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Avaliação da ferrugem do cafeeiro - diferenças entre a prática e a academia

POR JOSÉ BRAZ MATIELLO

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 30/01/2019

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Desde sua constatação no Brasil, há cerca de 49 anos, a ferrugem do cafeeiro vem sendo avaliada por um sistema simples e prático, de modo bem compreensível, pelos técnicos e pelos produtores no campo. No meio acadêmico, ao contrário, é estranho o uso de sistemas de aferição da doença através de parâmetros pouco entendidos por quem lida junto às lavouras.

A ferrugem é a doença mais grave e prejudicial na lavoura cafeeira. O fungo infecta as folhas causando pústulas, as quais, num primeiro momento, diminuem a área foliar ativa e, em seguida, provocam a queda das folhas atacadas, adicionando perda foliar ainda maior. As plantas, assim desfolhadas, perdem suas reservas, a parte nova do ramo lateral fica prejudicada em seu crescimento (estes ramos chegam a secar ponteiros) e a desfolha influi negativamente no pegamento da florada futura, tudo isso resultando em perdas produtivas na safra seguinte.

O ciclo de evolução da ferrugem, nas condições da cafeicultura brasileira, tem se mostrado bem definido, repetindo-se ano a ano. A doença evolui em função do clima, com aumento da infecção a partir de novembro/dezembro até abril/maio e com o “pico” da doença (com maior numero de folhas infectadas) acontecendo em julho/agosto, decaindo, em seguida, pela desfolha natural e pela colheita. A predominância de calor e umidade no período infectivo favorece a doença, coincidindo, também, com uma maior susceptibilidade dos cafeeiros em função do deslocamento de reservas das folhas para a granação dos frutos.

No campo, o sistema de avaliação da ferrugem tem sido praticado através da verificação em folhas ou ramos ao acaso, tomados no terço médio das plantas, e avaliadas folhas adultas, situadas no 3º/4º par. No sistema de folhas ao acaso, calcula-se o número delas infectadas e determina-se o percentual de infecção, ou seja, o número das infectadas sobre o número total amostrado. Antigamente, determinava-se também o número médio de pústulas por folha, porém, com o tempo, abandonou-se esta determinação, pois se verificou que o percentual de infecção se correlacionava com o número de pústulas. Isto é lógico, pois os esporos do fungo da ferrugem se distribuem na área da folhagem, não distinguindo se é uma mesma ou em outra folha. No sistema de ramos ao acaso, a determinação também resulta no percentual de folhas infectadas como o anterior, só que a leitura é feita em todas as folhas do ramo amostrado. No final do ciclo, no pós-colheita, avalia-se em ramos ao acaso, lendo-se os seis últimos pares a percentagem de desfolha.

Um processo menos compreensível é adotado por trabalhos acadêmicos. Eles determinam a incidência e a severidade, e os dados são integralizados no tempo e transformados em Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença – AACPD. Estes números encontrados são difíceis de visualização, em relação ao que se verifica nos cafeeiros. Por exemplo, em um experimento a testemunha apresentou AACPD de 449 e um bom fungicida mostrou AACPD em 167. Em outro experimento a testemunha apresentou AACPD de 3316, enquanto um bom fungicida apresentou AACPD de 484. Olhando estes números, não é possível saber se a infecção foi alta ou baixa naqueles locais, a menos que se coloquem parâmetros comparativos, ou seja, quais seriam os padrões nessas avaliações.

No sistema de determinação de percentual de folhas infectadas, os números resultantes logo permitem a interpretação. Se a testemunha tiver, por exemplo, 90% de folhas infectadas, qualquer um vai saber que a doença atingiu praticamente todas as folhas, pois se torna visível observando as plantas no campo. Esta infecção com certeza vai resultar em alta desfolha. Além disso, com base em muitas centenas de ensaios realizados ao longo de muitos anos, a Equipe Técnica do ex-IBC, hoje parte na Fundação Procafé, publicou no livro Cultura de Café no Brasil os critérios ou padrões que podem ser considerados, em relação aos níveis de eficiência de controle. Estes níveis são os seguintes:

- Níveis de infecção finais (junho-julho) inferiores a 10% de folhas infectadas e desfolha inferior a 20% - elevada eficiência de controle.
-  Níveis de 10-20% de infecção e desfolha inferior a 30% - controle bom.
-  Níveis de infecção de 20-40% e desfolha de 30-50% - controle pouco eficiente.
-  Índices de infecção superiores a 40% e desfolha superior a 50% - falta de controle.

Nessa condição média considerada, a Testemunha - apresentaria infecção de 60-90% e desfolha de 70-90%.

Conclui-se, portanto, que a avaliação da ferrugem deve considerar o percentual de folhas infectadas e a desfolha decorrente do ataque, pela simplicidade e pela fácil compreensão e visualização dos resultados.


A infecção e a desfolha pela ferrugem do cafeeiro devem ser avaliadas de forma simples e compreensível a nível de campo.

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JOSÉ BRAZ MATIELLO

MACAPA - AMAPÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 05/02/2019

O pessoal da academia deveria vir explicar melhor pra nós, da prática, o que seria um bom controle baseado nas avaliações feitas pela AACPDs. Matiello