Aqui na propriedade utilizamos uma mistura combinada entre palha de café, paus secos e óleo queimado. A ideia é que, após o abafamento das labaredas, fosse formada uma nuvem de fumaça que reduzisse a radiação térmica e mantivesse o calor sobre a área”, explica.

Com cautela, Aline colocou o fogo no chão entre o talhão que já havia sido atingido pela geada do dia 20 de julho e um talhão não atingido. O fogo foi aceso por volta das 18h30 e, de acordo com ela, até a manhã do dia seguinte ainda havia resquícios de fumaça. “Em pontos isolados e com maior risco de geada eu repetiria o processo, mesmo não tendo evidências de 100% de sua eficácia”, destaca a produtora, que contou que não foi possível ter certeza do bom resultado pois não houve geada na noite em que o experimento foi feito.

Em São Paulo, no município de Monte Alegre do Sul, no Circuito das Águas Paulista, o produtor Tuffi Bichara, da Cafezal em Flor Turismo e Cafés Especiais, também fez uso da técnica. Pegando referências de materiais divulgados por instituições agropecuárias de ensino e pesquisa, sua mistura foi um pouco diferente: Tuffi utilizou uma combinação de serragem, nitrato de potássio (salitre chile) e açúcar.


Fotos: Mateus Bichara

Ele conta que, em seu teste, posicionou uma lata de 18 litros de capacidade a cada 2.500 metros quadrados. “Deve-se monitorar a temperatura. Se atingir zero graus antes da meia noite, é preciso acender os fumigadores, pois a temperatura chegará ao ponto de congelamento antes do nascer do sol”, alerta.

Em sua região é comum gear quase todo ano, mas com graus diferentes de intensidade. Tuffi conta que as baixas temperaturas do dia 20 afetaram a produção de um talhão mais baixo de sua lavoura, impactando a parte superior dos cafeeiros. Em relação à técnica de proteção, ele analisa que o resultado é bem variável e depende de alguns fatores: “se houver vento não criará o efeito estufa desejado”.

Efeitos das geadas

O engenheiro agrônomo da Fundação Procafé, José Braz Matiello, explica que os efeitos das geadas podem ser de três tipos: queima apenas de folhagem de forma superficial, podendo haver perdas entre 20% a 40% da safra seguinte; queima moderada, que atinge parte dos ramos e a folhagem, com perdas entre 50% a 70% da próxima produção; e queima severa, que pode resultar na perda total da produtividade.

“Em casos muito graves, especialmente em lavouras mais novas, pode ser preciso recepar, tendo perda total em 2022 e mais perdas em 2023. Nos cafeeiros muito novos, de até um ano e meio, pode haver morte da planta, precisando fazer o replantio”, alerta.

Em casos de mudas novas com até seis meses de campo, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) indica que elas sejam enterradas. Em relação aos viveiros, a recomendação é que sejam protegidos com várias camadas de cobertura plástica ou aquecimento, podendo adotar as duas práticas simultaneamente. Em ambos os casos, a proteção deve ser retirada logo que a massa de ar frio se afastar e cessar o risco de geadas.

Já para as lavouras com idade entre seis meses e dois anos, é aconselhado amontoar terra no tronco das plantas até o primeiro par de folhas. Essa proteção deve ser mantida até meados de setembro e depois retirada com as mãos.

Para lavouras num geral, a recomendação da Fundação Procafé é sobre a cobertura do solo. Solo coberto com vegetação, seja por mato ou cultivos intercalares, viva ou morta, reduz a incidência solar e, consequentemente, o armazenamento de calor.

Você já realizou essa ou outras técnicas em sua lavoura? Compartilhe suas experiências nos comentários abaixo!

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