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Alternativas para o controle da broca-do-café

TÉCNICAS DE PRODUÇÃO

EM 07/05/2020

4 MIN DE LEITURA

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Por José Nilton Medeiros Costa*

A broca-do-café é uma das principais pragas do cafeeiro em Rondônia. Ela provoca severos prejuízos, como apodrecimento de grãos e queda de frutos broqueados, perda de peso e qualidade no café beneficiado, limitação de produção de sementes de café, depreciação do produto na classificação e perda de mercado consumidor externo.


Broca-do-café - Foto: José Nilton

Nos últimos anos vivenciou-se um dilema em relação ao controle da praga com inseticida. Tudo começou com a proibição de uso do Endossulfam, considerado altamente tóxico ao ser humano.

Dos inseticidas registrados para a cultura do café, o Endossulfam, até a sua proibição em Rondônia, era o único princípio ativo reconhecidamente eficaz no controle da broca-do-café. Além dele, só havia o registro de alguns produtos do princípio ativo Clorpirifós, cuja limitação é sua eficiência a campo, considerada apenas média (51 a 79% de controle), conforme classificação para esse fim.

Somente a partir de 2016 foram registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Mapa, novos inseticidas para esta praga como aqueles a base de Ciantraniliprole, além da inclusão de alternativas para os métodos de controle biológico (Beauveria bassiana) e mecânico (armadilha com Etanol + Metanol), conforme relacionados na Tabela 1.

Vale lembrar que o fato de um produto ser registrado não significa que tenha ótima eficiência para a praga-alvo. Os novos produtos são relativamente caros em comparação ao Endossulfam e ainda não há comprovação de que são eficientes em todas as áreas e regiões produtoras de café, como é o caso de Rondônia. Esses novos produtos são menos tóxicos e nocivos ao meio ambiente, principalmente aqueles das classes IV e III descritos na Tabela 1.

Tabela 1. Produtos registrados para broca-do-café (Hypothenemus hampei)


Fonte: Agrofit (2020). Cat.PI = categoria produto importado
.

 

Como controlar a broca

A maneira mais adequada para acompanhar a infestação da broca e realizar o controle no momento oportuno, é fazer amostragem mensal na lavoura. Recomenda-se iniciar quando os frutos estiverem na fase de chumbo e chumbões (novembro a janeiro), período em que as sementes já estão formadas, sendo a fase em que a broca perfura o fruto e pode fazer a postura de ovos.

Para fazer a amostragem na lavoura, deve-se percorrer o talhão em zig-zag e tirar de cada planta escolhida ao acaso, 20 frutos (cinco em cada face da planta). O número de plantas a ser amostrado depende do tamanho do talhão. Para talhão com 1.000 plantas, amostra-se no mínimo 30 plantas; talhão com 1.000 a 3.000 plantas, 50 plantas devem ser amostradas; se o talhão tiver 3.000 a 5.000 plantas, amostra-se 75; e acima de 5.000, deve-se amostrar 1,5% das plantas.

Os frutos de cada talhão formarão uma única amostra. Em seguida, faz-se a separação dos frutos brocados e não brocados para a determinação da porcentagem de infestação. De forma prática, o resultado será obtido, multiplicando-se o número de frutos brocados por 100 e dividindo-se este resultado pelo número total de frutos da amostra.

O controle químico deve ser iniciado quando a porcentagem de frutos broqueados for igual ou maior que 3%. Deve ser realizado nas partes mais atacadas da lavoura. Como o ataque não se distribui uniformemente recomenda-se o controle apenas para os talhões cuja infestação da praga já tenha atingido 3%.

Com esse procedimento evitam-se gastos desnecessários com mão de obra e inseticida, e reduzem-se os impactos relacionados ao uso de agrotóxicos. Mesmo após o controle, o monitoramento deve continuar e, se a infestação voltar a alcançar o nível de controle, nova aplicação deve ser feita, respeitando os limites de carência do inseticida.

A redução do ataque da broca na safra seguinte pode ser obtida fazendo-se uma colheita bem feita no ano em curso. Assim como executar o repasse na lavoura, para evitar que a praga sobreviva nos frutos deixados nos cafeeiros ou caídos no chão. Devem-se destruir os cafezais velhos e abandonados, nos quais a broca encontra abrigo e se multiplica livremente. Torna-se importante a conscientização dos vizinhos para que o controle da broca seja realizado, evitando a proliferação de focos para outras lavouras.

Confira no vídeo as orientações do pesquisador da Embrapa para o controle da broca-do-café:

Controle biológico

Observou-se, em lavouras de diversos municípios de Rondônia, a ocorrência de um fungo denominado Beauveria bassiana fazendo, naturalmente, o controle biológico da broca. É fácil perceber a presença do fungo, que fecha o furo feito pela broca na forma de um tufo branco. É comum encontrar o fungo envolvendo uma broca morta na entrada do furo, significando que a broca morreu infectada por ele antes de chegar à semente.


Beauveria bassiana no orifício feito pela broca-do-café

Nas lavouras onde ocorre o fungo, recomenda-se não fazer aplicação de agrotóxicos, a não ser que a infestação da broca ultrapasse 3% dos frutos broqueados sem infecção de B. bassiana. Produtos biológicos a base do fungo encontram-se registrados. O uso de componentes biológicos na formulação de defensivos ou de fertilizantes cresce significativamente. Responde a uma demanda da sociedade de restringir e ampliar o cuidado no manuseio e utilização dos componentes químicos e também pelo avanço significativo da pesquisa no setor. Os produtos comerciais registrados para broca-do-café a base de Beauveria bassiana estão listados na Tabela 1.

*José Nilton Medeiros Costa É doutor em Entomologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (2009). Desde 1989 atua como pesquisador da Embrapa Rondônia.

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