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Broca: "falta de produtos eficientes trará prejuízos ao Brasil", diz especialista

postado em 09/08/2017

5 comentários
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Por Camila Cechinel

Enquanto a colheita de café no Brasil na safra 2017/2018 está a todo vapor, quase chegando ao final, produtores seguem preocupados com a infestação da broca nas lavouras, inseto que se alimenta do fruto do café, destruindo a parte interna do grão e trazendo prejuízos qualitativos e quantitativos ao produtor.

Foto: Ivan Padovani/Café Editora
                                     Foto: Ivan Padovani/Café Editora

Com a proibição do inseticida Endosulfan em julho de 2013, produto padrão altamente eficiente no controle da praga, porém extremamente tóxico, cafeicultores buscam alternativas para controlar a epidemia, já que, desde então, ainda não surgiu nenhum outro produto à altura, mesmo existindo cerca de 12 mercadorias testadas e registradas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para realizar o manejo. 

De acordo com o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Julio César de Souza, a partir de 2014 a devastação da broca-do-café foi aumentando no país. Este ano, as lavouras mostraram altas infestações, comprovando a baixa eficiência dos produtos químicos atuais. Para ele, resolver 60% do problema não ajuda, uma vez que o inseto vai se reproduzir novamente. 

"O cenário constata a importância de inseticida na agricultura do Brasil. Sem ele não se produz nenhuma cultura", disse, exemplificando com a ferrugem asiática, "se não fossem os fungicidas, a soja estaria bancarrota". 

Segundo o especialista, se medidas não forem tomadas com rapidez, tanto por órgãos governamentais quanto por cafeicultores, com certeza haverá prejuízos assustadores ao Brasil, já que grãos brocados não podem ser exportados, sendo comercializados apenas no mercado interno, como café escolha, de menor valor.

"A nossa esperança é o inseticida Ethiprole, que ainda não está no mercado mas já foi testado e registrado no Mapa, apresentando-se bastante eficiente". A mercadoria ainda não está à venda porque precisa da liberação do Japão e dos Estados Unidos quanto ao limite máximo de resíduo, já que o Brasil exporta café para esses países. 

"Vamos comercializar na próxima safra. Se a aprovação do inseticida demorar muito, o produto não estará disponível para os cafeicultores a tempo", explicou Souza. 

Cafeicultura: técnicas na lavoura que podem ajudar a diminuir a ocorrência de broca

Com o objetivo de ajudar os produtores que estão sofrendo com a broca-do-café a reduzir a evolução da doença na próxima safra, do ano que vem, o pesquisador da Epamig indica algumas precauções que devem ser tomadas a partir do final da colheita, já em setembro de 2017: 

1) Colheita bem feita na safra 2017/2018: é necessário que o produtor retire todo o café das plantas e do chão, já que o inseto sobrevive de uma safra para outra;

2) Monitoramento da broca em sua época de trânsito e controle químico: de 80 a 90 dias após a grande florada, os agricultores devem escolher algumas plantas e verificar se há ataque de broca. Se constatado 3% de infestação, é obrigatório o controle químico, com o uso de inseticida.

"Três meses após a florada o café é verde chumbão aquoso. A broca sai dos frutos secos da safra anterior e perfura esses cafés, sem colocar ovos. É nesse momento que o produtor aparece, eliminando a fêmea da broca na entrada do fruto", explicou. Quando o café é "invadido" pela broca, mas a semente não é atingida, não há prejuízo no produto, que mesmo furado é considerado normal. 

3) Safra Zero: é preciso que os cafeicultores façam o manejo correto da lavoura, com uma poda de esqueletamento para retirar toda parte aérea do pé de café, deixando somente os ramos que vão produzir. Entre as finalidades, está: a abertura de lavouras fechadas, a redução da altura da planta para melhorar a colheita, a racionalização dos custos e o aumento e renovação da quantidade de ramos produtivos. 

"Os produtores vão fazer a poda agora, após a colheita. Como a cultura é bianual, a parte da lavoura que produziu muito esse ano, produzirá menos ano que vem. Com o esqueletamento, o rendimento nos anos seguintes tende a melhorar", explica o engenheiro agrônomo. 

Histórico da Broca-do-Café


A broca surgiu no Brasil em 1970, quando a cafeicultura ainda era muito arcaica, com lavouras sem podas, sombreadas e úmidas, cenário ideal para seu desenvolvimento. Na época, o único produto químico para controle da doença era em pó, ou seja, facilmente levado pelas chuvas.

Com a explosão da ferrugem no mesmo ano, o Governo Federal passou a implantar uma cafeicultura mais moderna, com lavouras arejadas que acabaram, junto com o surgimento do Endosulfan, controlando a broca com eficiência. Em 1980, no entanto, o produto chegou a ser proibido, devido a toxicidade, mas o governo voltou atrás e permitiu o uso até julho de 2013. Hoje, não há como o inseticida voltar a ser utilizado porque a Bayer, detentora do produto, não fabrica mais.

"No Brasil, o controle biológico do inseto é ineficiente. Somos um país tropical, com produção o ano inteiro e migração da epidemia de uma safra para outra", disse Souza. 

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Comentários

Amauri Rezende Pacheco

Boa Esperança - Minas Gerais - Produção de café
postado em 09/08/2017

Proibiram o Endosulfan, que controlava, às vezes, com uma única dose, para usarmos, inúmeras vezes, outros inseticidas que não resolvem nada. Chego a aplicar três vezes!!! Nunca vi uma medida tão imbecil assim! Sem falar no prejuízo para os produtores e, principalmente, para o país. Se este ano tivermos perda de 5% por broca, quantos sacos a menos representa na produção brasileira?

Murilo de Freitas Ferracin

Monte Santo de Minas - Minas Gerais - Consultoria/extensão
postado em 10/08/2017

Engraçado que se a medida de proibição do Endosulfan foi devido à periculosidade do produto, esqueceram que o uso indiscriminado e de forma totalmente irregular, devido ao desespero de perdas qualitativas e quantitativas, já está causando desequilíbrio natural, pois não funcionam para o recomendado e prejudicam outros.  Mais uma vez, pagamos o "pato". 

Mateus de Oliveira

OUTRA - Espírito Santo - Indústria de insumos para a produção
postado em 11/08/2017

Por que o controle biológico é ineficiente? Como chegaram a essa conclusão? Gostaria de saber sobre as pesquisas a respeito.
Obrigado!

JOHNY FERREIRA BUENO

Boa Esperança - Minas Gerais - Produção de café
postado em 11/08/2017

Nosso país está virando uma verdadeira pocilga podre e fedorenta,  com o desmanche da nossa estrutura de Ciência e Tecnologia graças aos desmandos políticos. Os cretinos nomeiam indivíduos sem qualquer competência para o 2º, 3º e 4º. escalões do serviço publico. Isso deveria ser terminantemente proibido. Governantes só poderiam nomear Ministros ou Secretários de Estado. Os demais, somente por concurso público e que demonstrem capacidade e qualificação profissional para exercer estes cargos, que são muito importantes. Competência sim, nada de empulhão. Chega dessa pouca vergonha nacional ou viraremos uma outra Venezuela em poucos anos. 

JOHNY FERREIRA BUENO

Boa Esperança - Minas Gerais - Produção de café
postado em 11/08/2017

Concluindo, reproduzo o que foi dito pela filosofa russa Ayn Rand há muitos anos: "Quando você percebe que para produzir precisa obter autorização de quem nada produz; quando percebe que o dinheiro flui com facilidade para quem negocia, não com bens, mas sim com favores; quando percebe que muitos ficam ricos pelo suborno e pela influência, e não pelo trabalho ou competência, e que a lei não nos protege deles, mas pelo contrário, é a lei que os protege; quando percebe que a corupção é recompensada e a honestidade se converte em auto-sacrificio.... Então podemos afirmar, sem temor de errar, que nossa sociedade está condenada".

Será que essa senhora teria, naquela ocasião, tido algum contato com nossos políticos????? Cambada de canalhas, larápios, ladrões, vagabundos. Temos que lutar pelo agronegócio, exigindo que nossos representantes sejam mais honestos e se empenhem em trazer benefícios para o país e o povo, e não para suas contas bancárias no exterior.

Nas rodovias (a maior parte delas completamente asfaltadas)  que cortam as áreas rurais da Carolina do Norte (USA) existem placas de sinalização que dizem: "Atenção, muito cuidado com o trânsito de tratores, pois estes homens estão trabalhando para pôr comida em suas mesas". Aqui, a polícia é obrigada a prender o trator e o tratorista que estejam atravessando uma estrada (que em nosso país se parece mais com um caminho do que uma estrada). 

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