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Quebra no conilon: exportações capixabas tem pior desempenho em 30 anos

Por Equipe CaféPoint (CaféPoint)
postado em 21/10/2016

2 comentários
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Por Thais Fernandes

A seca que castiga o Estado do Espírito Santo e teve seu ápice em 2015, quando o estado decretou restrição do uso da água na agricultura, segue impactando o setor do café conilon. A quebra na safra deste ano criou um ambiente inédito para o grão em seus diversos setores.

Vindo em uma escalada de preços há, pelo menos, três meses, quando passou a se manter acima de R$400, o café conilon atingiu essa semana um novo recorde ao bater os R$500 por saca no mercado interno. Ultrapassar esse último valor é considerado inédito pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). “Em reais, é recorde histórico”, afirma Jorge Luiz Nicchio, presidente da entidade.

Foto: Guilherme Gomes/ Café Editora
Foto: Guilherme Gomes/ Café Editora

Mas, o preço da variedade do café robusta, reflete também um movimento anterior. Em 2015, o CCCV registrou recorde de exportações do grão, com 4,02 milhões de sacas de 60 kg. O número representou o maior embarque do grão feito pelo Estado do Espírito Santo na história do Centro.

Já em 2016, os embarques totais, somando arábica e conilon, do Estado até agora estão em apenas 2,4 milhões de sacas. “É o pior volume desde 1986. Isso se deve, também, a ineficiência do Porto de Vitória, que não comporta grandes navios. Então, perdemos em exportação por falta de café no Espírito Santo e também por cafés que passaram a ser embarcados nos portos do Rio de Janeiro e Santos”, revela Nicchio.

Ainda assim, considerando apenas o café conilon, a quebra na produção se mostra como maior responsável. Os embarques devem despencar, com queda de 85%, comparado ao que foi exportado em 2015. “Para o conilon, nós projetamos exportar 600 mil sacas até o final do ano. Isso é apenas 15% do café do ano passado”, afirma.

O fator mercado externo não explica sozinho a constante alta nos preços da saca. “A quantidade produzida aqui foi muito pequena! E, em segundo lugar, a necessidade da indústria em utilizar conilon como blend”, analisa Jorge Luiz Nicchio. Para ele, a indústria já reduziu em boa parte a utilização do grão, mas não deve atingir uma redução mais brusca para não impactar a percepção do consumidor final.

“Há alguns anos, esse blend era estimado em torno de 40% de conilon. Então o consumo brasileiro estava nessa margem, até 2014. O valor do conilon começou a subir já em 2015, então a indústria passou a utilizar entre 30 ou 25%”, conta.

Diferencial entre arábica e conilon
“O conilon atingiu o preço de cafés trabalhados em nível de Sul de Minas, Cerrado Mineiro. E, ao mesmo tempo, com a maior procura do mercado interno”, destaca Nicchio. Segundo ele, nas cotações acompanhadas pelo CCCV já tinha se visto o conilon e o café arábica tipo rio em valores tão próximos, mas para café arábica fino é a primeira vez.

Para o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP, o diferencial de preço do robusta frente ao arábica é o menor já visto, considerando-se toda a série histórica. No último dia 18, a diferença entre os valores das variedades foi de apenas 8,07 reais/saca, com o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, fechando a R$ 515,16/sc de 60 kg.

Gráfico: Cepea


Perspectivas para 2017
Para a próxima safra, produtores e técnicos informam diariamente que a quebra deve se repetir, em função dos efeitos da seca nos cafeeiros. “A perspectiva para 2017 também é muito ruim. Mesmo que chova agora a safra do ano que vem vai ficar altamente comprometida. A produtividade vai ser prejudicada”.

Os problemas na produção devem, portanto, seguir pautando o mercado interno, que recorreu a suas reservas nas últimas safras. “A expectativa é de preços bons, pelo menos nos próximos dois anos. No início da colheita deste ano, o Brasil passou com os estoques praticamente zerados. Esse ano a produção brasileira de arábica foi muito boa, mas a conta que se fez é que na chegada da safra 2017 a produção mineira do ano que vem não supera esse ano, então vamos chegar com o estoque zerado”.

Contudo, o presidente o CCCV lembra que a preocupação de produtores não se limita aos valores de suas sacas. “O preço está muito bom, mas o produtor precisa de uma conjuntura em que tenha preço e café bom. Mesmo em 2014 os cafeicultores já tiveram quebra superior a 50% no Espírito Santo”, finaliza Jorge Luiz Nicchio.

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Equipe CaféPoint    São Paulo - São Paulo

Mídia especializada/imprensa

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Comentários

Aldo costa rodrigues

Placido de Castro - Minas Gerais - Produção de café
postado em 24/10/2016

Acho que o governo tinha que compra 5 milhões de sacas de café arábica e 2 milhões de conilom para evitar desabasteçimento  !!!

mauri deschamps

OUTRA - OUTRO - OUTRA
postado em 01/11/2016

quem deve estar muito contentes com essa noticia da saca do cafe a 500 reais, são os produtores de Rondonia. bahh

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